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Instituto de Pesca destaca pesquisas sobre microplásticos nos ambientes aquáticos

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Lúcia Chayb Diretora eco21.eco.br @eco21_oficial @luciachayb luciachayb@gmail.com Por trinta anos foi a jornalista responsável pela revista ECO21 (1990/2020)

Por Andressa Claudino | Colaboração: Katharina Eichbaum Esteves

Desde o final da Segunda Guerra Mundial, a produção de plástico cresceu rapidamente. Com isso, cada vez mais resíduos plásticos passaram a se acumular no meio ambiente. Atualmente, são produzidas cerca de 400 milhões de toneladas de plástico por ano e, como grande parte desse material não é destinada corretamente, pode acumular-se na natureza, o que torna importante compreender sua presença, transformação e impactos ambientais.
 

Pesquisas desenvolvidas pelo Instituto de Pesca (IP-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, contribuem para ampliar o conhecimento sobre a presença e os efeitos dos microplásticos nos ambientes aquáticos.

Entre os diferentes tipos de poluição, os microplásticos têm recebido atenção crescente da comunidade científica. São pequenas partículas de plástico, com menos de 5 milímetros, que, por serem muito pequenas, podem se espalhar facilmente pelo ambiente e interagir com organismos e outros componentes dos ecossistemas. Estudos sobre microplásticos têm sido desenvolvidos principalmente no ambiente marinho e, mais recentemente, em ambientes de água doce.
 

Como os microplásticos chegam à água?
 

As principais rotas de entrada para os corpos hídricos incluem efluentes domésticos e industriais, escoamento superficial, atividades antrópicas diretas e transporte atmosférico.
 

Uma vez nos sistemas aquáticos, os microplásticos distribuem-se por toda a coluna d’água, desde a superfície até o sedimento, e podem sofrer transformações físicas, químicas e biológicas ao longo do tempo. Os microrganismos, como bactérias e fungos, podem colonizar essas partículas e participar de processos de degradação de alguns de seus componentes.
 

No Brasil, estudos registram a presença de microplásticos em diferentes bacias hidrográficas. Na bacia do Rio dos Sinos, no Rio Grande do Sul, por exemplo, foram reportados valores de aproximadamente 330 microplásticos por litro em águas superficiais, enquanto o Rio Amazonas também figura em levantamentos internacionais sobre o transporte de resíduos plásticos por sistemas fluviais.
 

Efeitos investigados em peixes
 

Diferentes estudos têm buscado compreender como a fauna aquática responde à presença de microplásticos, considerando possíveis efeitos físicos, bioquímicos, comportamentais e ecotoxicológicos a longo prazo.
 

Nos peixes, a ingestão de microplásticos, seja por serem confundidos com alimento ou de forma acidental, é uma das interações investigadas e pode estar associada a irritações no sistema digestivo e a alterações no comportamento alimentar. “Como o plástico não possui valor nutricional, seu acúmulo também pode dar ao peixe uma falsa sensação de saciedade, fazendo com que ele coma menos e receba menos nutrientes”, explica Katharina Eichbaum Esteves, pesquisadora do IP e coordenadora de projetos desenvolvidos pela instituição sobre o tema.
 

Além da ingestão, outras pesquisas têm investigado as interações dessas partículas com as brânquias e sua possível influência sobre a respiração, bem como o papel dos microplásticos como vetores de substâncias presentes no ambiente aquático, incluindo metais, agroquímicos e outros poluentes, além dos aditivos associados à própria formulação dos plásticos. Esses estudos contribuem para uma compreensão mais precisa das condições em que essas interações podem favorecer a exposição e representar riscos aos organismos aquáticos.
 

Os estudos não apenas ampliam o conhecimento sobre a ocorrência e os efeitos dos microplásticos, mas também contribuem para orientar estratégias de prevenção da poluição por plásticos. Recuperar rios e áreas degradadas, preservar as matas ciliares, melhorar a coleta de lixo e o saneamento, conscientizar a população e investir em pesquisa e monitoramento são fundamentais para criar medidas de prevenção e políticas públicas mais eficientes.
 

Pesquisa e soluções
 

É neste contexto que se insere o Centro de Engenharia da Plasticultura (CEP), do qual o IP faz parte, que articula pesquisa científica e desenvolvimento tecnológico para tornar o uso de materiais plásticos mais eficiente, sustentável e circular.
 

O CEP reúne especialistas de diferentes áreas e desenvolve pesquisas relacionadas à aquicultura, ciência de polímeros, reciclagem, economia circular e logística reversa. Entre as frentes de trabalho estão o desenvolvimento, a modificação e a validação de materiais, a avaliação de desempenho em diferentes culturas e aplicações e o estudo de estratégias de recuperação, reciclagem e retorno dos materiais após o uso.

Ao integrar conhecimento sobre materiais, sistemas produtivos e gestão de resíduos, o Centro busca transformar evidências científicas em soluções aplicáveis, contribuindo para o uso mais eficiente dos plásticos e para modelos produtivos mais circulares. Essa atuação complementa as pesquisas sobre microplásticos ao aproximar o conhecimento ambiental do desenvolvimento de materiais, práticas e estratégias de circularidade capazes de reduzir perdas para o ambiente sem abrir mão dos benefícios técnicos dos plásticos.

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