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A ONU ACABA DE DECLARAR QUE ESTAMOS EM PLENA CRISE GLOBAL DA ÁGUA.

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Lúcia Chayb Diretora eco21.eco.br @eco21_oficial @luciachayb luciachayb@gmail.comPor trinta anos foi a jornalista responsável pela revista ECO21 (1990/2020)

E clama por um novo pacto.

Por Samyra Crespo

Nas grandes cidades já vivemos em racionamento seletivo, e a ameaça de colapsos no sistema de abastecimento já acionam o alerta vermelho, como é o caso de São Paulo (com os reservatórios no nível do ‘volume morto’) e de Teerã, capital do Irã, em que a crise é tal que já foi cogitada a transferência forçada de população.

A água, bem sabidamente vital está se tornando escassa, cara e fator de tensão político-social.

Sem água morremos. Nosso corpo precisa de água para viver e realizar suas funções básicas: nosso organismo desidrata com facilidade e a ausência de água é morte certa.

Levada à condição global, a água não é tão abundante quanto se pensa. 96% dela na superfície do Planeta é imprópria ao consumo e pertence aos mares e aos oceanos.

Os 4% restantes estão desigualmente distribuídos.

Há populações que se veem privadas de água quase permanentemente – como na Africa sub-saariana, que sobrevive precarianente à insuficiência do abastecimento

Há ainda a privação sazonal em boa parte do mundo, aquela que depende da regularidade das estações de chuvas.

Outra informação que nos escapa, é que a maior quantidade de água é consumida na agricultura.

E, à medida que a população mundial cresce, expandimos nossas áreas de cultivo e de criação de animais.

As megacidades, que não são poucas atualmente, e que concentram grande contingente populacional, como NYC, Jacarta, Pequim, Seul, México, São Paulo e Rio de Janeiro, consomem grande quantidade de água. Com dificuldades cada vez maiores de conseguirem a água que precisam no entorno, vão buscar longe, em rios e reservatórios a quilômetros de distância ou explorando aquíferos que serão esgotados.

O estresse das fontes de água para o consumo humano já é tão alto que as Nações Unidas clamam por um pacto global urgente de uso sustentavel da água. Em sua justificativa, afirma com todas as letras que já vivemos um estado permanente de escassez, e que a situação só tende a piorar com as mudanças climáticas em curso.

No detalhe, no zoom, as grandes cidades brasileiras já vivem em estado de ‘escassez seletiva’: bairros são ‘sorteados’ para ficarem sem água alguns dias da semana, outros à noite.

No verão a coisa piora.

Além de estruturalmente escassa, a água passa por regulamentações de uso e o acesso a ela transitou paulatinamente de bem comum para o de produto caro.

O serviço de abastecimento, ou de provimento ‘universal’ de água é cada vez mais oneroso e os estratos mais pobres têm dificuldade de pagá-lo.

Água como bem comum ou negócio, estatal ou privado, virou um debate que na prática significa: qual o melhor sistema para dar a maior e a melhor cobertura na provisão de água?

Não é um debate em vias de conclusão.

O mundo experimenta diversos modelos. Há países que privatizaram o serviço de água e agora voltam atrás. No Brasil há pelo menos duas décadas, a privatização tem sido o modelo a ser seguido.

Na moldura maior, temos que enfrentar como globo, nação ou localidades o fenômeno das mudanças climáticas.

Está em curso uma mudança radical no regime de chuvas, e portanto de produção de água. Isso já afeta tanto os negócios como o conjunto das necessidades coletivas, demandando urgência em novas soluções.

A tecnologia tenta dar algumas. A principal delas é olhar para o mar. Mas a dessalinização tem limites. O que faremos com os crescentes depósitos de sal? Talvez os levemos para Marte…

O reflorestamento e a proteção das matas ciliares são boas iniciativas mas seu resultado não é imediato.

As ‘soluções ilícitas ‘ caminham céleres: o roubo de água, o mercado paralelo de água nas favelas, os ‘gatos’ na rede pública, a bandidagem cobrando mais de quem pode menos.

O quadro é complexo e varia de país para país., mas de uma coisa sabemos: sem água perecemos.

E só o bordão de que se trata de um ‘bem comum’, para se opor à tese da privatização não é suficiente para garantir que teremos água para todos. Limites geográficos e climáticos estão reconfigurando rapidamente a disponibilidade de água em escala global.

E seremos em breve, virando a esquina, 9 bilhões de seres sedentos, sem contar animais e plantas.

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