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Brasil avança no biometano, mas cobra incentivos

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Lúcia Chayb Diretora eco21.eco.br @eco21_oficial @luciachayb luciachayb@gmail.com Por trinta anos foi a jornalista responsável pela revista ECO21 (1990/2020)

Brasil pode liderar mercado global de biogás e biometano, mas precisa ampliar incentivos para destravar investimentos, aponta ABREN 

Yuri Schmitke, presidente da ABREN, participou nesta segunda-feira (08) da 3ª Cúpula Regional de Metano, em Brasília, e destacou que, com mais de 1.725 plantas de biogás em operação e potencial para multiplicar em até 15 vezes a produção de biometano, o país reúne condições para liderar a transição energética 

O presidente da Associação Brasileira de Energia de Resíduos (ABREN), Yuri Schmitke, destacou nesta segunda-feira (08), durante participação na 3ª Cúpula Regional de Metano, realizada em Brasília (DF), que o Brasil reúne condições únicas para se tornar uma potência global na produção de biogás e biometano a partir de resíduos, combinando segurança energética, descarbonização, saneamento básico e desenvolvimento econômico. 

De acordo com Schmitke, o biometano desponta como o combustível do futuro, com papel estratégico na descarbonização dos transportes e na substituição do diesel e do gás natural fóssil. Neste ano, entraram em vigor o Certificado de Garantia de Origem do Biometano (CGOB), e no ano que vem o Sistema Brasileira de Comércio de Emissões (SBCE), ou mercado regulado de carbono, fatores que garantirão rastreabilidade, monetização das emissões evitadas e reconhecimento internacional da sustentabilidade do combustível. “Esse novo ambiente regulatório cria condições para atrair investimentos, ampliar a infraestrutura de distribuição e consolidar o biometano como uma das principais apostas do Brasil rumo à economia de baixo carbono.” 

Embora a produção de biometano no Brasil ainda represente uma parcela relativamente pequena do potencial nacional, o segmento vem apresentando crescimento acelerado. Em 2025, o país contava com 52 plantas de biometano em operação, responsáveis pelo consumo de aproximadamente 34% de todo o biogás aproveitado energeticamente no Brasil. O volume de biogás destinado à produção de biometano alcançou cerca de 4,6 milhões de Nm³ por dia (ou 1,6 bilhões Nm³ por ano), inserido em um mercado nacional de biogás que atingiu 4,96 bilhões de Nm³ por ano em 2025. As perspectivas de expansão são expressivas: segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a demanda por biometano poderá alcançar 7 bilhões de m³ por ano antes de 2035, impulsionada pelas metas de descarbonização estabelecidas pela Lei do Combustível do Futuro, representando um crescimento de aproximadamente quinze vezes em relação ao mercado atual. 

Quanto ao biogás, o presidente da ABREN destacou que este ainda enfrenta o desafio de competitividade em relação às demais fontes renováveis, pois carece de um preço de referência que viabilize contratos de longo prazo. Esse ponto está sendo endereçado no Projeto de Lei do Metano Zero (PL 3.311/2025), que foi incluído recentemente no Plano Nacional de Transição Energética (PLANTE), e propõe mecanismos de precificação e incentivos para a produção de energia elétrica e térmica a partir da biodigestão anaeróbia de resíduos urbanos, agropecuários e industriais. A iniciativa também integra políticas de mitigação de emissões e cria instrumentos de governança que darão escala ao setor. 

Segundo dados reunidos pela ABREN, o país possui capacidade estimada para produzir cerca de 44 bilhões de Nm³ de biometano por ano, cerca de 27x a produção atual. Esse potencial é impulsionado pela ampla disponibilidade de resíduos agroindustriais e dejetos da produção animal. Atualmente, o Brasil já conta com mais de 1.725 plantas de biogás em operação, com 37% do biogás proveniente da biodigestão anaeróbia a partir de resíduos agroindustriais, mas ainda aproveita apenas uma fração de sua capacidade total. Além de gerar eletricidade, calor e combustível renovável, o biogás desempenha papel fundamental na mitigação das emissões de metano, um dos principais gases de efeito estufa, transformando passivos ambientais em ativos energéticos e econômicos.  

Schmitke ressaltou que, apesar do potencial nacional, o desenvolvimento de projetos de recuperação energética de resíduos, biogás e biometano ainda enfrenta importantes desafios econômicos no Brasil. “Como são empreendimentos intensivos em capital e de longo prazo, os elevados juros praticados no país aumentam significativamente os custos de financiamento e dificultam a viabilização de novos investimentos, reduzindo a velocidade da transição energética e da descarbonização”. 

Para acelerar esse mercado, na opinião do executivo, será fundamental ampliar os instrumentos econômicos de incentivo. A Taxonomia Sustentável Brasileira, que entra em vigor em 2027, deverá facilitar o acesso a crédito com condições diferenciadas para projetos alinhados à descarbonização, enquanto o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE) tende a criar novas receitas associadas à redução de gases de efeito estufa. “Essas medidas podem impulsionar tecnologias como Waste-to-Energy, biogás e biometano, que contribuem diretamente para a economia de baixo carbono”, explicou. 

Brasil possui a primeira usina de biometano da América Latina que utiliza dejetos suínos 

Outro ponto abordado por Schmitke foi o potencial do Brasil para gerar biometano a partir de dejetos suínos. Recentemente, em março, a H2A Bioenergia e a Coopercampos, empresas associadas da ABREN, inauguraram a primeira planta dessa natureza da América Latina.  

De acordo com Schmitke, a usina, situada em Santa Catarina, é um marco nacional e inaugura um novo mercado a nível nacional. “Nosso país tem um potencial muito grande para evoluir no segmento de biometano. Atualmente, o Brasil usa apenas 3,6% de seu potencial nesse setor, ou seja, temos um amplo horizonte para expandir. A usina inaugurada em março é um marco importantíssimo. Temos a convicção de que essa será a primeira de muitas usinas de biometano que utilizam desejos de suínos”, destaca. 

Sobre a ABREN:                                                                                

A Associação Brasileira de Energia de Resíduos (ABREN) é uma entidade nacional, sem fins lucrativos, que tem como missão promover a interlocução entre a iniciativa privada e as instituições públicas, nas esferas nacional e internacional, e em todos os níveis governamentais. A ABREN representa empresas, consultores e fabricantes de equipamentos de recuperação energética, reciclagem e logística reversa de resíduos sólidos, com o objetivo de promover estudos, pesquisas, eventos e buscar por soluções legais e regulatórias para o desenvolvimento de uma indústria sustentável e integrada de tratamento de resíduos sólidos no Brasil.  A ABREN integra o Global Waste to Energy Research and Technology Council (Global WtERT), instituição de tecnologia e pesquisa proeminente que atua em diversos países, com sede na cidade de Nova York, Estados Unidos, tendo por objetivo promover as melhores práticas de gestão de resíduos por meio da recuperação energética e da reciclagem. O Presidente Executivo da ABREN, Yuri Schmitke, é o atual Vice-Presidente LATAM do Global WtERT e Presidente do WtERT – Brasil. Conheça mais detalhes sobre a ABREN acessando o site, Linkedin, Facebook, Instagram e YouTube da associação.

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