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Maior primata das Américas: Inea registra, pela primeira vez, muriqui-do-sul do Cunhambebe

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Lúcia Chayb Diretora eco21.eco.br @eco21_oficial @luciachayb luciachayb@gmail.comPor trinta anos foi a jornalista responsável pela revista ECO21 (1990/2020)

Presença da espécie, ameaçada criticamente de extinção, reforça a Costa Verde Fluminense como uma região com alta biodiversidade

Pela primeira vez, o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) registrou muriquis-do-sul (Brachyteles arachnoides), espécie de primata criticamente ameaçada de extinção, no Parque Estadual Cunhambebe (PEC), unidade de conservação administrada pelo órgão na Costa Verde Fluminense. Pesquisadores identificaram dois grupos a partir das imagens aéreas, totalizando 36 indivíduos, um importante registro desta espécie ameaçada no Brasil. A descoberta aconteceu graças ao projeto de monitoramento da fauna. que conta com parceria com a Vale.

O registro histórico foi feito durante uma ação de levantamento e foi utilizado um drone equipado com câmera termal. A tecnologia, aliada do conhecimento dos monitores ambientais do parque, foi fundamental para captar as primeiras imagens de muriquis que vivem em áreas escarpadas de difícil acesso.

O muriqui-do-sul está classificado como “Criticamente em Perigo” de extinção e a população total na natureza é estimada em menos de 1.200 animais, de acordo com avaliação da IUCN – União Internacional para a Conservação da Natureza. A confirmação do muriqui na área reforça o papel da unidade de conservação como santuário para espécies ameaçadas e como hotspot biológico, com diversidade de primatas.

– Esse registro inédito representa um avanço significativo nas pesquisas ambientais da região. É um marco para a conservação da biodiversidade fluminense. É muito gratificante ver nossos esforços e políticas ambientais dando resultados positivos e protegendo o nosso patrimônio natural. Ao ampliar a fiscalização e o tamanho da cobertura de mata, estamos construindo condições para o retorno de inúmeras espécies ameaçadas – comemora o secretário de Estado do Ambiente e Sustentabilidade, Bernardo Rossi.

Conhecido por ser um animal incrivelmente pacífico, o muriqui-do-sul tem comportamento silencioso e habita as partes mais altas da floresta, geralmente entre 600 e 1.800 metros de altitude. A dieta rica em frutas e folhas faz do muriqui um “engenheiro da floresta”, pois dispersa sementes de dezenas de espécies arbóreas pelo caminho.

A equipe do Parque Estadual Cunhambebe empenhou esforços contínuos por mais de uma década para registrar, oficialmente, a presença do muriqui-do-sul na região. A injeção de recursos, capacitação técnica e o suporte operacional, em parceria com a Vale no âmbito da Meta Florestal, foram fundamentais para o sucesso desta missão, que resultou em uma grande notícia para a biodiversidade brasileira.

“A descoberta e o registro desses grandes grupos de muriquis-do-sul mostram que estamos no caminho certo. Com a Meta Florestal, adotamos um modelo inovador de parceria entre a gestão pública e a iniciativa privada, ajudando o Brasil a cumprir algumas metas globais previstas no Marco Global e nos ODS”, ressalta Patrícia Daros, diretora de Soluções Baseadas na Natureza da Vale.

Além do suporte às ações de monitoramento, a parceria com a Vale contribui para a proteção ecossistêmica, por meio de atividades de educação ambiental, e pesquisas voltadas à conservação, dentre outras. A descoberta inédita contou com a atuação do pesquisador especialista em primatas Felipe Brandão, do Muriqui Instituto de Biodiversidade, em parceria com o Inea e com apoio da Vale, no âmbito da Meta Florestal da empresa.

“Na literatura científica encontramos, até agora, apenas relatos de que tinham sido encontrados vestígios da espécie no parque, com pouca informação. Registramos os muriquis em duas localidades, distantes entre si, o que sugere a presença de dois grupos. Vamos iniciar um monitoramento aéreo, mais constante dessas localidades, para obter mais informações e dar continuidade ao levantamento em outras áreas. O PEC possui florestas bem preservadas e nossa expectativa é de encontrar mais grupos de muriqui-do-sul na região”, afirma Felipe Brandão, coordenador do Projeto Muriqui Bocaina.

Sobre o parque e novas descobertas
Parque Estadual Cunhambebe (PEC) é o segundo maior parque do estado, abrangendo quase 40 mil hectares de áreas naturais protegidas. Além das ações de proteção ambiental, o PEC se destaca por suas iniciativas consistentes em educação ambiental, promovendo uma aproximação efetiva com as comunidades do entorno e incentivando a pesquisa científica. Essas ações, não apenas fortalecem a conservação da biodiversidade, mas também engajam a sociedade na valorização e preservação dos recursos naturais.

Recentemente, o Inea realizou outros dois registros inéditos no Cunhambebe: o formigueiro-de-cabeça-negra (Formicívora erytronotos), espécie de ave endêmica e criticamente ameaçada de extinção. O Parque também registrou, recentemente, a existência de diversas antas (Tapirus terrestris), que eram dadas como extintas no estado do Rio de Janeiro há 110 anos.

Sobre a Meta Florestal Vale
A Meta Florestal é um compromisso voluntário da Vale com parceiros, que visa proteger e recuperar 500 mil hectares de áreas até 2030, alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. Destes, 400 mil hectares são destinados à proteção de florestas e 100 mil hectares são voltados à recuperação de áreas, por meio de soluções de impacto socioambiental positivo. Essa iniciativa é coordenada pela diretoria de soluções baseadas na natureza.

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