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Entre cifras e florestas: o leilão da sociobiodiversidade 

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Lúcia Chayb Diretora eco21.eco.br @eco21_oficial @luciachayb luciachayb@gmail.com Por trinta anos foi a jornalista responsável pela revista ECO21 (1990/2020)

Leilão do programa federal amplia presença da sociobioeconomia na agenda climática e econômica

Com recursos voltados à Amazônia, bioindustrialização e turismo sustentável

Rudá

O resultado do 4º leilão do Eco Invest Brasil representa a entrada mais robusta da sociobioeconomia na agenda do sistema financeiro brasileiro. A rodada prevê R$ 1,9 bilhão destinados a iniciativas ligadas à sociobioeconomia nos próximos três anos, além de R$ 2 bilhões voltados à bioindustrialização e R$ 900 milhões para turismo sustentável, incluindo projetos em unidades de conservação e iniciativas comunitárias na Amazônia.

O modelo adotado no leilão também consolidou um movimento inédito no mercado de finanças climáticas ao estabelecer, por meio de portaria, que pelo menos 10% dos investimentos mobilizados pelos bancos participantes sejam direcionados às economias da sociobiodiversidade.

Para o Instituto Conexões Sustentáveis – Conexsus, organização que atua no fortalecimento de negócios comunitários, a medida sinaliza uma mudança relevante na forma como o capital financeiro passa a enxergar cadeias produtivas associadas à floresta em pé.

A avaliação da entidade é de que o resultado do leilão reforça o avanço de uma agenda econômica baseada em bioeconomia, conservação e inclusão produtiva, aproximando o sistema financeiro de territórios historicamente marcados pelo baixo acesso a crédito e investimento estruturado.

“Estamos vendo a sociobioeconomia deixar de ser tratada apenas como agenda socioambiental para ocupar um espaço mais estratégico dentro das políticas de desenvolvimento econômico e financiamento climático. O resultado do leilão ajuda a consolidar esse setor como uma frente concreta de investimento”, afirma Fabíola Zerbini, diretora executiva da Conexsus.

Segundo a organização, o avanço ocorre em um contexto de aumento da demanda por investimentos ligados à construção de uma transição climática justa, impulsionada pelos avanços da COP30 e pelo fortalecimento de políticas públicas, projetos e investimentos privados voltados à sustentabilidade, às finanças verdes e à estruturação de cadeias produtivas de baixo carbono e geração de valor.

O movimento também reflete a crescente pressão internacional por modelos econômicos capazes de combinar competitividade, conservação ambiental, rastreabilidade e inclusão social. A Conexsus avalia, contudo, que o principal desafio será transformar o volume anunciado em acesso efetivo a financiamento para cooperativas, associações, produtores familiares e negócios comunitários da Amazônia e de outros biomas brasileiros.

Para a organização, isso exigirá instrumentos financeiros mais adequados às realidades territoriais, além de modelos de garantia, assistência técnica e intermediação capazes de reduzir barreiras históricas de acesso ao crédito.

O Eco Invest Brasil é uma iniciativa do governo federal voltada à mobilização de capital privado para projetos relacionados à transição ecológica e à economia de baixo carbono. O 4º leilão teve como foco iniciativas ligadas à Amazônia Legal, incluindo bioeconomia, infraestrutura sustentável e cadeias produtivas da sociobiodiversidade.

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