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Alfredo Sirkis é celebrado em fotobiografia organizada por Ana Borelli, sua viúva

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Livro foi lançado na data de aniversário do autor, 8 de dezembro, apresenta imagens raras da trajetória do jornalista, político, escritor e ativista ambiental

“Alfredo Sirkis — Para você saber de mim” narra uma história que poderia ter saído de um filme, sob o recorte íntimo e cuidadoso da editora Ana Borelli, sua companheira por quase três décadas. No final dos anos 1960, o então jovem carioca pegou em armas para resistir à ditadura militar, ingressando na Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), comandada por Carlos Lamarca. Após o cerco do regime apertar, ele saiu para o exílio, onde atuou como jornalista no diário “Libération”, em cuja redação conheceu Simone de Beauvoir e Jean Paul Sarte, que dirigia o jornal. Em 1973, quando Salvador Allende sofreu o golpe que daria início ao sangrento governo ditatorial de Pinochet, ele era correspondente no Chile. Mais uma vez, Alfredo precisou fugir. Depois de um ano em Buenos Aires, ele seguiu rumo a Portugal. E voltou ao Brasil apenas no final 1979, após a Lei da Anistia.

Até o fim da sua vida, 41 anos mais tarde, além de ter sido um dos fundadores do Partido Verde brasileiro, ele atuou como roteirista, político, ativista ambiental e escritor, tendo recebido o prêmio Jabuti pelo romance “Os carbonários” (1980), no qual relembrava seus dias como guerrilheiro na clandestinidade. É essa rica trajetória que “Alfredo Sirkis — Para você saber de mim” reconta, em edição bilíngue — português e inglês —, com imagens raras de acervos e de arquivo de família, em um retrato construído a partir do processo de luto de Borelli, que transforma a obra na despedida que não pôde dar ao marido, morto em um acidente de carro em 2020.

“É um livro fotobiográfico que registra a memória do grande ambientalista, que dedicou 52 dos quase 70 anos de vida à luta pelos direitos humanos, liberdade, igualdade, meio ambiente, sustentabilidade e mudanças climáticas”, resume Borelli, em texto introdutório. “Através desse trabalho de organização de seu acervo e edição da publicação pude, a cada dia, dizer: até breve, amor. E relembrar cada momento vivido, dividido, das causas em que militava, das vitórias que conquistava, do tanto que ele realizou, e das muitas batalhas que travou por um Brasil melhor. Essa foi a maneira que encontrei de viver o meu luto.”

Capa do livro: Alfredo Sirkis – Para você saber de mim

O caleidoscópio afetivo criado pela organizadora traz fotos de uma vida que, em muitos momentos, ilustra a própria história do Brasil em mais de meio século. Há o menino judeu em cerimônias religiosas e o rapaz barbado no exílio, com olhar sonhador e aparência de cantor hippie ou escritor beatnik; há o ambientalista de meia-idade em Vigário Geral junto de Gilberto Gil e jovens estudantes; há o homem apaixonado pela natureza e pela cidade do Rio de Janeiro; há o ativista e político maduro, acompanhado por colegas como Marina Silva, Fernando Gabeira, Carlos Minc e Chico Mendes, além de imagens ao lado de Al Gore, vice-presidente dos EUA durante o governo de Bill Clinton, e do líder religioso Dalai Lama.

Em suas 436 páginas, com textos de Roberto Ainbinder e Pedro Nogh, entre outros, “Alfredo Sirkis — Para você saber de mim” relembra uma grande figura brasileira e apresenta às novas gerações um homem que se dedicou sempre a buscar construir um país mais justo e um mundo que cuidasse de si mesmo, preservando sua natureza e toda a sua biodiversidade. “Fica a mensagem de que tudo vale a pena quando agimos com o coração. Essa era a sua bandeira e com ela sigo”, resume Borelli.

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