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Projeto de conservação de flora e fauna atua em território de 62 milhões de hectares

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Área do Pró-Espécies ultrapassou em seis vezes a projeção inicial no Brasil

A área de atuação do Projeto Pró-Espécies: Todos contra a extinção, criado com o objetivo de minimizar as ameaças e o risco de extinção de espécies da fauna e flora ameaçadas de extinção brasileira, passou de nove milhões para 62 milhões de hectares. O aumento ultrapassa em seis vezes a projeção inicial e foi possível graças à conclusão dos 11 Planos de Ação Territoriais para Conservação de Espécies Ameaçadas de Extinção (PAT), que detalhou os polígonos e os limites de cada um dos 24 territórios contemplados na iniciativa.

“Esse aumento na área é resultado do trabalho desenvolvido pelos parceiros do projeto, em especial os órgãos estaduais de meio ambiente. Nossa ideia inicial era trabalhar em, pelo menos, nove milhões de hectares, mas quando vamos para a execução e desenvolvimento dos Planos de Ação Territoriais, é que se tem a real dimensão das áreas que serão trabalhadas. Algumas áreas foram retiradas e outras adicionadas, pois a análise espacial inicial apenas direciona o território que será contemplado, com base no ponto de ocorrência das espécies alvo. A definição é feita com quem está na ponta”, explica Samuel Schwaida, analista ambiental do Ministério do Meio Ambiente (MMA).

O novo cálculo foi feito com o auxílio de um software de geoprocessamento e a partir das informações publicadas nos sumários executivos de cada PAT. As expedições de campo fazem parte da matriz de atividades dos PATs que contemplam, prioritariamente, as espécies constantes nas listas nacionais e estaduais de espécies ameaçadas de extinção, na categoria Criticamente em Perigo (CR), e com foco naquelas que não possuem nenhuma estratégia de conservação, conhecidas como CR lacuna. Nessa última categoria são 173 espécies, sendo 43% de fauna e 47% de flora.

Esses documentos são construídos de forma participativa sob uma abordagem territorial e direcionado para diferentes grupos taxonômicos da fauna e da flora, considerando o

ambiente em que habitam, os aspectos socioeconômicos da região e o intenso envolvimento de atores locais.

Os pesquisadores identificam as espécies-alvo definidas pelo projeto para mapear e subsidiar as pesquisas, avaliar o status de sua existência e as ações de conservação delas, sendo o ponto de partida para reduzir o risco de extinção e garantir sua sobrevivência. Os planos também são capazes de identificar quais os principais vetores de pressão em cada um dos territórios para ações mais efetivas e que promovam o engajamento de toda a sociedade.

Além do território, outra meta superada foi a de avaliação de status de conservação. Inicialmente seriam avaliadas sete mil espécies entre flora e fauna e até junho de 2022 foram avaliadas 8.761 espécies, sendo 5.511 de fauna e 3.250 de flora. Esse trabalho é coordenado e executado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e pelo Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ) em todo o território brasileiro.

“Ter um resultado como este é importante porque além de superarmos o número proposto de espécies avaliadas, o fizemos em três anos e não em quatro, como previsto. Aumentar essa quantidade de espécies avaliadas significa que a gente está conhecendo mais a nossa biodiversidade”, comemora Gabriela Moreira, coordenadora do Projeto Pró- Espécies pelo WWF-Brasil. Ainda segundo Gabriela, o Brasil, país megadiverso, não tem sua biodiversidade completamente mapeada e muitas espécies já podem ter sido extintas antes de serem avaliadas, o que evidencia ainda mais a importância dos números alcançados pelo projeto.

Segundo a coordenadora de projetos do Departamento de Espécies do MMA, Renata Sauerbronn, as expectativas para o próximo ano são diversas. O projeto tem pensado em formas de melhorar a implementação das ações de controle e sensibilização do combate aos crimes contra a fauna e flora, além de consolidar as medidas que foram estabelecidas por meio da Estratégia Nacional de Espécies Exóticas Invasoras (ENEEI) para reduzir o impacto que essas espécies geram na diversidade biológica e nos serviços ecossistêmicos.

Prioridades

A seleção das áreas inseridas no Pró-Espécies levou em consideração fatores como a presença de espécies criticamente ameaçadas, em perigo ou vulnerável e sua localização por bacias hidrográficas. O principal, no entanto, era contemplar territórios que não contavam  com  nenhum  instrumento  de  conservação  ou  planos  de  ação.

“Nós tínhamos uma lista de prioridades para selecionar as áreas que deveriam entrar para o projeto, definidos também por critérios de geoprocessamento e o método de planejamento sistemático para conservação, e o resultado foi esses 24 territórios espalhados em 13 estados brasileiros”, reforça Schwaida.

O Pró-Espécies, lançado em maio de 2018, visa adotar ações de prevenção, conservação, manejo e gestão que possam minimizar as ameaças e o risco de extinção de espécies, especialmente 290 criticamente ameaçadas, em conjunto com 13 estados do Brasil (MA, BA, PA, AM, TO, GO, SC, PR, RS, MG, SP, RJ e ES), que não possuíam políticas públicas de conservação. O que significa dizer que eles não estavam em unidades de conservação, não tinham plano de ação ou de manejo.

O projeto prioriza a integração da União e estados na implementação de políticas públicas e iniciativas que busquem reduzir as ameaças e melhorar o estado de conservação das espécies-alvo e beneficiadas. A iniciativa foi estruturada em quatro componentes principais, desenhados de forma a combater as principais causas de extinção das espécies: perda de habitat, extração ilegal e espécies exóticas invasoras.

A estratégia é financiada pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF, da sigla em inglês para Global Environment Facility Trust Fund), sob a coordenação do Departamento de Espécies do MMA. É implementado pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) e tem o WWF-Brasil como agência executora. Entre os parceiros estão o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio),Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Órgãos Estaduais de Meio Ambiente.

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