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O saber ajudar na visão empresarial

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Wagner Victer – Foto: Valter Campanato

Wagner Victer || Engenheiro, Administrador, ex-Secretário de Estado de Energia, Indústria Naval e do Petróleo, e ex-Conselheiro do CNPE

A crise da COVID-19 fez destacar, em muitas organizações, a importância do conceito de responsabilidade social. Nesse contexto, muitas vezes, pelo chamado “efeito arraste”, casos de sucesso em organizações de qualquer porte se tornam um exemplo para todo o mercado, como postura de visão empresarial.

Tenho recebido consultas informais de amigos que ocupam diversas posições decisórias quanto à forma mais efetiva de contribuir com a sociedade, até porque muitos não haviam ainda consolidado tais práticas em suas organizações com políticas institucionais.

Na área do petróleo, com algumas exceções, se originou a tradição de que essas ações sociais deveriam, majoritariamente, ser derivadas das medidas compensatórias e mitigadoras oriundas de processos de licenciamento de projetos, de multas ou de projetos incentivados, ou seja, sempre feitas para “tapar buraco”, por burocracia ou atendimento a demanda acessória.

Contudo, venho observando que algumas organizações passaram a dar mais atenção a esse processo. Um bom exemplo veio da distribuidora de petróleo ALE, que, no início dessa crise sanitária, contribuiu com a imediata produção de álcool gel 70º para a Rede Pública Estadual e Municipal de Saúde do seu estado-sede, o Rio Grande do Norte. Da mesma forma, com ação exemplar, o Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) participou efetivamente na viabilização de um Hospital de Campanha, no Rio de Janeiro, que foi o primeiro a realmente funcionar em meio à pandemia.

O fato é que ações voltadas à área social, mesmo que de maneira pontual, devem estar entre as ações estratégicas permanentes das organizações de qualquer porte. Também devem ser parte constante dos valores empresariais e pensadas para serem perenes e trazerem o maior retorno à sociedade, em especial à parcela impactada pelas operações da organização.

A metodologia de escolha dessas ações deve ter foco. Sempre que possível, deve-se buscar uma linha de contribuição para combater as reais fragilidades de uma sociedade em áreas como educação, saúde, cultura, esporte e segurança, que têm, de fato, poder transformador – inclusive com reflexos para a própria cultura de organização e seu corpo de funcionários.

A validação dessas políticas pela administração – quer seja por conselhos, quando estes existem, ou pela alta direção – evita a dispersão e estabelece, além de melhor resultado, o alinhamento às melhores práticas de compliance necessárias que evitam a dispersão do foco e seu uso indevido.

Diversas ações tradicionais voltadas à educação, como a implantação e reformas de escolas e seus laboratórios, apoio à qualificação de trabalhadores para sua inserção no mercado de trabalho, bolsas de graduação para jovens carentes, inserção de pessoas com deficiência e contribuição com a formação no ensino básico de disciplinas transversais voltadas a ética e sustentabilidade – como as que são desenvolvidas pela Organização Junior Achievement, em parceria com empresas de petróleo – são todas lacunas com grande necessidade e potencial para desenvolvimento de ações. Nesse campo, existem ações muito interessantes da Shell e da Petrobras, com retorno já consolidado e positivo.

A área de saúde é também bastante ampla, com o potencial para políticas de contribuição ao combate a doenças da infância e para a manutenção da saúde de idosos. O apoio à alimentação saudável, em especial para segmentos carentes, é uma tradição de sucesso no país, onde organizações como “Ação e Cidadania”, do saudoso Betinho, se destacaram nacionalmente, promovendo diversas instituições sérias que derivaram desse movimento.

Na cultura e no esporte, as opções também são diversas e repletas de potencial, inclusive se desenvolvidas em parceria com organizações sérias e tradicionais de ex-atletas ou outras mais modernas de esportes virtuais, como as realizadas pelo AfroReggae, que acabam trazendo, como externalidade adicional, o fortalecimento institucional. Oficialmente, contam com elevado espectro de incentivos fiscais disponíveis nos âmbitos Federal, Estadual e Municipal, reduzindo custos.

As discussões a respeito de tais temas dentro da organização para o estabelecimento de políticas institucionais devem ser participativas, envolvendo o corpo funcional. Além da identificação com ações espontâneas de voluntariado, isso propiciará maior sentimento de pertencimento dos funcionários à organização, que será mais bem vista pela sociedade, não só por seus números, mas por suas atitudes.

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