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Consciência ambiental no Brasil: pesquisas de opinião e ambientalismo multissetorial

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Lúcia Chayb Diretora eco21.eco.br @eco21_oficial @luciachayb luciachayb@gmail.com Por trinta anos foi a jornalista responsável pela revista ECO21 (1990/2020)

Por Sérgio Luis Boeira

Nas últimas décadas, poucas iniciativas acompanharam com tanto fôlego a consciência ambiental dos brasileiros quanto a série de pesquisas coordenadas por Samyra Crespo sobre o que o país pensa da ecologia, do meio ambiente e, mais tarde, do consumo sustentável. Iniciada no contexto da Rio-92, essa linha de investigação combinou levantamentos quantitativos de opinião pública com uma pesquisa qualitativa em profundidade sobre os atores que estruturavam o nascente campo ambiental brasileiro. O resultado foi duplamente valioso: de um lado, produziu uma rara série histórica sobre informações, valores, preocupações e práticas ambientais da população; de outro, ofereceu uma interpretação sofisticada da própria formação do ambientalismo no país.

Essa segunda dimensão ganha especial relevância quando se observa o papel de Eduardo Viola no enquadramento intelectual da pesquisa. A etapa qualitativa do primeiro volume registra formalmente sua participação como consultor acadêmico, e a equipe afirma de modo explícito que partiu de seus postulados teóricos para organizar hipóteses e selecionar os segmentos sociais que seriam entrevistados. Não se trata, portanto, apenas de uma pesquisa de opinião sobre meio ambiente, mas de um programa que ajudou a consolidar uma leitura do Brasil como espaço de emergência de um ambientalismo multissetorial, atravessado por cientistas, técnicos, políticos, empresários, movimentos sociais, jornalistas e ativistas.

A série de Samyra Crespo: por que ouvir o que o brasileiro pensa

Quando o programa O que o brasileiro pensa da ecologia? foi lançado, em 1992, o país ainda tinha pouco conhecimento sistemático sobre o modo como a população percebia a questão ambiental. A Rio-92 havia colocado o Brasil no centro do debate internacional, mas faltavam dados consistentes sobre o que os brasileiros sabiam, temiam, valorizavam ou estariam dispostos a mudar em relação ao meio ambiente. Nesse cenário, a pesquisa coordenada por Samyra Crespo e Pedro Leitão assumiu um objetivo ambicioso: situar a questão ambiental no âmbito da cultura e da vivência dos brasileiros, tanto entre cidadãos comuns quanto entre grupos formadores de opinião.

Desde o início, o programa foi concebido de forma mais ampla do que uma survey tradicional. Além do levantamento quantitativo nacional, incluía entrevistas qualitativas com atores estratégicos, análise da cobertura da imprensa, mapeamento de organizações ambientalistas e investigação da produção universitária e editorial relacionada ao tema. Isso fazia da pesquisa não apenas um instrumento de medição de opinião, mas uma tentativa de mapear o próprio “campo ambiental” brasileiro, entendido como o conjunto de ideias, instituições, meios de informação e redes de atores que davam forma à consciência ecológica no país.

Uma de suas maiores virtudes foi a continuidade. A edição de 2012 se apresenta como a quinta de uma série histórica comparável, com levantamentos realizados em 1992, 1997, 2001, 2006 e 2012. Essa persistência metodológica permitiu acompanhar mudanças lentas, mas decisivas, no repertório ambiental dos brasileiros. Em vez de fotografias isoladas, a série construiu um filme de vinte anos sobre como a ecologia deixou de ser tema marginal para se tornar parte reconhecível do debate público nacional.

O papel de Eduardo Viola e a hipótese do ambientalismo multissetorial

A presença de Eduardo Viola no projeto é central para entender a densidade analítica da etapa qualitativa. No volume O Brasil na Era Verde, que corresponde à parte qualitativa da publicação de 1993, a ficha de equipe registra “Eduardo José Viola (Consultoria Acadêmica)”. A menção é relevante porque o texto metodológico vai além de agradecimentos genéricos: ele afirma que a pesquisa partiu dos postulados teóricos de Viola, assumindo sua tese de que o movimento ambientalista no Brasil conhecera uma fase fundacional, seguida por uma fase de transição em que a questão ecológica passava a envolver uma ação multissetorial.

Essa hipótese alterava profundamente o modo de olhar para o ambientalismo. Em vez de tratá-lo como universo restrito às associações verdes ou aos órgãos estatais especializados, a pesquisa o compreendia como um campo em expansão, no qual diferentes setores sociais começavam a incorporar a temática ambiental. Isso incluía desde ambientalistas propriamente ditos até cientistas, técnicos do governo, parlamentares, empresários e representantes de movimentos sociais. O conceito de multissetorialismo, portanto, não aparecia como ornamento teórico, mas como chave explicativa para a transformação do ambientalismo brasileiro.

