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Área queimada no Brasil em janeiro é a menor dos últimos dois anos

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Lúcia Chayb Diretora eco21.eco.br @eco21_oficial @luciachayb luciachayb@gmail.comPor trinta anos foi a jornalista responsável pela revista ECO21 (1990/2020)

Dados atualizados do Monitor do Fogo, do MapBiomas, mostram que
a Amazônia continua sendo o bioma mais afetado.

O mês de janeiro registrou queda na área queimada no Brasil em relação ao mesmo período dos dois últimos anos. É o que mostram os dados inéditos da plataforma Monitor do Fogo, do MapBiomas. Com 437 mil hectares queimados, janeiro de 2026 apresentou uma diminuição de 36% na área queimada no país em relação a janeiro de 2025 e de 58% em relação a janeiro de 2024.

De toda a área queimada em janeiro deste ano no país, 66,8% ocorreram em vegetação nativa, sendo a formação campestre a classe de cobertura mais atingida, correspondendo a 35% desse total. Já entre os usos agropecuários, a classe de pastagens se destacou, com 26,3% da área queimada no mês.

Acesse o boletim completo do mês de janeiro aqui.

A AMAZÔNIA SENDO O BIOMA MAIS AFETADO

Mesmo apresentando uma queda de 46% em relação ao mesmo período de 2025, a Amazônia continua sendo o bioma mais afetado pelas queimadas no mês de janeiro dos últimos dois anos e, em 2026, com 337,2 mil hectares queimados, o bioma obteve nove vezes o valor do segundo bioma mais atingido no mês, o Pantanal, que registrou 38 mil hectares de área queimada.

Os estados mais afetados no primeiro mês deste ano foram Roraima (156,9 mil hectares), Maranhão (109 mil hectares) e Pará (67,9 mil hectares). Esses três estados têm a Amazônia como bioma em comum e, juntos, totalizaram 76% da área queimada no país no período.

No estado mais atingido, Roraima, os municípios com maior área queimada em janeiro foram Pacaraima, com 61,8 mil hectares; Normandia, com 42,9 mil hectares; e a capital, Boa Vista, com 18,8 mil hectares afetados.

Embora o mês de janeiro marque o período chuvoso em grande parte do Brasil, o cenário climático em Roraima é o oposto. O estado, único inteiramente localizado acima da Linha do Equador e com um calendário climático distinto do restante do país, atravessa a estiagem, chamado “verão roraimense”, entre dezembro e abril, o que aumenta a vulnerabilidade ao fogo, sobretudo em formações campestres (lavrados) e outras áreas abertas. Assim, o predomínio do fogo na Amazônia em janeiro está diretamente associado a essa sazonalidade invertida, que torna o norte do bioma um ponto crítico de fogo no início do ano, enquanto a maior parte do país se encontra em pleno período úmido”, explica Felipe Martenexen, pesquisador do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) e do MapBiomas Fogo.

AUMENTO NO PANTANAL, NA CAATINGA E NA MATA ATLÂNTICA

Em janeiro deste ano, alguns biomas registraram aumento em relação ao primeiro mês do ano anterior. O Pantanal, por exemplo, apresentou 38 mil hectares de área queimada em 2026, representando um aumento de 323% em relação a janeiro de 2025.

Já o terceiro bioma mais afetado, o Cerrado, com 28,7 mil hectares atingidos pelo fogo, registrou queda de 8% na comparação com o mesmo mês de 2025.

A Caatinga, o quarto bioma mais atingido pelo fogo, com 18,4 mil hectares queimados, apresentou aumento de 203% em relação ao mesmo mês de 2025, quando a área queimada foi de 6 mil hectares. A vegetação nativa do bioma representou 82,8% do total da área queimada em 2026.

Na Mata Atlântica, 14,8 mil hectares foram queimados em janeiro — um aumento de 177% em comparação com janeiro de 2025 — e as áreas de agropecuária representam 95% da área afetada no bioma em 2026. Já no Pampa, a área queimada foi de 59 hectares, registrando diminuição de 98% em relação ao mesmo período do ano passado.

“Embora janeiro de 2026 tenha apresentado uma queda expressiva da área queimada no país como um todo, os aumentos pontuais no Pantanal, na Caatinga e na Mata Atlântica chamam atenção por ocorrerem em um mês que, em geral, registra menos fogo, já que grande parte do Brasil está no período chuvoso” explica Vera Arruda, pesquisadora do IPAM e coordenadora técnica do MapBiomas Fogo. 

Do ponto de vista metodológico, é fundamental esclarecer  que a estimativa de área queimada depende da observabilidade do sensor ao longo do tempo, a qual é fortemente limitada pela cobertura de nuvens, condição típica do período chuvoso/inverno amazônico. Em meses com muita nebulosidade, a disponibilidade de cenas úteis é reduzida, aumentando a chance de subdetecção de cicatrizes, especialmente as menores e/ou de curta persistência temporal.

Sobre o Monitor do Fogo: O Monitor do Fogo é o mapeamento mensal de cicatrizes de fogo para o Brasil, abrangendo o período a partir de 2019, e atualizado mensalmente. Baseado em mosaicos mensais de imagens multiespectrais do satélite Sentinel 2 com resolução espacial de 10 metros e temporal de 5 dias. O Monitor de Fogo revela em tempo quase real a localização e extensão das áreas queimadas, facilitando assim a contabilidade da destruição decorrente do fogo no país. Acesse a plataforma do Monitor do Fogo (https://plataforma.brasil.mapbiomas.org/monitor-do-fogo) e os Boletins Mensais (https://brasil.mapbiomas.org/dados-monitor-mensal-do-fogo/)

Sobre MapBiomas: iniciativa multi-institucional, que envolve universidades, ONGs e empresas de tecnologia, focada em monitorar as transformações na cobertura e no uso da terra no Brasil, para buscar a conservação e o manejo sustentável dos recursos naturais, como forma de combate às mudanças climáticas. Esta plataforma é hoje a mais completa, atualizada e detalhada base de dados espaciais de uso da terra em um país disponível no mundo. Todos os dados, mapas, métodos e códigos do MapBiomas são disponibilizados de forma pública e gratuita no site da iniciativa: mapbiomas.org.

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