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Condecorado por Macron, cacique Raoni protesta contra ferrovia que atravessará Floresta Amazônica

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Em cerimônia onde foi concedido a Legião da Honra, maior honraria da França, o cacique do povo Kayapó entrega “sentença” contra o Ferrogrão

Durante sua primeira vez na América Latina, o presidente da França, Emmanuel Macron, desembarcou em Belém, Pará, em eventos que preparam a cidade para sediar a COP 30, em 2025. Em uma cerimônia nesta terça (26), na Ilha do Combu, região ribeirinha da capital, o cacique Raoni Metuktire, líder do povo Kayapó (MT) foi condecorado com a Legião da Honra por Macron e reconhecido internacionalmente como liderança na luta pelos povos originários. Na ocasião, o cacique entregou a Lula, presidente do Brasil, e Macron uma “sentença” pedindo o veto da construção do Ferrogrão.

O projeto do Ferrogrão prevê a construção de uma ferrovia com 933 quilômetros de extensão, ligando Sinop, no Mato Grosso, até Miritituba, no Pará. A ferrovia pretende ser uma alternativa para a BR-163, conhecida como rota da soja. Para viabilizar a obra, é previsto que haja o investimento de 12 bilhões de reais, ameaçando áreas florestais protegidas, comunidades ribeirinhas e territórios indígenas

Foto: BNAmericas

A sentença contra a construção da ferrovia foi feita pelo Tribunal Popular, composto por representantes dos povos indígenas, comunidades tradicionais, organizações e movimentos sociais dos estados afetados, no dia 4 de março, em Santarém (PA). O documento traz cinco argumentos de acusação: violação do direito à consulta livre, prévia, informada e de boa-fé; estudos falhos e subdimensionamento dos impactos e riscos socioambientais conexos; aumento da especulação fundiária, grilagem de terras públicas, desmatamento, queimadas e conflitos fundiários; e favorecimento indevido dos interesses das empresas transnacionais Cargill, Bunge, Louis Dreyfus e Amaggi.

Os povos indígenas e tradicionais declaram que: “Considerando os graves vícios no planejamento, as violações dos direitos da natureza e dos povos e comunidades tradicionais da região, bem como a necessidade de resguardar os biomas brasileiros e o futuro do planeta dos interesses de empresas transnacionais multibilionárias, este Tribunal Popular determina o  cancelamento imediato e definitivo do projeto da Ferrogrão por parte do Governo Federal e a devida responsabilização da ADM, Bunge, Cargill, Amaggi e Louis Dreyfus pelos danos incorridos contra a natureza e os habitantes da região do Tapajós e do Xingu.”

No ato cerimonial, o cacique relembra ao presidente Lula que subiu com ele a rampa do Palácio do Planalto durante a posse no dia 1 de janeiro, como um dos representantes da diversidade do povo brasileiro e clama que a obra do Ferrogrão não seja realizada. “Peço que Lula não aprove a Ferrogrão. Eu sempre fui contra esse trabalho de destruir floresta, de mineração, de exploração. Se o trabalho de destruir continuar, devemos ter problemas sérios. Para todos nós”, declarou.

Veja na íntegra a condecoração de Raoni.

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