É justamente por isso que a pesquisa qualitativa foi desenhada a partir de seis segmentos: ambientalistas, técnicos governamentais, empresários, movimentos sociais, cientistas e políticos. A escolha dos entrevistados seguia a ideia de que o núcleo inovador do ambientalismo brasileiro estava na articulação entre setores portadores de saberes, interesses e posições institucionais distintos. Em termos metodológicos, trata-se de uma decisão importante: a pesquisa não queria apenas medir opiniões, mas observar como a questão ambiental se tornava transversal e passava a circular entre diferentes esferas da vida social.

O que os números mostram: vinte anos de pesquisas de opinião

Se a etapa qualitativa forneceu uma interpretação de fundo, a etapa quantitativa construiu o retrato evolutivo da consciência ambiental no Brasil. A primeira edição, lançada em 1992, trabalhou com 3.650 entrevistas em nível nacional, enquanto a edição de 2001 informa uma amostra de 2.000 entrevistas, e a de 2012 foi realizada com 2.201 entrevistas domiciliares com população adulta de áreas urbanas e rurais de todas as regiões do país. Também é importante nomear corretamente as agências de pesquisa: em 2001, a série aparece referida como pesquisa ISER/IBOPE em fonte secundária, enquanto a edição de 2012 foi realizada pelo Instituto CP2, de Belo Horizonte, por licitação do Ministério do Meio Ambiente, com cooperação técnica do PNUMA, e não pelo IBOPE.

Um dos dados mais expressivos dessa trajetória é a queda do percentual de pessoas que não sabiam identificar nenhum problema ambiental no país, na cidade ou no bairro: esse grupo representava 47% dos entrevistados em 1992 e caiu para 11% em 2012. A mudança indica ampliação significativa da familiaridade dos brasileiros com o tema e sugere que o meio ambiente se tornou progressivamente mais presente no repertório cotidiano da população.

Também mudou o lugar do meio ambiente no ranking dos problemas nacionais. Em 1992, o tema não aparecia entre os dez principais problemas do país; em 1997 surgia apenas em 11º lugar; em 2006 era citado por 6% dos entrevistados; e, em 2012, alcançava o 6º lugar, com 13% das menções, atrás apenas de saúde, violência, desemprego, educação e políticos. O dado é importante porque mostra a passagem de uma preocupação difusa e periférica para uma posição mais central no imaginário social.

Quando se observa quais problemas ambientais são percebidos como mais graves, o desmatamento aparece como a grande referência nacional ao longo de toda a série. Em 1992, 47% dos entrevistados o apontavam como o principal problema ambiental do Brasil; em 2012, esse percentual chegava a 67%. Outras preocupações também se tornaram mais visíveis, como a poluição de rios e lagos, a poluição do ar e o aumento do volume de lixo, tema que ganha peso na medida em que o debate sobre resíduos sólidos se amplia no país.

A própria compreensão do que é “meio ambiente” também mudou. Nas primeiras edições, o termo era muito associado à fauna e à flora; ao longo do tempo, passam a ser progressivamente reconhecidos como parte do meio ambiente elementos como cidades, favelas, indígenas, homens e mulheres. Esse deslocamento é fundamental, pois revela uma ampliação do imaginário ambiental brasileiro, que deixa de ser estritamente naturalista e passa a incorporar dimensões urbanas, sociais e humanas.

Outro resultado importante diz respeito à atribuição de responsabilidades. Em 1992, predominava a percepção de que cabia sobretudo ao governo federal resolver os problemas ambientais; em 2012, a responsabilidade aparece mais distribuída, com 61% indicando os governos estaduais, 54% as prefeituras e 48% o governo federal. Ao mesmo tempo, cresce a ideia de responsabilidade individual: a proporção dos que atribuíam papel importante a “cada um de nós” sobe de 39% em 1992 para 46% em 2012. O dado sugere que a consciência ambiental se torna mais capilarizada, ainda que a internalização dessa responsabilidade não implique automaticamente ação prática.

Os valores normativos associados ao tema também se consolidam ao longo da série. Em 2012, 76,5% dos entrevistados discordavam da afirmação de que a preocupação com o meio ambiente no Brasil era exagerada. Mais expressivo ainda: 82% rejeitavam a ideia de aceitar mais poluição em troca de progresso econômico ou emprego, dando continuidade a uma trajetória já perceptível em 1997, 2001 e 2006, quando a maioria também recusava essa contraposição entre proteção ambiental e desenvolvimento. Em outras palavras, a legitimidade cultural da agenda ambiental cresceu de forma robusta.

