É urgente cortar as emissões e garantir financiamento público
Transição energética justa e o afastamento dos combustíveis fósseis, zerar o desmatamento e a degradação até 2030, operacionalizar a meta global de adaptação e financiamento climático público de qualidade estão entre as demandas da organização na Turquia.
Começa, no próximo dia 09, a 31ª Conferência do Clima das Nações Unidas em Antalya, na Turquia. A COP31 terá como pano de fundo um ano com temperaturas globais que atingiram marcas históricas, marcado por impactos devastadores do surgimento de um “super” El Niño, e com alerta de que o mundo ultrapassou – ainda que temporariamente – a temperatura global de 1,5ºC. Não há dúvidas que é urgente cortar as emissões globais para conter a crise climática.
Portanto, o foco estará em garantir que a COP31 contribua para acelerar a transição justa e o fim do desmatamento até 2030, além de impulsionar o financiamento climático público aos países em desenvolvimento para que estes possam se adaptar.
“Enfrentar a crise climática significa combater os combustíveis fósseis, principalmente, e de forma rápida. Por isso, a COP31 precisa entregar um resultado que avance na transição justa para longe dos combustíveis fósseis, incluindo uma meta de eletrificação pautada em energia renovável e adotando o Mecanismo de Transição Justa com participação da sociedade civil. Também esperamos que seja recepcionado o Mapa do Caminho global, lançado pelo Brasil, e que a COP31 faça um chamado para que todos os países desenvolvam seus próprios roteiros nacionais para eliminar os combustíveis fósseis”, pontua a especialista em política climática do Greenpeace Brasil, Anna Cárcamo.
“Os países devem avançar com a operacionalização da Meta Global de Adaptação, com participação social e reforçando a justiça climática. Porém, não teremos ações ambiciosas sem dinheiro para financiar a transição justa e a adaptação. Logo, a COP31 deve promover o financiamento de qualidade, principalmente público, por meio de doações e empréstimos altamente favoráveis de países desenvolvidos aos em desenvolvimento, detalhando a meta de triplicar o financiamento para a adaptação alcançada na COP30”, complementa Cárcamo.
São as demandas do Greenpeace para a COP31:
- Adoção de uma meta de eletrificação com base em energias renováveis, alinhada à eliminação justa dos combustíveis fósseis;
- Estabelecimento de um Mecanismo de Transição Justa, que deve ter a finalidade de coordenar esforços globais fragmentados e acelerar o financiamento internacional, o desenvolvimento tecnológico e o apoio à implementação e capacitação para promover uma transição justa nos países, com participação efetiva da sociedade civil;
- Apresentação de Mapas do Caminho nacionais com ações para a transição para longe dos combustíveis fósseis, com os países desenvolvidos começando primeiro e fornecendo apoio aos países em desenvolvimento;
- Adoção do Programa de Trabalho de Financiamento na agenda da COP e avanços concretos no fornecimento de financiamento público de países desenvolvidos aos em desenvolvimento;
- Detalhamento da meta de triplicar o financiamento para a adaptação para pelo menos 120 bilhões de dólares por ano, com transparência e acompanhamento;
- Impulsionamento do financiamento climático público, promovendo fontes inovadoras de financiamento através de tributação ambiental progressiva e medidas baseadas no princípio do poluidor-pagador, e de acordo com o Princípio das responsabilidades comuns porém diferenciadas, como a taxação de empresas poluidoras e super ricos;
- Avanços na operacionalização da Meta Global de Adaptação (GGA), com a seleção de especialistas técnicos para refinar, testar e alinhar indicadores adotados em Belém (COP30), com olhar para justiça climática e participação da sociedade civil;
- Fortalecimento das sinergias entre as convenções do Rio (clima, biodiversidade e desertificação);
- Implementação da meta de zerar desmatamento até 2030 com base no Mapa do Caminho de Florestas e pautada na ciência, com a participação efetiva da sociedade civil, povos indígenas e comunidades tradicionais.
- Incluir o oceano na sinergia entre biodiversidade e clima e bloquear indústrias predatórias nos ambientes costeiros e marinhos. A prioridade oceânica compartilhada pelas Presidências da COP31 oferece uma oportunidade para uma decisão de capa ambiciosa, com medidas para ampliar o financiamento climático destinado à proteção do oceano e à resiliência e adaptação das comunidades costeiras, frear a exploração fóssil no mar e aprovar uma moratória à mineração marinha.
Acesse o documento de demandas completo aqui.

