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Países ricos respondem por 70% da expansão prevista de petróleo e gás até 2035 

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Lúcia Chayb Diretora eco21.eco.br @eco21_oficial @luciachayb luciachayb@gmail.comPor trinta anos foi a jornalista responsável pela revista ECO21 (1990/2020)

Brasil está entre os 10 países com mais projetos de novas extrações de combustíveis fósseis, superando a Arábia SauditaQuatro países do Norte Global — Estados Unidos, Canadá, Noruega e Austrália — são coletivamente responsáveis por quase 70% da nova expansão prevista de petróleo e gás entre 2025 e 2035. O dado é de um relatório divulgado  pela Oil Change International. A organização alerta que essa expansão se soma aos projetos de extração já existentes, que, mesmo sem nenhuma nova ampliação, já seriam suficientes para emitir mais de 3,5 vezes o que resta do orçamento de carbono compatível com 1,5°C.

Se esses quatro países interrompessem seus planos de novas extrações, 32 bilhões de toneladas (Gt) de carbono deixariam de ser lançadas na atmosfera — o equivalente a três vezes as emissões anuais de todas as usinas de carvão do mundo somadas.

Os EUA (58%) e o Canadá (9%) responderiam por dois terços da poluição de carbono resultante dos novos campos de petróleo, gás e poços de fracking previstos até 2035 — o que representa 19% do orçamento global restante de carbono para manter uma chance de 50% de limitar o aquecimento a 1,5°C.

“É revoltante que países com as maiores rendas e a maior responsabilidade histórica pela crise climática estejam planejando uma expansão massiva de petróleo e gás, sem qualquer consideração pelas vidas e meios de subsistência em risco”, afirma Romain Ioualalen, coordenador de políticas globais da Oil Change International.

A análise foi publicada no primeiro dia das negociações climáticas da ONU em Bonn, que marcam a metade do caminho entre a COP29 em Baku e a COP30 em Belém, estabelecendo as bases para os debates diplomáticos que ocorrerão no fim do ano. Apesar da continuidade da expansão fóssil, o tema não está formalmente na agenda das conversas.

COP30 sob pressão

O Brasil, anfitrião das negociações climáticas da ONU em 2025, está entre os 10 países com maior expansão prevista de petróleo e gás até 2035 — com planos que superam os da Arábia Saudita.

Um estudo anterior da OCI mostrou que o Brasil ocupa o terceiro lugar mundial em aprovação de novos projetos de expansão fóssil no ano seguinte ao compromisso da COP28. Essa política de aumento da produção, impulsionada pelo desmonte da legislação de licenciamento ambiental no Congresso, compromete a imagem que o Brasil busca construir como liderança climática global ao sediar a COP30. Ao mesmo tempo, o país simboliza os dilemas enfrentados por economias emergentes com reservas fósseis ao tentar conciliar erradicação da pobreza, industrialização e metas climáticas.

A ausência de avanços na eliminação dos combustíveis fósseis, apesar do compromisso assumido na COP28, reforça a urgência de que a COP30 estabeleça datas equitativas para essa eliminação — começando pelos países ricos.

Na COP28, em 2023, todos os países se comprometeram a promover uma transição equitativa para longe dos combustíveis fósseis. Estudos indicam que os países mais ricos, com maior capacidade, devem eliminar os fósseis antes de 2035 e mobilizar financiamento climático para viabilizar uma transição justa nos países do Sul Global.

Especialistas da Oil Change International estão pedindo que os países avancem além do compromisso amplo da COP28 e adotem cronogramas diferenciados para o fim da produção e uso de fósseis — com países ricos encerrando essa produção até meados da década de 2030 — e enfrentem os obstáculos sistêmicos que impedem os países em desenvolvimento de migrar para energia renovável, incluindo o financiamento.

“Na COP28, todos os países prometeram abandonar os fósseis de forma justa. Mas esse compromisso está sendo ignorado por algumas das nações mais ricas do mundo. Equidade não é uma palavra da moda — é uma condição essencial para acelerar a transição”, defende Ioualalen.

“Enquanto os países ricos não se comprometerem a encerrar a produção e o uso de fósseis e não entregarem financiamento climático em condições justas, os apelos globais por eliminação dos fósseis soarão vazios para os países em desenvolvimento que ainda lutam para alcançar metas de desenvolvimento, acesso à energia e resiliência climática.”

“A COP30 precisa corrigir a rota e entregar um roteiro coletivo com datas equitativas para o fim da produção e do uso de combustíveis fósseis — só assim os compromissos da COP28 começarão a sair do papel”, completa Ioualalen.

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