Ao mesmo tempo, a série mostra os limites dessa evolução. Em 2012, 80% dos entrevistados não haviam participado recentemente de nenhuma atividade em prol do meio ambiente em casa, no trabalho ou na comunidade. Apenas 1% declarava filiação a organizações voltadas ao tema. A distância entre informação, simpatia e participação organizada é uma das conclusões mais importantes da trajetória acompanhada por Samyra Crespo: a consciência ambiental cresceu, mas o engajamento permaneceu baixo.

Do dado à interpretação: a pesquisa qualitativa e o ambientalismo complexo-multissetorial

É justamente nesse ponto que a pesquisa qualitativa se torna indispensável. Sozinhos, os números mostram mudanças importantes na percepção pública, mas não explicam como a questão ambiental se institucionaliza, se difunde entre setores e se converte em pauta de diferentes atores sociais. A etapa qualitativa do projeto procurou preencher essa lacuna ao entrevistar, em profundidade, representantes de segmentos estratégicos do campo ambiental brasileiro. Mais do que recolher opiniões, ela buscou reconstruir relações, tensões, convergências e disputas em torno da nova centralidade da questão ecológica.

O conceito que melhor organiza essa leitura é o de ambientalismo complexo-multissetorial. Ele permite reconhecer, primeiro, que a questão ambiental não pode ser reduzida a um problema técnico ou naturalista; envolve simultaneamente dimensões ecológicas, econômicas, urbanas, sociais, científicas e políticas. Em segundo lugar, permite compreender que essa complexidade se traduz, no plano social, pela presença de múltiplos atores com repertórios distintos, que passam a se relacionar, cooperar ou disputar a definição legítima dos problemas ambientais.

A pesquisa qualitativa de Crespo é especialmente valiosa porque transforma essa hipótese em observação empírica. Ao entrevistar empresários, cientistas, técnicos governamentais, movimentos sociais, políticos e ambientalistas, o estudo mostra que o ambientalismo brasileiro não é um bloco homogêneo, mas um campo heterogêneo e relacional. Alguns setores aparecem mais fortemente comprometidos com a agenda ecológica; outros surgem apenas parcialmente “ambientalizados”, incorporando o tema por razões institucionais, econômicas ou estratégicas. O importante é que, juntos, esses atores compõem uma rede de relações que redefine a própria estrutura do ambientalismo.

Essa leitura ajuda a explicar por que a consciência ambiental medida nas surveys não se converte automaticamente em ação coletiva. O ambientalismo não depende apenas de valores difusos da opinião pública, mas de formas de articulação entre ciência, política, administração pública, movimentos sociais, comunicação e associativismo. A pesquisa qualitativa revela exatamente esse nível intermediário entre a opinião individual e a política pública: o espaço em que atores diversos traduzem preocupações ambientais em agendas, conflitos, instituições e práticas.

Ela também permite perceber que a ampliação da consciência ambiental no Brasil não foi linear nem homogênea. O avanço do tema na esfera pública ocorreu por meio de disputas de sentido: entre conservação e desenvolvimento, entre proteção e exploração, entre interpretação técnica e reivindicação popular, entre compromisso normativo e uso instrumental da pauta verde. Ao reconstruir essas tensões, a etapa qualitativa oferece um retrato muito mais complexo do campo ambiental do que qualquer leitura baseada apenas em percentuais agregados.

Uma série que continua a iluminar o presente

Reler hoje a série coordenada por Samyra Crespo é importante por pelo menos duas razões. A primeira é empírica: poucas iniciativas no Brasil produziram uma linha de tempo tão longa e comparável sobre a formação da consciência ambiental da população. A segunda é teórica: a pesquisa não apenas mediu mudanças de opinião, mas ajudou a consolidar uma leitura do ambientalismo brasileiro como fenômeno plural, relacional e multissetorial, em diálogo com a contribuição analítica de Eduardo Viola.

Os resultados quantitativos mostram um país em que o meio ambiente deixou de ser tema lateral, tornou-se mais visível no repertório social e passou a ser associado a problemas concretos da vida cotidiana, como desmatamento, água, lixo, poluição e qualidade urbana. Mas mostram também que informação e adesão normativa não bastam: a participação organizada continua baixa, e a transformação da consciência em ação depende de mediações institucionais, redes de atores e capacidade de tradução política.

É exatamente nesse ponto que a etapa qualitativa mantém toda a sua atualidade. Ao interpretar o campo ambiental brasileiro por meio da ideia de ambientalismo complexo-multissetorial, ela permite entender que a questão ecológica é, ao mesmo tempo, tema de opinião pública e processo de reorganização da vida social. Essa talvez seja a lição mais duradoura da série: compreender o que o brasileiro pensa sobre o meio ambiente exige olhar não apenas para as respostas dadas em questionários, mas também para os atores, instituições e redes que transformam essas percepções em conflito, ação e política.

