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A transformação do ESG em compliance para o principal produto brasileiro a ser exportado

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Monica Schimenes | CEO e fundadora da MCM Brand Experience

As grandes empresas ao redor do globo têm abraçado a descarbonização de seus negócios como um tema estratégico. Já no Brasil, a mudança dos setores econômicos para uma economia de baixo carbono é o que vem preenchendo a agenda dos CEOs das grandes empresas e se mostrado um fator decisivo para a sua competitividade nos próximos 10 anos. Mas será que o propósito tem relação com o seu negócio?

Encontrar novos caminhos e soluções que reequilibrem o ecossistema natural é a grande prioridade estratégica e condição para a competitividade das empresas, e o Brasil tem o potencial para liderar essa transformação global em prol da descarbonização e se tornar numa superpotência verde.

Monica Schimenes, CEO e fundadora da MCM Brand Experience

Segundo um estudo realizado pela Embrapa, a agricultura brasileira alimenta cerca de 1 bilhão de pessoas no mundo todo e é responsável por cerca de 10% da produção mundial de trigo, soja, milho, cevada, arroz e carne bovina. Além disso, o Brasil possui a maior floresta tropical do mundo, com um quarto do armazenamento global de carbono, equivalente a 1 bilhão de toneladas de carbono absorvidos por ano. Por outro lado, segundo dados da Global Forest Watch, nós – brasileiros – fomos líderes, em 2021, na perda de florestas tropicais no mundo. Para a mudança desse cenário acontecer, precisamos entender que o Brasil carrega um grande papel social diante do planeta, dessa forma, falar sobre clima não deveria ser um problema, pois essa é a solução.

Aliás, não só falar, mas sim fazer! Em maio, estive presente no evento realizado no edifício-sede da Organização das Nações Unidas, em Nova York, para fomentar a discussão de questões ligadas à agenda ESG. Um dos temas mais falados foi a necessidade que as principais empresas se comprometam e criem um movimento de CEOs engajados em priorizar a agenda sustentável. Outro ponto destaque está em desenvolver um plano de ação que compreenda a importância das iniciativas coletivas com o setor privado, sociedade civil e setor público, com o intuito de incentivar e disseminar as boas-práticas existentes, além de levantar discussões para a criação das soluções que ainda precisam ser desenvolvidas. É preciso entender que nós líderes somos os responsáveis por guiar uma revolução em alguns aspectos da empresa e o papel delas tende a mudar o cenário econômico mundial.

O ESG (Sigla traduzida do inglês para Governança Social e Ambiental) no Brasil ainda é jovem, em comparação com a Europa e países como Canadá e EUA. Embora seja possível ver avanços em muitos setores, ainda temos a sensação de que podemos sonhar mais alto. Mais do que apenas incentivar as práticas, o Brasil precisa ter como core business o ESG. Os polos de energia verde podem nos posicionar, afinal não é assunto só de compliance, para criar uma nova commodity nossas empresas precisam ter maturidade e uma imagem no exterior forte.

Em suma, nós – como um país com o maior número de riquezas naturais – temos a chance de nos colocarmos como o maior produtor de práticas ESG, garantindo ao mundo que saberemos preservar a ampliar nossos recursos naturais. Atualmente, a segurança e estabilidade que o Brasil precisa passar para os investidores no mundo são nossos compromissos com clima, carbono free, matriz energética, desenvolvimento tecnológico e desenvolvimento social. Temos uma natureza a ser poupada e precisamos da credibilidade para captarmos novos recursos econômicos no cenário internacional para essa virada brasileira.

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