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Aprender Conectado chega a 3,5 milhões de estudantes de 28 mil escolas públicas

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Lúcia Chayb Diretora eco21.eco.br @eco21_oficial @luciachayb luciachayb@gmail.com Por trinta anos foi a jornalista responsável pela revista ECO21 (1990/2020)

Conectividade abre caminhos: “Eu sinto um futuro maior para essa escola”

Em uma escola rural de Várzea Grande, em Mato Grosso, estudantes trabalham em uma solução capaz de impactar a vida da comunidade local. Depois de construírem um braço hidráulico no projeto Escolas Criativas, alunos e professor desenvolveram o protótipo que identifica quando o solo da horta precisa de água. A ideia é que, futuramente, a solução possa avançar para detectar pragas e necessidades de nutrientes.

Antes da chegada da conectividade, porém, a realidade da EMEB Elias Domingos era outra: o sinal de telefone era praticamente inexistente, o acesso à internet era precário e computadores chegaram a ficar guardados.

Diferentes escolas, novas possibilidades

A mais de mil quilômetros dali, no extremo oeste de São Paulo, a tecnologia encontrou outro desafio. Na Escola Municipal Sítio São João, em Rosana, o professor Marcos Vinicius dos Santos, de 25 anos, identificou dificuldades de alunos do 3º ano em raciocínio lógico e encontrou nos recursos digitais uma nova maneira de ensinar. Episódios de Cyberchase, animação educativa de matemática produzida pela PBS Kids, passaram a fazer parte das aulas.

Segundo os registros pedagógicos apresentados pela escola, o percentual de estudantes que atingiram a meta de aprendizagem passou de 73% para 100% em um bimestre. Além do desempenho, os estudantes passaram a criar estratégias próprias, perder o medo de errar e confiar mais na própria capacidade de aprender. A iniciativa recebeu o Prêmio de Valorização da Educação 2026, do Instituto Votorantim, com apoio do BNDES.

Em Berilo, no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, conectar as escolas ajudou a encurtar distâncias de outra natureza. Algumas unidades rurais ficam a até 40 quilômetros da Secretaria Municipal de Educação e, durante anos, até questões administrativas podiam exigir deslocamentos. Com a internet, a comunicação tornou-se mais ágil, professores passaram a ter mais acesso a cursos e oportunidades de formação, e estudantes ganharam novas possibilidades de pesquisa e aprendizagem.

Conectados com a própria história

Na Aldeia Água Branca, em Aquidauana, Mato Grosso do Sul, a Escola Municipal Indígena Francisco Farias, que atende 172 estudantes indígenas da educação infantil ao 9º ano, foi beneficiada pelo Aprender Conectado em 2025. A unidade está localizada em uma reserva a 60 quilômetros da cidade e passou a utilizar a conexão tanto nas atividades pedagógicas quanto nas tarefas administrativas.

Como muitos moradores da aldeia não dispõem de boa conectividade, a escola também passou a apoiar universitários da comunidade. Foram, contudo, os próprios estudantes que imaginaram uma nova possibilidade: a criação de um jornal escolar para fortalecer saberes tradicionais. A iniciativa dará espaço à língua Terena, às danças, à culinária e aos mitos do povo. Nesse caso, conectar-se com o mundo tornou-se também uma oportunidade de preservar e contar a própria história.

Muito mais ao norte do país, na Escola Estadual Indígena Irmã Inês Penha, em São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, a internet também mudou a relação dos estudantes com o conhecimento. Depois de mais de dois anos de espera pela conexão, a estudante Angélica Ferreira resume o que mudou: “Eu sinto um futuro maior para essa escola”.

Sobre o Aprender Conectado

Histórias como essas fazem parte do Aprender Conectado, executado pela Entidade Administradora da Conectividade de Escolas (Eace), iniciativa que busca ampliar o acesso à internet de qualidade para uso pedagógico, com foco nas escolas mais isoladas – seja pela distância, seja pela vulnerabilidade social do território, incluindo áreas rurais e comunidades ribeirinhas, indígenas e quilombolas, além de áreas urbanas socialmente vulneráveis.

Atualmente, o Aprender Conectado garante internet de alta velocidade a mais de 28 mil escolas, alcançando mais de 3,5 milhões de estudantes em 3.331 municípios. Os números, que crescem a cada dia, ajudam a mostrar a dimensão do programa, que, ao todo, chegará a 46 mil escolas. Mas é dentro de cada escola que a conectividade ganha significado: quando a tecnologia garante o acesso a possibilidades que antes pareciam inalcançáveis.

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