A emergência climática na percepção dos brasileiros hoje

Se a série coordenada por Samyra Crespo foi decisiva para acompanhar a formação da consciência ambiental entre 1992 e 2012, os levantamentos mais recentes sugerem um deslocamento importante: o eixo da percepção pública passou a incluir, de modo muito mais direto, a mudança climática e seus eventos extremos. Em vez de uma preocupação predominantemente abstrata com desmatamento, poluição ou preservação, cresce a percepção de que o aquecimento global já interfere concretamente na vida cotidiana por meio de ondas de calor, secas, enchentes, chuvas intensas e queimadas.

Uma pesquisa Datafolha divulgada em 2024 mostrou que 97% dos brasileiros dizem perceber mudanças climáticas no dia a dia, e 77% afirmaram ter experimentado algum evento extremo nas semanas anteriores ao levantamento. Entre esses eventos, apareceram com destaque calor intenso, chuvas muito fortes, seca e enchentes, o que sugere que a crise climática deixou de ser tema distante para se tornar experiência vivida por grande parte da população. Em outra pesquisa de 2024, feita pelo IPEC para o Instituto Clima e Sociedade, 7 em cada 10 brasileiros disseram já ter sido impactados por eventos climáticos extremos, e 98% declararam preocupação com a ocorrência de pelo menos um novo evento.

Esses dados indicam uma inflexão importante em relação à série de Crespo. Nos anos 1990 e 2000, o avanço da consciência ambiental se expressava sobretudo no aumento da capacidade de identificar problemas ecológicos e na ampliação da legitimidade cultural da agenda ambiental. Agora, a percepção pública parece mais marcada por experiências diretas de vulnerabilidade climática. A grande seca na Amazônia e no Pantanal, as enchentes catastróficas no Rio Grande do Sul e as ondas de calor de 2024 reforçaram a sensação de que a “era dos extremos” já chegou ao Brasil.

Outro dado relevante é que a maioria da população aceita a explicação de que as mudanças climáticas decorrem principalmente da ação humana. Pesquisas recentes mostram percentuais próximos de três quartos dos entrevistados atribuindo o aquecimento global à atividade humana, e pouco mais da metade o percebe como risco imediato. Ao mesmo tempo, aparece uma pequena mas significativa expansão dos que minimizam o problema: entre 2024 e 2025, cresceu a parcela dos que dizem não ver risco nas mudanças climáticas. O quadro atual, portanto, combina percepção quase generalizada dos efeitos, medo concreto de eventos extremos e alguma fadiga ou resistência diante da gravidade do tema.

Como a população diferencia os governos na área ambiental

Esse novo patamar de percepção climática influencia também a forma como a população enxerga os governos. A comparação entre Bolsonaro e Lula, na área ambiental, tende a ser percebida menos como disputa abstrata de programas e mais como contraste entre desmonte e reconstrução institucional. Durante o governo Bolsonaro, pesquisas de opinião já mostravam avaliação fortemente negativa do presidente no combate ao desmatamento. Em levantamento Datafolha de 2020, 46% consideravam ruim ou péssimo o desempenho presidencial nessa área, o pior resultado entre os atores avaliados. Além disso, levantamentos feitos com apoio de organizações ambientalistas indicavam forte descompasso entre preferências sociais e ação governamental. Pesquisas mostravam ampla maioria favorável à proteção da Amazônia e à ideia de que o país poderia se desenvolver sem ampliar o desmatamento, ao mesmo tempo em que o governo Bolsonaro era percebido como responsável pelo enfraquecimento do controle ambiental e pela piora da imagem externa do Brasil. Reportagens e análises da época associaram esse período ao enfraquecimento de órgãos como Ibama e ICMBio, à paralisação do Fundo Amazônia e ao aumento do desmatamento e das queimadas. Com a volta de Lula em 2023, a percepção dominante passou a ser de reversão de rota, ainda que não isenta de críticas. O novo governo associou sua imagem à retomada do PPCDAm, à reativação do Fundo Amazônia, ao fortalecimento do Ministério do Meio Ambiente e à meta de desmatamento zero, buscando reconstruir a legitimidade ambiental do Estado brasileiro. Dados divulgados em 2026 sobre os alertas de desmatamento na Amazônia reforçaram essa percepção, ao apontarem queda expressiva em relação aos anos anteriores e o menor nível em aproximadamente uma década. Mesmo assim, a percepção pública não é de solução plena. Parte da sociedade e de especialistas reconhece a diferença em relação ao período Bolsonaro, mas avalia que os avanços ainda são insuficientes diante da escala da crise climática e das contradições do próprio governo em temas como infraestrutura, energia fóssil e acomodação de interesses do agronegócio. Em termos de opinião pública, pode-se dizer que Bolsonaro ficou associado, para grande parte da população, à deterioração da política ambiental, enquanto Lula aparece como tentativa de reconstrução e retomada de capacidade estatal, embora sob forte pressão para transformar discurso em resultados duradouros.

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