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A MODERNIDADE VIRTUAL

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Lúcia Chayb Diretora eco21.eco.br @eco21_oficial @luciachayb luciachayb@gmail.comPor trinta anos foi a jornalista responsável pela revista ECO21 (1990/2020)

Mauro Guimarães *

REDES SOCIAIS: UM MEIO DE COMUNICAÇÃO OU UM MODO DE VIDA COMO FIM?

A virtualidade é a modernidade dos dias atuais? Esse é um caminho sem volta? As grandes mudanças causadas pela internet são mais positivas ou negativas para a nossa vida social? Quais consequências desta instantaneidade da circulação conectada das informações? Essas, e tantas outras questões, não existiam há 30 anos, quando o mundo ainda era predominantemente analógico! Sem querer ser conclusivo ou determinista, expressarei aqui algumas das minhas muitas preocupações; por exemplo, a relevância das redes sociais nos dias de hoje. 

Conectar, trocar informações, saber do que se passa no mundo são aspectos bem interessantes da rede social como meio de comunicação. Porém, parece-me que ela está deixando de ser um meio de comunicação para se tornar um modo de vida. Passa de um meio para a finalidade na forma de vivermos. Um modo de vida constituído por uma superficial conectividade de relações virtuais, carente de presencialidade, que reforçam a característica disjuntiva estruturante do mundo moderno. Cada vez mais se separa o mundo real do virtual. No real, as crises, incertezas, problemas, desestabilização; no virtual a aparência, o sorriso, belos cenários, o glamour como fuga da realidade. Indivíduos isolados de uma multidão de indivíduos, separados por trás de telas, alienando-se do mundo real na fantasia do mundo virtual. A esquizofrenia da disjunção, cada vez mais presente entre a realidade e virtualidade, ainda agora intensificada exponencialmente pela Inteligência Artificial, vem adoecendo a sociedade moderna. Não há como, numa sociedade adoecida, sermos plenamente sãos. 

O individualismo estrutural da modernidade disjuntiva nos isola em meio a multidões, conectados individualmente, esgarçando em líquidas relações sociais. No mundo fantasioso das redes, onde amizade se manifesta por contatos retribuídos por likes diante dos sorrisos e cenários, nos afastamos da vida real. No mundo real, dificuldades e tristezas são retribuídas e acolhidos em abraços amigos. Estar só num mundo irreal é a antítese do que levou a humanidade, como seres sociais que somos, chegar até aqui de forma coletiva e colaborativa. 

A disjunção que estrutura o modo de vida das redes sociais é o fim dos meios que mantêm a vida em sociedade; é a exacerbação das crises individuais e coletivas que nos ameaçam na contemporaneidade. Ser virtual na modernidade é um caminho sem volta?

ONDE ESTÁ A VIDA NA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL?

Ao constatarmos que não há mais como saber o que é real, devido às criações possíveis via Inteligência Artificial (IA), estamos, de fato, numa perspectiva sombria de colapso da vida social. Onde está o certo? Em quem confiar? Como me posicionar? Porém, precisamos estar atentos de que esse colapso está se dando na realidade virtual das redes sociais, no mundo artificial que tem se tornado o modo de vida cada vez mais dominante para todos nós. A IA não é viva, cria um mundo artificial inumano, sem vida, e nos afasta do mundo real, onde, de fato, está o que sustenta a continuidade da vida!

Mas, para romper com essa esquizofrenia desse mundo artificial paralelo diante do mundo real, acredito que é na vida concreta da presencialidade, do face a face, do abraço de acolhimento, da troca sensível de corpos e espíritos, que a vida se reproduz e o real se estabelece, sem mediações telemáticas e algorítmicas. A virtualidade, tal qual se estrutura o mundo disjuntivo hoje, nos separa da vida e nos degrada como seres naturais que somos, ameaçando a nossa própria existência e a da Natureza como um todo.  Não se deixar dominar pelo artificial do mundo virtual é uma resistência necessária para a saúde mental de cada um de nós e da sociedade. Busquemos a vida real, que se realiza nos bons encontros e interações, numa convivência de bem viver. Nos recusemos, como desobediência cidadã, a viver o mundo artificial como o nosso modo de vida da modernidade virtual. Isso, parece-me, é o que pode semear a continuidade da vida, que só está presente no mundo real!

*Mauro Guimarães é Professor-Pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e Líder do Grupo de Estudos e Pesquisa em Educação Ambiental, Diversidade e Sustentabilidade (GEPEADS/UFRRJ).

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