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Chuvas históricas deixam mais de 50 mortos e milhares de desabrigados em Minas Gerais

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Lúcia Chayb Diretora eco21.eco.br @eco21_oficial @luciachayb luciachayb@gmail.comPor trinta anos foi a jornalista responsável pela revista ECO21 (1990/2020)

Zona da Mata mineira enfrenta um dos episódios mais graves de chuva extrema dos últimos anos; Juiz de Fora e Ubá concentram os maiores impactos

Minas Gerais viveu, em fevereiro de 2026, um dos episódios de chuva mais intensos de sua história recente. O volume excepcional de precipitação registrado principalmente na Zona da Mata provocou enchentes, deslizamentos e uma tragédia humana que já soma mais de 50 mortos, além de milhares de pessoas desalojadas ou desabrigadas.

De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), diversas cidades mineiras registraram acumulados muito acima da média climatológica para o mês. Em Juiz de Fora, o acumulado entre os dias 22 e 24 de fevereiro ultrapassou 229 milímetros em 48 horas, volume que supera, em poucos dias, a média esperada para todo o período.

Temporal concentrado e colapso urbano

As chuvas mais intensas ocorreram entre a tarde do dia 23 e a madrugada do dia 24. Em questão de horas, ruas se transformaram em rios e bairros inteiros ficaram isolados. O transbordamento do Rio Paraibuna agravou o cenário na região central e em áreas ribeirinhas de Juiz de Fora.

Além da cidade polo da Zona da Mata, o município de Ubá também registrou danos severos, com deslizamentos em áreas de encosta e inundações que atingiram residências e estabelecimentos comerciais.

O relevo acidentado da região e a saturação prévia do solo contribuíram para a ocorrência de deslizamentos. Especialistas apontam que o acumulado já vinha acima da média nas semanas anteriores, o que elevou o risco hidrológico e geotécnico.

Mortes, desaparecidos e deslocamento em massa

Os números oficiais indicam pelo menos 53 mortes confirmadas, além de cerca de 15 pessoas ainda desaparecidas nos dias seguintes ao evento mais crítico. A maior parte das vítimas foi registrada em Juiz de Fora, mas há confirmações também em Ubá e cidades vizinhas.

O impacto social é expressivo:

  • Mais de 3 mil pessoas ficaram desalojadas ou desabrigadas, dependendo de abrigos públicos ou do apoio de familiares;
  • Escolas, ginásios e prédios públicos foram adaptados para acolher as famílias atingidas;
  • Comunidades inteiras enfrentam perdas materiais significativas, com casas interditadas ou destruídas.

A prefeitura de Juiz de Fora decretou estado de calamidade pública, permitindo a liberação de recursos emergenciais e facilitando a atuação de equipes de resgate.

Mobilização emergencial

Equipes da Defesa Civil, do Corpo de Bombeiros e de forças de segurança atuaram nas buscas por desaparecidos e na retirada de moradores de áreas de risco. O governo estadual e o governo federal enviaram reforços logísticos e assistência humanitária.

Além dos danos estruturais, autoridades de saúde emitiram alertas para prevenção de doenças associadas a enchentes, como leptospirose e contaminações por água imprópria.

Evento extremo e alerta climático

Meteorologistas associam o episódio à atuação persistente de sistemas de baixa pressão sobre o Sudeste, combinados à alta umidade atmosférica. A concentração de grandes volumes de chuva em curto intervalo de tempo caracteriza um evento extremo.

Especialistas em clima alertam que episódios desse tipo tendem a se tornar mais frequentes em um contexto de mudanças climáticas, exigindo maior investimento em:

  • Sistemas de alerta precoce;
  • Planejamento urbano e controle da ocupação em áreas de risco;
  • Infraestrutura de drenagem resiliente;
  • Políticas públicas de adaptação climática.

Um alerta para o futuro

A tragédia de fevereiro de 2026 expõe a vulnerabilidade de áreas urbanas densamente ocupadas em regiões montanhosas. Mais do que um desastre natural isolado, o episódio reforça a urgência de integrar planejamento territorial, gestão ambiental e políticas de redução de risco de desastres.

Enquanto as equipes seguem trabalhando na reconstrução e no apoio às famílias atingidas, Minas Gerais contabiliza perdas humanas e materiais que entram para a história recente do estado — e reacendem o debate sobre como preparar cidades brasileiras para eventos extremos cada vez mais intensos.

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