Competição reúne estudantes, pesquisadores, profissionais e startups para buscar soluções para problemas reais do setor de energia, com dados abertos do Operador Nacional do Sistema Elétrico
Como a inteligência artificial pode ajudar a enfrentar desafios concretos da transição energética? Essa é a questão que move o Hackathon de IA promovido pela Incubadora de Empresas da Coppe/UFRJ e pela Made in Rio, em parceria com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), AWS, Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) e Prefeitura do Rio de Janeiro.
De 25 a 27 de setembro, 12 equipes se instalam no Instituto 12, no Leblon, com três dias para tirar um protótipo do papel. As três vencedoras receberão três tipos de premiações, cada, e as soluções de maior destaque poderão seguir para novas etapas, com possibilidade de participação em programas de aceleração de startups.
O Hackathon IA Coppe & Made in Rio 2026 conta com o patrocínio da OceanPact, Visagio, Taesa, Guanabara, Sebrae, Faperj e da Prefeitura do Rio, por meio da Invest.Rio. São organizações que decidiram investir no Rio como polo de tecnologia e inteligência artificial, e que apostam no talento da cidade.
“Queremos que o hackathon se torne um evento anual no Rio, O talento já está aqui, e nossos patrocinadores também enxergam isso. Nossa expectativa é que, ao fim desses três dias, alguma dessas equipes saia com uma startup de pé”, diz Marcos Chaves gerente executivo da Incubadora da Coppe.
A energia que existe e não chega
Tem vento suficiente no parque eólico. O dia está aberto sobre a usina solar. E, ainda assim, as duas recebem a ordem de reduzir a geração, porque a rede de transmissão não dá conta de escoar o que elas produzem. O setor chama isso de constrained-off, uma forma de curtailment. Na prática, é energia limpa que existe, está disponível e não chega a lugar nenhum.
O ONS registra cada um desses cortes, por usina, por período e por categoria, e publica esse histórico em seu portal de dados abertos. É esse material que as equipes têm em mãos. A pergunta que elas levam para o hackathon é direta: dá para antecipar onde e quando o corte vai acontecer, e o que fazer com essa energia antes que ela se perca?
O segundo desafio olha para o outro lado da conta. Prever quanta energia o país vai consumir nas próximas horas depende de temperatura, clima, atividade econômica e hábitos de consumo. Quando a previsão erra, o sistema paga mais caro e queima mais combustível fóssil para dar conta do pico.
Para atacar o problema, as equipes cruzam os dados do sistema elétrico brasileiro com o ERA5, base atmosférica do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF), que reúne décadas de informações climáticas com resolução horária e cobertura global.
O acesso a esses dados reais é um dos grande diferenciais desse hackathon: as equipes trabalham com a operação real do sistema elétrico brasileiro. Em três dias ninguém resolve o problema. O que se espera são modelos, análises e ferramentas que o setor consiga testar depois.
Da ideia ao protótipo
O hackathon teve fases preliminares. Nos dias 8, 9 e 10 de setembro, os inscritos passaram por três dias de treinamento conduzidos pela Incubadora da Coppe e por especialistas da NVIDIA, AWS, ONS, OceanPact e Taesa. Em seguida, formadas as equipes, foi realizado o ideathon que, de 11 a 13 de setembro, foi dedicado a transformar intuição em proposta estruturada.
Das 25 equipes que entregaram projeto, 12 foram selecionadas. Cada uma reúne três desenvolvedores, um gerente de projeto (scrum master) e um especialista do setor de energia. Foram mais de 530 inscritos no início do processo. Agora, 60 pessoas chegam ao Leblon no dia 25 de setembro, com os dados do ONS já explorados e uma primeira versão do protótipo na mão, para aprimorá-la ao longo dos três dias de competição.
Durante a competição, as equipes contarão com mentorias de especialistas da OceanPact, Visagio, AWS, Taesa, Made in Rio, ONS, Núcleo de Computação Eletrônica (NCE) da UFRJ e Coppe.
Premiação
As três equipes com melhor desempenho serão premiadas em dinheiro: R$ 10 mil para o primeiro lugar, R$ 7 mil para o segundo e R$ 5 mil para o terceiro. As três também recebem US$ 10 mil em créditos da AWS, uma das principais plataformas de computação em nuvem do mundo, e duas semanas de acesso ao Supercomputador Santos Dumont, um dos mais potentes do Brasil, para seguir desenvolvendo as propostas.
Além da premiação, as soluções de maior destaque poderão seguir para novas etapas, com possibilidade de participação em programas de aceleração ou outras iniciativas de continuidade promovidas pela Incubadora de Empresas da Coppe e por parceiros.
“Acreditamos que a próxima grande empresa global de cleantech pode ser construída no Rio, que é a capital de energia e talento da América Latina.”, afirma Luana Helsinger, cofundadora da Made in Rio.
Sobre a Coppe
A Coppe/UFRJ – Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro – é um dos maiores centros de ensino e pesquisa em Engenharia, referência no Brasil e no mundo. Com um amplo parque laboratorial que reúne cerca de 170 instalações modernas e de alto nível, é um dos maiores complexos de laboratórios da América Latina no campo de Engenharia.
Possui um desempenho equiparável aos dos mais importantes centros de ensino e pesquisa do mundo, e conta com cerca de 360 professores doutores em tempo integral e dedicação exclusiva, 2.300 alunos de mestrado e doutorado, 220 pesquisadores de pós-doutorado e mais de 200 funcionários. Trata-se de uma estrutura que tem permitido, ao longo do tempo, à Coppe realizar projetos, que já ultrapassam 16 mil, com empresas públicas e instituições privadas, por meio da Fundação Coppetec.
Constituída em 1994, a Incubadora de Empresas da Coppe é uma das primeiras do Brasil com foco em startups de base tecnológica. Desde sua fundação, gerou mais de 100 empresas com mais de 500 empreendedores apoiados. Levantamento da própria Incubadora revela que, atualmente, essas empresas empregam mais de 3.500 pessoas e possuem um faturamento consolidado de R$ 500 milhões.
Com tudo isso, a Coppe está preparada para fazer frente aos novos desafios em Inteligência Artificial, Soluções Tecnológicas de Baixo Carbono, Energia, Bioeconomia; Economia Azul; Cidades Inteligentes e Engenharia da Saúde.
Sobre a Made in Rio
A Made in Rio é a plataforma que organiza o ecossistema de inteligência artificial do Rio de Janeiro. Realiza o AI Salon Rio, único evento mensal de IA do Brasil, que desde março de 2025 já reuniu mais de 1.500 participantes, entre empresas, investidores, governo, academia e startups. No madeinrio.tech, organiza em um único lugar as oportunidades, os eventos e as vagas de IA da cidade. Sua missão é transformar o Rio na capital de IA da América Latina.

