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Tecnologia amplia produção sustentável de óleos essenciais e transforma realidade de comunidade no Amazonas

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Lúcia Chayb Diretora eco21.eco.br @eco21_oficial @luciachayb luciachayb@gmail.comPor trinta anos foi a jornalista responsável pela revista ECO21 (1990/2020)

Reserva do Uatumã adota tecnologia desenvolvida pela Unidade Embrapii INDT para envase automatizado sem derrubar a floresta

Tecnologia com impacto social. Um equipamento inovador para o envase de óleos essenciais está mudando a vida de centenas de famílias da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Uatumã, localizada nos municípios de Itapiranga e São Sebastião do Uatumã, distante 200 km de Manaus (AM). Com apoio da Embrapii (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial), o projeto Green Harvest ampliou e tornou mais sustentável a extração dos óleos.
 

Usados principalmente pela indústria de cosméticos e perfumaria como fixadores aromáticos, os óleos essenciais também têm aplicações farmacêuticas e são repelentes naturais. A solução tecnológica foi criada pela Unidade Embrapii Instituto de Desenvolvimento Tecnológico (INDT), com recursos da Embrapii e do Programa Prioritário de Bioeconomia da Suframa, coordenado pelo Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam).
 

A iniciativa integra esforços para fortalecer a bioeconomia na região, ao mesmo tempo em que promove alternativas sustentáveis de geração de renda. Até pouco tempo atrás, a extração de óleos da floresta amazônica era feita de forma artesanal e com impactos ambientais significativos, como a derrubada de árvores de pau-rosa para obtenção de matéria-prima. Hoje, os ribeirinhos aprenderam a trabalhar de maneira sustentável, coletando apenas folhas e galhos para a produção dos óleos.
 

Três espécies vegetais são a base da produção: pau-rosa, breu e copaíba. A mudança de práticas extrativistas veio acompanhada de outro avanço: a automação do processo de envase, fundamental para aumentar a produtividade e garantir a qualidade do produto. Antes da instalação do novo equipamento, os comunitários faziam o envase manualmente, com seringas, o que limitava a produção a cerca de 6 litros por hora e gerava muitas perdas. Com a automação, a capacidade saltou para 60 litros por hora, permitindo atender melhor à demanda de mercado e aumentar a renda das famílias locais.
 

Crédito: Laryssa Gaynett

O projeto foi considerado desafiador por envolver a criação de uma linha de envase capaz de lidar com diferentes tipos de óleos e frascos de variados tamanhos, tudo em um único equipamento. A solução permite a troca rápida de componentes como reservatórios, mangueiras e bicos de envase, adaptando-se às características de cada óleo e reduzindo o tempo de envasamento.
 

Além da automação, o projeto incluiu a aquisição de um equipamento para análise de qualidade dos óleos, o que garante que cada lote atenda a padrões mínimos antes de ser comercializado. A equipe técnica da Unidade Embrapii INDT também realizou treinamento com os moradores da comunidade para operação e manutenção dos sistemas. O transporte do equipamento até a comunidade foi outro desafio logístico. Foram mais de cinco horas de estrada, seguidas de cerca de quatro horas de barco, atravessando trechos remotos da floresta amazônica até chegar à miniusina instalada em São Sebastião do Uatumã.
 

Crédito: Laryssa Gaynett

A nova fase da comunidade marca uma virada histórica: além de abandonar práticas predatórias, os moradores agora replantam espécies, como o pau-rosa, antes ameaçado de extinção, para garantir a continuidade da produção de forma sustentável. A chegada da tecnologia melhorou a perspectiva de vida de muitas famílias.

A expectativa é que o novo processo também abra portas para a ampliação de mercados. A startup Inatú Amazônia, parceira na iniciativa, já está em contato com clientes nacionais e internacionais do setor de cosméticos, e avalia lançar novos produtos, como repelentes naturais produzidos com os óleos da floresta. Para a Embrapii, o projeto é um exemplo de como a combinação de ciência, tecnologia e inovação pode fortalecer o desenvolvimento sustentável na Amazônia.
 

Sobre a Embrapii

A Embrapii é uma organização social qualificada pelo Governo Federal que atua em cooperação com Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs) para atender às demandas de inovação da indústria brasileira. Por meio de recursos não reembolsáveis, apoia projetos de PD&I desenvolvidos em parceria com empresas, reduzindo riscos e custos e acelerando a chegada de novas soluções tecnológicas ao mercado. Atualmente, a rede Embrapii conta com 92 ICTs credenciadas em diversas áreas do conhecimento.
 

Sobre o INDT

O Instituto de Desenvolvimento Tecnológico (INDT) foi fundado em 2001 pela Nokia. Em 2013, passou a atuar como Centro de PD&I da Microsoft, permanecendo até 2016, quando se tornou um instituto independente, mantendo-se como um dos maiores Centros de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação do País. O INDT oferece soluções nas áreas de Software, Hardware & Firmware, Comunicação e Redes, Manufatura Avançada, Veículos Autônomos e Robótica, Materiais e Química e BioTech. É também Unidade Embrapii desde 2017, contribuindo com a inovação industrial, proporcionando recursos e incentivos financeiros para projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) em todo o Brasil. Para saber mais acesse: Link

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