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Ethos lança documento pelo trabalho decente nas plataformas digitais durante a Conferência Ethos 360°

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O combate às desigualdades brasileiras foi o tema transversal em todos os painéis de debates da Conferência Ethos

Evento, que celebra os 25 anos de atuação do Instituto Ethos, reuniu cerca de 500 pessoas em torno de 17 atividades que ocorreram em três palcos simultâneos.

A primeira Conferência Ethos 360° realizada de forma presencial, depois da pandemia da Covid 19, ocorreu nesta terça-feira, dia 20 de junho, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), e foi pautada principalmente pelos debates em torno do combate às desigualdades brasileiras. Entre as atividades, foi lançada a Carta Compromisso pelo Trabalho Decente nas Plataformas Digitais, documento que visa engajar as empresas em um compromisso robusto com os princípios e diretrizes que possam garantir o trabalho digno.

“Ao longo dos nossos 25 anos de atuação sempre buscamos traduzir os conceitos fundamentais que orientam o trabalho decente”, disse Caio Magri, diretor-presidente do Instituto Ethos. “Estamos lançando um documento que foi consultado. Nós dialogamos com trabalhadores, academia, especialistas e empresas e construímos esse conjunto de princípios, critérios e questões centrais e emergenciais a serem tratadas para que a gente caminhe numa agenda de trabalho decente nas plataformas digitais. Como questões emergenciais, elencamos definição de renda mínima, duração da jornada, descanso semanal, férias, seguridade social, segurança e saúde. Equidade, inclusão, liberdade sindical também são importantes, além do reconhecimento de que é necessária uma revisão do sistema sindical hoje para incluir esses trabalhadores autônomos”, explicou Magri.

A mesa que lançou a Carta Compromisso também contou com a participação de Johnny Borges, Head de Impacto Social do Ifood, Clemente Ganz Lúcio, sociólogo, assessor do Fórum das Centrais Sindicais e Diretor Técnico do DIEESE, e Scarlett Rodrigues, coordenadora de Projetos em Direitos Humanos do Instituto Ethos, como mediadora. Johnny Borges declarou o apoio do Ifood à Carta Compromisso: “O Ifood gera cerca de 730 mil postos de trabalho diretos e indiretos. Queremos discutir esse tema, falar sobre trabalho decente. O processo de plataforma é importante pelo impacto na economia e na relação de trabalho direto e indireto”, disse ele.

A Carta Compromisso pelo Trabalho Decente nas Plataformas Digitais possui cinco pilares centrais que direcionam os compromissos empresariais: Diálogo Social, Condições de Trabalho e Rendimentos Justos, Responsabilidades e Transparência, Comunicação Objetiva e Inclusão Social e Diversidade. Entre os itens, estão pautados o diálogo junto aos trabalhadores independentes sobre rendimentos e horários de trabalho, o estímulo às formas de acesso à previdência e planos de saúde e a promoção de políticas que aperfeiçoem os termos, regras, acordos e condições de uso das plataformas.

Conferência Ethos 360º 2023, no Rio de Janeiro – Foto: Lúcia Chayb / Eco21

Evento celebra 25 anos do Ethos

A Conferência Ethos, que também celebra os 25 anos do Instituto Ethos, reuniu cerca de 500 pessoas em 17 atividades, realizadas simultaneamente em três palcos. Esse foi o primeiro evento de uma série de cinco que serão realizadas em 2023: as outras serão em Belém (PA) e São Paulo (SP), presenciais, e duas edições virtuais.

Na abertura da Conferência, Caio Magri lembrou a missão do Ethos e seus 25 anos de atuação. “Assim como todo o Brasil, o Instituto Ethos passou por momentos difíceis nos últimos três anos, e mantivemos nossas conferências no formato virtual. Hoje retomamos o formato presencial, a primeira atividade pública para comemorar os 25 anos do Instituto Ethos. Escolhemos para esse ano debater e contribuir para o combate às muitas desigualdades brasileiras”, disse ele.

A presidente do Conselho Deliberativo do Ethos, Andréa Álvares, lembrou dos desafios ainda a superar: “Olhando para o papel do Ethos nesses 25 anos de existência, o Instituto foi determinante para o debate da consciência e a gestão sustentável dos negócios. Infelizmente, ainda vemos muita injustiça climática, mas coletivamente iremos resolver”, falou.

No painel “O futuro não será desigual”, Benilda Brito, membro do Conselho Deliberativo do Ethos e também CEO da Mucua Consultoria, falou sobre as perspectivas para o combate às desigualdades que fazem do Brasil uma nação socialmente injusta. “Pensar o futuro é uma ousadia, mas extremamente possível. O princípio da ação afirmativa é tratar de forma desigual aqueles que mais precisam para alcançar a igualdade. Mas isso, no Brasil, ainda não é a realidade. Atualmente, o número de pessoas negras inseridas nas leis de cotas, por exemplo, ainda não se reflete no número de pessoas negras nas grandes empresas”, destacou.

ETHOS SERVIÇOS

Também foram lançados o Ethos Serviços, desenvolvidos para contribuir com a melhoria do desempenho das empresas nessa jornada ASG (Ambiental, Social e de Governança). O Ethos Serviços é uma área recém-criada pelo Instituto, que reúne uma equipe de consultores para o apoio de empresas (associadas ou não ao Ethos) para desenvolverem as competências necessárias para atuar com as práticas ASG. A nova área envolve desde consultoria, diagnóstico, desenvolvimento de estratégias de sustentabilidade e censos de diversidade até plano de ações, monitoramento e mensuração das iniciativas.

“É uma consultoria de forma completa e individualizada para as empresas que almejam avançar e desenvolver as competências necessárias na agenda ASG”, diz Ana Lucia Custódio, diretora-adjunta do Instituto Ethos.

Reforma Tributária 3S

A Conferência dedicou um painel ao debate sobre a “Reforma tributária 3S: Sustentável, solidária e saudável”. O diretor do Ethos, Felipe Saboya, falou sobre a importância para as empresas e para a agenda ASG e detalhou propostas que estão sendo discutidas.

“Na proposta de reforma 3S, defendemos a redução de tributação sobre a folha de pagamento, com aumento da carga incidente sobre renda e riqueza. Para as pequenas empresas, o impacto é a isenção de tributo nos simples. Para as médias, é a redução do IR e de tributos cumulativos. Para as grandes empresas, é a redução dos tributos e sobre a folha de pagamento”, explicou. “Hoje o sistema tributário é um emaranhado de puxadinhos, com isenções e benefícios. A proposta atual

não permite que existam isenções no sistema tributário, mas há uma lista de exceções: zona franca de Manaus, simples nacional etc.”.

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