O corte de 71 árvores no terreno do antigo Colégio Bennett, no Flamengo, tornou-se o estopim de uma mobilização mais ampla no Rio de Janeiro. O episódio, que envolveu a derrubada de árvores centenárias protegidas, denúncias de descumprimento do Estudo de Impacto de Vizinhança e falta de transparência na compensação ambiental, expôs um problema que, segundo ambientalistas e associações de moradores, vem se repetindo em todas as regiões da cidade.
Diante do avanço acelerado de empreendimentos urbanos e da perda contínua de áreas verdes, artistas, ambientalistas, técnicos e organizações da sociedade civil lançaram uma Carta Aberta à Prefeitura do Rio de Janeiro, dirigida ao prefeito Eduardo Paes e ao vice-prefeito Eduardo Cavaliere. O documento cobra esclarecimentos objetivos sobre os critérios ambientais adotados pelo município e convoca a população a assiná-lo.
A iniciativa reúne associações de bairro, como a Ama-Gávea, coletivos ambientais e nomes de peso da cultura e da política ambiental brasileira. Entre os apoiadores estão Marisa Monte, Fernanda Torres, Maria Padilha e o ambientalista e ex-ministro Carlos Minc, além do Instituto Vida Livre, ligado ao artista Ney Matogrosso. Para os organizadores, esse apoio amplia a legitimidade do manifesto e reforça seu caráter suprapartidário.
Um déficit verde alarmante
O texto da carta destaca que o Rio de Janeiro possui hoje um déficit superior a um milhão de árvores, sendo mais de 300 mil reconhecidas oficialmente pela própria Secretaria Municipal de Meio Ambiente. Em um cenário de emergência climática, esse número preocupa especialistas, que associam a perda de cobertura vegetal ao aumento das temperaturas, à formação de ilhas de calor, à piora da qualidade do ar e ao crescimento dos riscos de alagamentos e deslizamentos.
“Sem árvores, os impactos recaem diretamente sobre a saúde da população e sobre a segurança da cidade”, alertam os signatários. O documento também chama atenção para o desequilíbrio ecológico que favorece a proliferação de doenças, como a dengue, e para os prejuízos ao bem-estar urbano, ao trânsito e ao turismo.

Falhas no licenciamento e na compensação ambiental
Outro eixo central do manifesto é a crítica à fragilização do licenciamento ambiental urbano. Segundo a carta, há descumprimento recorrente do Estudo de Impacto de Vizinhança, previsto na Lei Orgânica do Município e no Plano Diretor, além de remoções de áreas verdes preservadas e da destruição de árvores protegidas sem justificativas técnicas claras.
A falta de transparência nos processos de compensação ambiental também é alvo de questionamento. Em muitos casos, apontam os autores, árvores são suprimidas sem que o replantio seja devidamente acompanhado, as mudas não recebem manutenção adequada e não há prestação de contas clara sobre o uso dos recursos públicos destinados a essas ações.
Propostas e cobrança de respostas
Mais do que denunciar problemas, a carta apresenta uma agenda concreta de reivindicações. Entre elas estão a exigência sistemática dos Relatórios de Impacto de Vizinhança, o fortalecimento do licenciamento ambiental sob responsabilidade da área ambiental, a divulgação de dados sobre supressão de árvores, a elaboração do inventário de arborização urbana, metas públicas para reduzir o déficit arbóreo e a proteção permanente das áreas verdes municipais.
O documento também pede estudos técnicos sobre a permeabilidade do solo, limites mais rigorosos à ocupação urbana e maior transparência na gestão do Fundo Municipal de Meio Ambiente, com auditorias independentes e prestação de contas periódica.
Mobilização aberta à população
Construída de forma colaborativa por cidadãos de diferentes regiões da cidade, a carta solicita uma resposta formal do prefeito e do vice-prefeito e aposta na mobilização popular como instrumento de pressão democrática. “Assinar o manifesto é uma forma de dizer que o Rio precisa de planejamento, transparência e compromisso real com o futuro”, afirmam os organizadores.
Para eles, preservar a paisagem, a biodiversidade e a qualidade de vida do Rio de Janeiro não é apenas uma pauta ambiental, mas uma questão de saúde pública, justiça social e responsabilidade com as próximas gerações. A convocação está feita: quem defende um Rio mais verde, menos cinza e menos quente é chamado a assinar e fortalecer o manifesto.
VAMOS FORTALECER ESSE MOVIMENTO ASSINE A CARTA VOCÊ TAMBÉM
A gente vem reclamando da destruição da arborização do e surgiu uma iniciativa. Vamos apoiar!



