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Iniciativa de seleção genética produz áreas florestais com maior resiliência climática no Sul da Bahia

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Lúcia Chayb Diretora eco21.eco.br @eco21_oficial @luciachayb luciachayb@gmail.comPor trinta anos foi a jornalista responsável pela revista ECO21 (1990/2020)

Na Mata Atlântica, uma estratégia de recuperação ambiental baseada na seleção genética de espécies nativas vem se consolidando como ferramenta para a criação de áreas florestais mais resilientes às mudanças climáticas. Ao unir genética florestal e silvicultura de alto desempenho, a Symbiosis desenvolveu um sistema capaz de formar florestas nativas produtivas e eficientes na captura de carbono.

“Estamos falando de um bioma altamente fragmentado, o que torna cada árvore remanescente ainda mais valiosa. Muitas dessas matrizes são centenárias, sobreviveram ao processo histórico de exploração da Mata Atlântica e carregam uma genética extremamente adaptada”, explica o gerente do viveiro de mudas da Symbiosis, Mickael Mello.

1° Fase de crescimento das mudas no viveiro em área sombreada

Os resultados já são concretos. De acordo com dados da empresa, os plantios clonais oriundos desse processo apresentam ganhos de crescimento de até 50% em comparação a áreas formadas a partir de material não selecionado. Após 13 anos, a área produtiva da empresa chegou a cerca de 800 hectares de florestas plantadas. Em apenas um ano, esse número saltou para mil hectares, e a expectativa é dobrar essa área até o final de 2026. O desempenho superior acelera a formação das florestas e amplia sua capacidade de adaptação a condições ambientais adversas, consolidando a restauração florestal como uma estratégia climática, produtiva e sustentável na Mata Atlântica. 

“O planejamento da coleta e do estoque de sementes precisa ser extremamente preciso para garantir um suprimento contínuo. Como trabalhamos com silvicultura em larga escala, é fundamental sermos assertivos tanto nas coletas quanto nos plantios”, destaca Mickael. A iniciativa parte do mapeamento de árvores em diferentes regiões, como o sul da Bahia, o Espírito Santo e o norte do Rio de Janeiro. A partir desse levantamento, são identificadas matrizes superiores que, após estudos e catalogação, se tornam referência para a coleta de sementes e para o processo de seleção genética das mudas.

“Para classificar uma árvore como matriz superior, a gente observa principalmente o porte, o diâmetro, a altura e sua sanidade. São árvores que se destacam em relação às outras da mesma espécie no mesmo ambiente”, explica. Outro diferencial do modelo adotado pela Symbiosis é a diversidade genética. Os plantios utilizam múltiplas matrizes e diferentes espécies, evitando a homogeneização. Plantios diversos são cientificamente comprovados como mais resilientes às mudanças climáticas, por se aproximarem da dinâmica das florestas naturais. Além disso, árvores que crescem mais rápido e com melhor desempenho no campo capturam e fixam carbono de forma antecipada e mais eficiente — o que significa que os ganhos em madeira também se traduzem em ganhos diretos em carbono.

Mudas de Jequitibá Rosa (Cariniana legalis) em crescimento

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