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Custos invisíveis da economia linear chegam a €25,4 tri

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Lúcia Chayb Diretora eco21.eco.br @eco21_oficial @luciachayb luciachayb@gmail.com Por trinta anos foi a jornalista responsável pela revista ECO21 (1990/2020)

PERDA DE 25,4 TRILHÕES DE EUROS POR ANO COM ECONOMIA LINEAR TEM FATORES “INVISÍVEIS” PARA O PIB GLOBAL, ALERTA IBEC.

Circularity Gap Report 2026 aponta que, para cada 3 euros de valor econômico gerado,cerca de 1 euro se perde devido ao uso linear de materiais

Presidente do Instituto Brasileiro de Economia Circular destaca as oportunidades que a transição circular pode gerar no Brasil e no mundo 

O Instituto Brasileiro de Economia Circular (Ibec) alerta que a comunidade internacional está subestimando o custo real do modelo econômico linear porque indicadores tradicionais, como o PIB, não medem fatores como a perda de valor nas cadeias produtivas, o esgotamento de recursos e a geração de resíduos. A informação faz parte do relatório Circularity Gap Report 2026, produzido pela Circle Economy com a Deloitte Netherlands, que aponta que o mundo perde, anualmente, 25,4 trilhões de euros em valor econômico devido ao uso linear de materiais, o que equivale a 31% do PIB global. Isso significa que, para cada 3 euros de valor econômico gerado globalmente, cerca de 1 euro se perde.

O Circularity Gap Report é um estudo anual que investiga os índices de circularidade no mundo desde 2018. Este ano, as organizações responsáveis estimaram, pela primeira vez, a “lacuna de valor” (value gap) existente por conta de práticas lineares, em termos monetários. As economias em todo o mundo dependem fundamentalmente de materiais, mas uma parcela significativa de seu valor é perdida em cada etapa de produção, uso e descarte.

A presidente do Instituto Brasileiro de Economia Circular, Beatriz Luz, enfatiza que este deve ser um dado mais disseminado internacionalmente, para estimular novas contas e perspectivas:

— Ainda nos concentramos muito na ótica do problema, do lixo e da poluição, e focamos em soluções de reciclagem e reintegração de materiais à cadeia produtiva. Isso não está errado, mas temos que expandir a nossa fronteira de análise e posicionar a economia circular pelo o que ela realmente é: economia. Devemos sair de uma perspectiva de “consertar os problemas” para “evitar os problemas”. A essência da circularidade precisa estar na quantificação da geração de valor dos modelos de negócios circulares, no diferencial competitivo, em oportunidades comerciais, em uma régua econômica que traz novas medidas de valor e de retorno — defende a especialista.

Um dos pontos do Circularity Gap Report 2026 destacados pelo Ibec é que o PIB, principal bússola de políticas econômicas no mundo, registra apenas a atividade econômica, e não a retenção ou a perda de valor. Custos como esgotamento de recursos, geração de resíduos, subutilização de ativos, impactos à saúde humana e redução da produtividade do trabalho ainda estão ficando de fora da equação. O resultado é uma cegueira estrutural na tomada de decisões de governos e empresas.

— As perdas são reais, evitáveis e representam uma oportunidade estratégica para desbloquear trilhões em valor econômico, desde que a gente posicione a transição circular como prioridade na tomada de decisão do negócio — enfatiza Luz.

As edições anteriores do Circularity Gap Report já haviam focado no papel dos países e da indústria para posicionar a economia circular como meio de combate às mudanças climáticas, para gerar uma mensagem cada vez mais prática. Em 2024, a taxa de circularidade estimada no mundo caiu para 6,9%, ante a 7,2% estimados em 2023. Ou seja, mesmo com um aumento nos índices de modelos de negócios circulares, a taxa de crescimento de extração de recursos ainda supera os ganhos de eficiência e recuperação de materiais secundários por um fator de 2 a 3. 

Dados do Circularity Gap Report de 2024 indicam posição crítica do Brasil 

O Brasil tem contribuído de modo negativo para as taxas de circularidade globais. O Circularity Gap Report Brasil 2024, último com com recorte específico sobre o país, revela que o país é apenas 1,3% circular. 

— Diante dessa taxa de circularidade, o desafio não é mais o cálculo ou diagnóstico. É implementação, escala e coordenação. Estamos trabalhando para quantificar o potencial da economia circular no Brasil e destravar os desafios de financiamento. Não é só alocar dinheiro para o desenvolvimento tecnológico se a cadeia não está integrada e a indústria comprometida. A tecnologia isolada não traz soluções reais. Só com um engajamento qualificado e facilitado com agentes especializados poderemos chegar à etapa de transformar dados em negócios, informações em políticas públicas e, acima de tudo, teorias em ações concretas. 

O Circularity Gap Report 2026 pode ser acessado através do site

https://dashboard.circularity-gap.world/report/2026/cgr-2026-overview.

Sobre o Ibec

O Instituto Brasileiro de Economia Circular (Ibec) é uma organização da sociedade civil que busca posicionar a economia circular como uma agenda estratégica para o país, a fim de acelerar a transição até 2050. Sua missão é auxiliar o Brasil a adotar princípios circulares em decisões estratégicas, por meio de educação qualificada, engajamento e inovação.

Beatriz Luz é a diretora do Ibec.

O Ibec atua com com capacitação, estudos, diagnósticos e articulação entre diversos setores da indústria. Além disso, promove interações com órgãos governamentais, participando do desenvolvimento de políticas públicas e construindo parcerias para posicionar o Brasil na agenda global de economia circular.

O instituto integra o Fórum Nacional de Economia Circular (FNEC), liderado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

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