22.8 C
Rio de Janeiro

Semana do meio ambiente decrescente

Mais lidas

eco21
eco21https://eco21.eco.br
Lúcia Chayb Diretora eco21.eco.br @eco21_oficial @luciachayb luciachayb@gmail.com Por trinta anos foi a jornalista responsável pela revista ECO21 (1990/2020)

por Arthur Soffiati

Ano a ano, o dia e a semana do meio ambiente toram-se datas protocolares festejadas por governos e instituições como se o mundo estivesse, de fato, promovendo mudanças significativas ou mínimas para reverter a crise climática produzida ano a ano pela economia de mercado. De 1972, quando foi instituído o Dia Mundial do Meio Ambiente, na Conferência de Estocolmo, à Conferência Rio-92, Rio+20 e COP-30, além de tantas conferências sobre dimensões da crise ambiental do mundo, como aquecimento global, biodiversidade e outras sobre problemas ambientais em níveis mundial, nacionais, estaduais e municipais, entendeu-se que um dia é pouco para discutir a crise ambiental em diversos âmbitos. Então, foram acrescentados mais seis dias e criada a “Semana do meio ambiente”.

Mas a realidade é que os combustíveis fósseis continuam imperando. A economia mundial ainda depende deles de forma muito perigosa. A guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irá tocou no calcanhar-de-Aquiles. O fechamento total ou parcial do Estreito de Ormuz afetou a economia mundial, mais até mesmo do que a guerra em si. Por que? Pelo estreito de Ormuz passa mais de 1/3 do petróleo mundial. Se essa artéria é obstruída, o sangue negro não corre como devia. É também o que acontece com a guerra entre Rússia e Ucrânia.

Além dos flagelos que as guerras em si afetam as sociedades, elas também causam danos ao ambiente na mais longa guerra de todos os tempos. A guerra iniciada no século XV pela Europa Ocidental em busca de recursos para mover a economia. Essa guerra foi se avolumando no decorrer dos séculos inventando armas cada vez mais potentes, como o uso do carvão mineral, do petróleo, do gás natural, da motosserra, do trator, da dinamite e tantas outras. 

Mas a destruição ambiental não se processa apenas com armas superpotentes. Os países procuram demostrar que se preocupam com o estado do meio ambiente. Eles buscam atender aos alertas dos cientistas e das instituições científicas. A crise ambiental não pode ser mais ser considerada uma possibilidade ou uma probabilidade. Não cabe mais assestar ao defensor do ambiente a pecha de farsante ou defensor subalterno de interesses econômicos escusos. A crise é real. Até mesmo o mais empedernido desenvolvimentista está calado. Ele pode continuar com as mesmas práticas, mas não as traduz mais em palavras pronunciadas publicamente. A exceção fica por conta de Donald Trump, que ainda considera publicamente a crise ambiental como histeria de alguns.

Mas há também aqueles que se empenham no desmonte da legislação ambiental, construída a duras penas por governos do mundo todo. E de uma legislação que ainda não é adequada suficientemente para combater a crise. Exemplo: o esvaziamento progressivo da legislação ambiental do Brasil pela Câmara do Deputados. É forçoso concluir: a maioria dos parlamentares – à direita ou à esquerda – revela-se indiferente ou contrária à defesa da questão ambiental, mas não revela com palavras a sua postura. Desmontam a legislação, afirmando que o desmonte não afetará o meio ambiente. Que estão até contribuindo para melhorar o controle do desmatamento e da poluição. O cinismo é assustador. 

No momento em que o Ministério do Meio Ambiente do Brasil informa que o desmatamento caiu em todos os biomas do Brasil, a Câmara Federal dos Deputados desmonta a legislação ambiental. Indo para o Senado Federal, o desmonte é confirmado. Lá também uma legislação restritiva, que até contribui para a melhoria da produção econômica em termos de qualidade e concorrência, é vista como um obstáculo aos interesses econômicos de senadores e de seus representados. Se o poder executivo veta, o Congresso derruba o veto. O caso para no Supremo Tribunal Federal, se houver pegada constitucional. Mas podemos esperar novos ataques do Congresso.

Enfim, parece uma luta eterna em que o ambiente se degrada ainda mais e coloca a humanidade em situação cada vez pior. Não só no Brasil, mas no mundo. Muitas ações que afetam o ambiente são tomadas o tempo todo contra a Terra que nos sustenta. Até mesmo as viagens espaciais visam buscar na Lua elementos minerais que estão se esgotando aqui.

Então, resta a pergunta: o que festejar de forma otimista?

Notícias relacionadas

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

- Advertisement -spot_img

Últimas notícias