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Painel simplifica acesso a dados da flora brasileira ameaçada de extinção

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Conserva Flora, lançado no âmbito do Pró-Espécies, disponibiliza informações sobre mais de 40 mil espécies

Para facilitar o acesso aos dados de quase 7.500 espécies da flora brasileira ameaçadas de extinção, o Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ) lançou o painel Conserva Flora. A proposta da ferramenta, desenvolvida no âmbito do Pró-Espécies: Todos contra a extinção, é tornar mais democrática a busca por essas informações que poderão ser utilizadas tanto por pesquisadores e cientistas, como por órgãos públicos e população em geral. No mês em que se comemora o Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho), o instrumento surge como mais uma medida importante para proteção e conservação da biodiversidade do planeta.

“A ideia é que o painel sobre flora ameaçada de extinção disponibilize informações de forma simplificada. Esses dados sempre estiveram disponíveis nos repositórios de dados institucionais, mas a proposta é reunir e disponibilizar as informações em um formato que alcance um público diverso. Acreditamos que a forma que organizamos a ferramenta tornará o processo de busca mais palatável para todos os usuários. A consulta pode ser feita de acordo com os filtros, seguindo as necessidades de cada um. Por exemplo, se uma pessoa está preocupada com terras indígenas ou alguma região ou bioma em particular, ou procura dados sobre uma espécie, gênero ou família botânica específica, basta filtrar para gerar a informação que está buscando”, explicou Thais Laque, Coordenadora-geral do Centro Nacional de Conservação da Flora (CNCFlora) do JBRJ.

Os filtros para encontrar a informação desejada vão desde o bioma de ocorrência, passando por Unidades de Conservação (UC), origem da espécie, tipo de vegetação, forma de vida, habitat, até estado da federação. “Recebemos muitas demandas de pessoas que não têm relação direta com pesquisas na área. Para citar um exemplo, já atendemos alunos que estão realizando trabalhos escolares e até pessoas que identificaram uma espécie diferente no pátio de casa e estão interessadas em mais detalhes. Além disso, atendemos solicitações de ministérios, agências e outros órgãos governamentais. Por isso a disponibilização será fundamental para facilitar essas consultas”.

O painel foi disponibilizado publicamente em outubro de 2022 e traz os dados das espécies da flora reconhecidas como em risco de extinção no Brasil. O desafio agora, segundo Thais Laque, é a avaliação do estado de conservação das mais de 40 mil espécies botânicas nativas já catalogadas no Brasil. “Ainda não conhecemos o estado de conservação de mais de 30 mil espécies botânicas, por isso é fundamental fomentar e investir em pesquisa e em projetos que proporcionem avanços nesse trabalho de avaliação do risco de extinção da flora”.

A iniciativa foi concebida dentro do Pró-Espécies: Todos contra a extinção, um projeto coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA),financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF, da sigla em inglês para Global Environment Facility Trust Fund), implementado pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) e tem o WWF-Brasil como agência executora.

Avaliação

O processo de avaliação do estado de conservação de espécies é feito de acordo com o sistema de critérios e categorias e as diretrizes para avaliação do risco de extinção da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN), amplamente utilizada em todo o mundo. A atividade envolve vários profissionais, como pesquisadores, especialistas e avaliadores, e a prioridade é dada em função do escopo dos projetos de pesquisa financiadores.

“Para a avaliação, é preciso mineralizar informações em uma diversidade de repositórios que nos disponibilize dados robustos sobre as espécies. Dados como quem coletou, quando, onde são fundamentais. A partir daí, os avaliadores podem gerar o polígono de ocorrência e encaminhar a análise unindo informações como dados biológicos, dados populacionais, os principais vetores de ameaças, como por exemplo, fogo, urbanização, agricultura, pastagem. Só então é possível definir a categoria (Criticamente em Perigo, ou Em Perigo, ou Vulnerável, ou Menos Preocupante, ou Quase Ameaçada, ou Dados Insuficientes) em que a espécie está”, adiantou a coordenadora.

De acordo com Thais Laque, até 2020 o país avaliava, em média, 600 espécies por ano. Mas o método está sendo aprimorado e o número de avaliações efetivadas por ano vem aumentando significativamente, visando alcançar o total da flora brasileira nativa com risco de extinção avaliado. Em breve, 100% da flora brasileira estará com o status atualizado. “Estamos caminhando a passos largos nesse sentido e nossa expectativa é quanto mais as pessoas se conscientizarem sobre a importância de conservar nossa flora, mais teremos investimento e financiamento em ações como essa”.

Biodiversidade

O Conserva Flora integra uma das ações do JBRJ no âmbito do Projeto Pró-Espécies, lançado em maio de 2018 com o objetivo de adotar ações de prevenção, conservação, manejo e gestão que possam minimizar as ameaças e o risco de extinção de espécies, especialmente 290 criticamente ameaçadas, em conjunto com 13 estados do Brasil (MA, BA, PA, AM, TO, GO, SC, PR, RS, MG, SP, RJ e ES).

O projeto visa compreender o estado de conservação da biodiversidade brasileira, pois é o ponto de partida para reduzir o risco de extinção das espécies e garantir a sobrevivência delas. “A biodiversidade não se sustenta de forma isolada. Em um ecossistema, em um bioma ou ambiente, todos têm papel fundamental. Se, por exemplo, um inseto é extinto e desaparece, outra espécie passa a ter risco também. Todas as interações são fundamentais para o funcionamento de um ecossistema, então quanto tira uma peça, algo fica em desequilíbrio. E não importa se é uma árvore enorme ou gramínea, todos precisam estar em estado pleno para a manutenção da biodiversidade”, reforçou Thais Laque.

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