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GLASGOW: ESTAMOS MAIS PRÓXIMOS DA “SOCIEDADE DE BAIXO CARBONO”?

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Ontem, falando a convite aos alunos da FIA (faculdade de administração), juntamente com o ex-deputado federal e ex-secretário de meio ambiente de São Paulo, Fábio Fabio Feldmann, mais o jovem Guilherme W. Syrkis (com uma trajetória brilhante na área das energias renováveis), enfrentei um tema instigante: o que esperar destes próximos anos após a COP 26?
Não vou resumir aqui os ganhos ou frustrações deixadas pela COP recém-terminada em Glasgow.
O noticiário a respeito foi abundante.
Além disso, Acordos não são climax, são processos, quando muito inflexões que vão empurrando nossas agendas para a frente, sempre cercadas de várias circunstâncias, às vezes difíceis de serem determinadas em todas as suas implicações.
No caso das mudanças climáticas esses fatores circunstanciais possuem imensa complexidade.
Levei, e reproduzo aqui, algumas referências para se pensar no avanço da agenda que conclama ao mundo que tomemos providências necessárias para não aquecer mais de 1,5 a 2 graus Celsius o nosso já instável Planeta.
Acho que à pergunta: o que esperar deste período pós Glasgow requer molduras de longo alcance.
Eis algumas delas:

  1. Olhar em perspectiva a transição – ou a modernização verde – do capitalismo, que aponta para um futuro ainda distante da dominância de uma ‘economia’ de baixo carbono. A transição está ocorrendo, mas muito mais lentamente do que a situação de emergência climática demanda: teremos tempo?
  2. Dentro desta transição estão ocorrendo processos brutais, que se utilizarmos a sugestão de Schumpeter podemos chamar de “destruição criativa”: milhões de empregos destruídos, avanço da robótica e da inteligência artificial, as mudanças no sistema de trabalho aceleradas pela COVID, e outros eventos que mudarão completamente a nossa noção do que é sustentável; as cidades continuarão quentes e lotadas;
  3. As condições geopolíticas favoráveis que determinaram o clima da Rio-92, com o término da chamada Guerra Fria não existem mais. Temos uma “guerra surda” pela hegemonia nos negócios e na politica entre os EUA e China, a América Latina em crise desapareceu do mapa de interesse das grandes potências: somos fornecedores de commoddities, quando muito. O mundo árabe está sob a tutela dos interesses do petróleo e a África é um continente que agoniza entre a fome, a doença e conflitos étnicos. A Índia colocou a régua para 2070 para neutralizar carbono na chamada conta “líquido zero”;
  4. Vamos agora às nossas condicionantes nacionais:
    com as instituições cientificas sucateadas, nossas estatísticas manipuladas, com a presidência do país claramente negacionista e hostil à agenda ambiental, o que esperar? Talvez seja cedo para dizer em quem devemos votar em 22, mas sabemos com convicção baseada em fatos em quem NÃO votar; a depender de 22, tudo o que se refere à Glasgow ou ao Acordo de Paris merece uma interrogação;
  5. Por fim, farei referência à percepção do cidadão comum e do engajamento do público na questão climática: bombardeados que somos por massivas notícias fragmentadas, carregadas de vieses ideológicos e diluídas numa agenda enorme e complexa, predomina na opinião pública a percepção apocalíptica: estamos caminhando para um desastre;
    mas o que fazer? A maioria de nós se sente impotente, por razões óbvias, diante dos chamados eventos extremos. Com relação às decisões macropoliticas/macroeconômicas a agenda é das autoridades, governos. O resto parece conversa para diplomatas, especialistas e técnicos.
    O tema da ‘emergência climática ‘ engaja pela emoção e desengaja por não criar links com o que cada um pode fazer, dentro da sua realidade.

Bem, já me alonguei e corro o risco de cansar os leitores.

A conclusão óbvia de quem ler o que escrevi acima é a seguinte: nenhum acordo ou COP vai resolver nossos imbróglios, além da nossa capacidade de operar as complexidades envolvidas nessa dolorosa transição para uma sociedade de baixo carbono.

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