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ENTRE AMEAÇAS E RETR0CESSOS, HÁ ALGUMA COISA A CELEBRAR?

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Lúcia Chayb Diretora eco21.eco.br @eco21_oficial @luciachayb luciachayb@gmail.com Por trinta anos foi a jornalista responsável pela revista ECO21 (1990/2020)

por Samyra Crespo

A Semana do Meio Ambiente impõe aos militantes e aos cidadãos desassossegados a tarefa de fazer contas, avaliar sucessos e insucessos na ação. É de lei e eu me encaixo na definição acima.

Eu aqui, só pensando o que escrever na Semana do Meio Ambiente que não seja redundante, patético ou apocalíptico… sobre os PL DA DEVASTAÇÃO no Congresso? Sobre o que foi açodadamente aprovado e que atropela a opinião pública? O que é enveredar pelo caminho da irresponsabilidade e do cenário quanto pior melhor?

Sugestões são bem vindas! E elas sempre abundantes entre os românticos, os otimistas e entre aqueles que não desanimam nunca. Rezo por eles. Quero ser como eles.

Confesso, meio envergonhada que ando sofrendo de um tipo de exaustão que acontece quando se vê tanto furor, tanta disposição de autoridades e empreendedores, acionistas de plantão, amantes dos ilícitos, ávidos por acumular ganhos espúrios à custa de maior predação. Toda essa energia cinzenta de ratos e predadores suga a nossa disposição. 

Ao mesmo tempo, desviando os olhos e fazendo-os buscar a excelência das práticas conservacionistas, que não cansam de evoluir e melhorar, há tanta coisa boa acontecendo, como por exemplo os programas brasileiros de conservação da onça pintada… toda hora ganhando prêmio, vendo as onças se multiplicarem, um fato incrível! Comovente. Sem falar no sucesso na conservação de tartarugas, aves, macaco muriqui, e até de corais!

Sim, um programa exitoso de cientistas da UFRJ acaba de criar ”in vitro” embriões de corais e já podemos ter a expectativa fábula de regeneração dos mesmos. Muito sensíveis ao calor e à  poluição, estima-se que 60% dos corais existentes estão seriamente danificados. 

Outra coisa bonita de se ver é o zelo das RPPN’s, as reservas particulares que formam hoje um corolário de refúgios de fauna, de experiências de recuperação vegetal, do renascer das nascentes.

Com programas incríveis de ecoturismo como o avistamento de pássaros, a educação ambiental escolar, e experiências de agrofloresta as RPPN’s vão desempenhando um papel cada vez mais relevante na conservação e restauração.

Para quem não é familiarizado, a RPPN (Reserva Privada Permanente do do Patrimônio Natural) é uma modalidade de área protegida que não fere o direito de propriedade. Sabe-se que o pouco que resta da Mata Atlântica, por exemplo, está em mãos privadas.  

Precisamos de mais um programa de incentivo ao tombamento privado de áreas naturais.

Este é um movimento que vi nascer há quase três décadas e que agora mostra frutos maduros.

Estive muito envolvida com a S.O.S Mata Atlântica e com a  CI – Conservation International, anos atrás, desenvolvendo uma metodologia que pudesse fornecer indicadores de desempenho das RPPN’s (nos quesitos gestão e na função mor de conservação da natureza).

Naquele momento ajudava-se financeiramente pequenos proprietários a implementar a RPPN, com a delimitação georreferenciada da área e o levantamento de fauna e flora relevantes. 

Lutamos e conseguimos aprovar várias legislações municipais de criação de reservas, antes exclusividade do IBAMA.  E todo o arcabouço de ganhos monetários por serviços ambientais.

Esta é uma seara importante. Salvar o que existe, incentivar a criação de novas áreas permanentes, garantir os corredores verdes e os refúgios de fauna. 

Garantir a sobrevivência dessas áreas, livrando-as do monocultivo, da pastagem e do corte raso de árvores.

E nesta época sazonal de El Nino agravado (a ciência não mente!) precisamos também criar resiliência à  seca, aos incêndios bem como incentivar uma defesa civil que envolva gestores e proprietários, e mais gente treinada.

Uma das coisas mais tristes de se ver – e ouvir – são os ruídos de pavor dos animais quando a mata crepita sob as chamas.

Os seres humanos são avisados por celular, por alarmes e podem fugir de carro. Os animais sucumbem sob dor e desespero, queimados vivos.

Final do outono, a temporada de secas está a caminho…

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