A área ambiental do estado do Rio de Janeiro começa a viver um momento de renovação e esperança. A recente reunião de trabalho com o novo Secretário Estadual do Ambiente do Rio de Janeiro, Rodrigo Mascarenhas, mostrou algo que há muito tempo a sociedade esperava: disposição política para enfrentar problemas históricos com diálogo, firmeza técnica e vontade de avançar.
O encontro foi marcado por um clima extremamente positivo e produtivo. Mais do que ouvir demandas, o secretário demonstrou conhecimento profundo das pautas, sensibilidade em relação às questões sociais e compreensão sobre a urgência ambiental que o estado enfrenta. Em tempos de crise climática, degradação acelerada e pressão sobre os recursos naturais, essa postura faz diferença.

Um dos principais temas discutidos foi a situação dos pescadores da Baía de Sepetiba, que aguardam há anos o pagamento de indenizações já garantidas financeiramente. Existem cerca de R$ 6 milhões depositados há três anos que ainda não chegaram às famílias afetadas. A nova condução da secretaria traz expectativa real de destravar essa questão histórica e garantir justiça para trabalhadores que convivem diariamente com os impactos ambientais sobre a pesca artesanal. A região de Sepetiba há décadas sofre forte pressão ambiental provocada pela expansão urbana, industrial e pela poluição hídrica.
Outro avanço importante envolve o Polo de Gramacho. Recursos para melhorias ambientais e estruturais já existem, mas pendências burocráticas ainda impediam o andamento das ações. O diálogo estabelecido na reunião aponta para um esforço concreto de solução. O tema é estratégico para a recuperação ambiental e para a dignidade das populações que vivem na região.
A fiscalização ambiental também ganhou destaque. Foi reafirmada a importância da lei que proíbe a diluição e o descarte de chorume em estações de tratamento de esgoto sem tratamento prévio adequado. A sinalização da nova gestão é clara: a legislação ambiental precisa ser cumprida com rigor. Essa postura fortalece não apenas o controle ambiental, mas também a credibilidade das instituições responsáveis pela proteção dos recursos naturais.
Outro ponto animador foi o avanço do PreviFogo, proposta voltada à prevenção de incêndios florestais. A articulação entre a Secretaria do Ambiente e o Corpo de Bombeiros deve acelerar a implementação da política, algo essencial diante do aumento das queimadas e dos eventos climáticos extremos observados em todo o país.
A proteção da Mata Atlântica apareceu como prioridade absoluta. Houve posicionamento firme contra a supressão de vegetação em áreas já avançadas de regeneração. Em um estado onde os remanescentes florestais exercem papel fundamental na regulação climática, proteção hídrica e preservação da biodiversidade, impedir retrocessos ambientais tornou-se uma necessidade urgente.
Também merece destaque o compromisso com mais transparência no Fecam e no Fundo da Mata Atlântica. A dificuldade histórica de acesso às informações sobre projetos e investimentos ambientais sempre foi alvo de críticas de pesquisadores, ambientalistas e da sociedade civil. A abertura demonstrada pela nova gestão para ampliar a transparência e fortalecer o controle social representa um passo importante para modernizar a governança ambiental do estado.
O encontro deixou uma impressão clara: existe disposição para construir soluções, fortalecer políticas públicas e recolocar a pauta ambiental em um lugar estratégico dentro do estado do Rio de Janeiro. Em um cenário frequentemente marcado por retrocessos e paralisações, ver uma secretaria aberta ao diálogo e comprometida com resultados concretos renova o otimismo.
O Rio precisa de uma política ambiental forte, transparente e técnica. E os primeiros movimentos da nova gestão indicam que esse caminho pode finalmente estar sendo retomado.



