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Desmatamento na Amazônia caminha para ser o menor da história

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Lúcia Chayb Diretora eco21.eco.br @eco21_oficial @luciachayb luciachayb@gmail.comPor trinta anos foi a jornalista responsável pela revista ECO21 (1990/2020)

Alertas de satélite em tempo real mostram que o desmatamento na Amazônia brasileira continua a cair no início de 2026, com o desmate entre agosto e janeiro atingindo seu nível mais baixo para esse período desde 2014

Nos últimos 12 meses, a perda florestal detectada também caiu para a mínima de 2014, reforçando uma tendência de queda mais ampla que é corroborada por dados anuais oficiais e monitoramento independente. O desmatamento no bioma vizinho, o Cerrado, também apresentou queda.

A Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, atribuiu o declínio ao fortalecimento da fiscalização e à cooperação municipal, afirmando que o Brasil poderá registrar a menor taxa de desmatamento na Amazônia desde o início dos registros, em 1988, se os esforços atuais continuarem.

Embora os dados sejam positivos para defensores da conservação, os dados de satélite de curto prazo podem flutuar sazonalmente, e os resultados de longo prazo dependerão de pressões econômicas, expansão de infraestrutura e riscos climáticos, como secas e incêndios.

Tendências de queda e dados do INPE

Os alertas de satélite mais recentes do Brasil indicam que o desmatamento na Amazônia continuou a cair no início de 2026, estendendo uma tendência de queda que começou após uma forte alta no início da década.

Dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) mostram que foram detectados 1.325 quilômetros quadrados de desmatamento entre 1º de agosto de 2025 — o início do ano oficial de desmatamento do Brasil — e 31 de janeiro de 2026. Isso representa uma queda em relação aos 2.050 quilômetros quadrados do mesmo período do ano anterior e é o menor número para este intervalo desde 2014.

Em um horizonte mais amplo, o cenário é igualmente positivo do ponto de vista da conservação. Os alertas acumulados nos últimos 12 meses totalizaram 3.770 quilômetros quadrados, comparados a 4.245 quilômetros quadrados no mesmo período do ano passado, também o menor nível desde 2014. Esses números vêm do sistema DETER do INPE, que utiliza imagens de satélite em tempo real principalmente para orientar a fiscalização. Embora menos preciso que os levantamentos anuais, o DETER é amplamente considerado um indicador confiável de tendências de curto prazo.

Desmatamento acumulado de 1º de agosto a 31 de janeiro em anos recentes, de acordo com o sistema de alerta DETER do INPE. Imagem por Mongabay.
Dados dos sistemas de detecção DETER, do INPE, e SAD, do Imazon, mostrando o desmatamento na Amazônia Legal. Imagem por Mongabay.

Ações Governamentais e o Cerrado

Em entrevista coletiva na semana passada, a ministra Marina Silva afirmou que o declínio reflete ações governamentais coordenadas. Ela observou que a maioria dos municípios com alto índice de desmatamento aderiu agora a iniciativas federais visando coibir o desmate ilegal.

“Dos 81 municípios com as maiores taxas de desmatamento, 70 já assumiram esse compromisso”, disse ela, referindo-se ao programa União com Municípios, acrescentando que as autoridades estão utilizando recursos do Fundo Amazônia para apoiar a fiscalização e a prevenção.

Se as políticas atuais se mantiverem, Marina Silva sugeriu que o país poderá alcançar um marco histórico: “Há uma expectativa de que cheguemos, em 2026, à menor taxa de desmatamento da série histórica na Amazônia se continuarmos com esses esforços.”

Dados anuais separados reforçam a tendência. O sistema PRODES do INPE, que utiliza imagens de maior resolução para produzir totais anuais oficiais, informou que o desmatamento nos 12 meses terminados em julho de 2025 caiu 11%, para 5.796 quilômetros quadrados, seu nível mais baixo em 11 anos. O monitoramento independente alinha-se amplamente com as descobertas do governo. A organização brasileira sem fins lucrativos Imazon, que opera o sistema de alerta SAD, estimou que a perda florestal no ano encerrado em 31 de dezembro de 2025 atingiu 228 quilômetros quadrados — próximo ao nível mais baixo em seis anos.

De acordo com os dados do DETER, o desmatamento também diminuiu no Cerrado. O desmate lá caiu para 1.905 quilômetros quadrados, abaixo dos 2.025 quilômetros quadrados do ano anterior. Embora tenha menos destaque internacional que a floresta tropical, o Cerrado é um dos ecossistemas de savana mais biodiversos do mundo e uma fonte crítica de água para as principais bacias hidrográficas do Brasil.

Desmatamento anual (1º de agosto a 31 de julho) do INPE, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais do Brasil. O desmatamento é monitorado separadamente da perda florestal causada por incêndios.

Olhando para o futuro

As flutuações de curto prazo nos dados de desmatamento devem ser interpretadas com cautela. Sistemas de satélite como o DETER e o SAD não conseguem enxergar através da cobertura de nuvens, tornando os números mensais voláteis durante a estação chuvosa (aproximadamente de novembro a abril). Como a maior parte do desmatamento em grande escala ocorre nos meses secos, as comparações ano a ano — particularmente sobre um ano completo de desmatamento terminando em 31 de julho — fornecem uma medida mais confiável das tendências subjacentes.

Mesmo assim, a consistência entre múltiplos conjuntos de dados sugere que a fiscalização e as mudanças de política sob a administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva continuam a suprimir o desmate. Se esse progresso poderá ser sustentado dependerá de pressões econômicas, desenvolvimento de infraestrutura e estresses climáticos, como seca e fogo — fatores que moldam cada vez mais o destino da maior floresta tropical do mundo, além do alcance apenas das motosserras.

Desmatamento acumulado de 1º de agosto a 31 de janeiro no Cerrado, de acordo com o sistema de alerta DETER do INPE. Imagem por Mongabay

FONTE: MONGABAY

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