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Incêndios e garimpo ilegal na Amazônia mancham reputação brasileira na Estocolmo+50

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Márcia Régis | Redação Eco21 |

A Semana do Meio Ambiente inicia com a celebração de um marco histórico do ambientalismo: 50 anos da Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento e Meio Ambiente Humano, que aconteceu em junho de 1972 em Estocolmo. 

A celebração vem na forma da conferência intergovernamental Estocolmo+50, que as Nações Unidas sediam na capital sueca dias 2 e 3 de junho. São aguardados líderes e representantes de governos, empresas, organizações internacionais e organizações da sociedade civil.

Seguindo o habitual desprezo pela pauta ambiental, o presidente Jair Bolsonaro não estará entre os chefes de Estado presentes. O Brasil deverá ser representado pelo ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, e a secretária de Amazônia e Serviços Ambientais, Marta Lisli Giannichi.

Em 1972, a Conferência colocou na pauta mundial a agenda de ações para o enfrentamento de muitos dos desafios ambientais que enfrentamos hoje, um deles a mudança climática. Teceu a aproximação de países em desenvolvimento com as nações industrializadas a partir do conceito do desenvolvimento sustentável. O conceito norteou a pauta principal da Eco-92, realizada na capital carioca, exatos 20 anos depois. 

Mas, o Brasil não chega na Estocolmo+50 trazendo exatamente a imagem conciliatória dos anos 90, período da redemocratização do país. 

O Brasil de Bolsonaro é alvo de críticas por violações dos direitos humanos e de indicadores ambientais e sociais bastante negativos, fruto do desmonte de políticas públicas ambientais construídas ao longo dos últimos 30 anos.  

Os incêndios na Amazônia, predominantemente executados para fins de limpeza da mata para a extensão de áreas para pasto ou plantio, tratados com vista grossa pelo governo federal, pioram a resiliência da floresta a cada dia. 

Um estudo publicado em março deste ano pela Universidade de Exeter (UK) indica que mais de 3/4 da floresta amazônica brasileira perde resiliência desde o começo dos anos 2000. 

A resiliência é perdida mais rapidamente em regiões onde chove menos e naquelas próximas às atividades humanas. As evidências do estudo demonstram que a perda contínua da resiliência “é um risco de morte para a floresta, um processo com profundo impacto na biodiversidade, estoque de carbono e mudança do clima em esfera global”. 

E as imagens das consequências do garimpo ilegal na Amazônia já correm o mundo e, especialmente, as páginas de turismo. São as águas vermelhas pelo acúmulo de mercúrio das águas do rio Tapajós que destroem agora, lentamente, o glamour da vila de Alter do Chão, considerada o Caribe brasileiro. Veja o vídeo enviado por um ribeirinho para a redação da Eco21, nessa manhã de 02 de junho.

Contaminação por mercúrio no Rio Tapajós

Na reportagem especial da DW Brasil sobre a Estocolmo+50, o advogado e notório ambientalista Fabio Feldmann  declara que “o Brasil perdeu credibilidade, está numa posição defensiva. Não é uma questão ideológica, é uma questão de número. Não tem como negar o aumento do desmatamento, estimulado tacitamente pelo governo, e o desrespeito aos direitos indígenas.”

Acompanhe a programação da Estocolmo+50: site oficial

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