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WWF: Santa Marta é um marco decisivo na implementação da transição dos combustíveis fósseis

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Lúcia Chayb Diretora eco21.eco.br @eco21_oficial @luciachayb luciachayb@gmail.comPor trinta anos foi a jornalista responsável pela revista ECO21 (1990/2020)

Resultados reforçam e complementam as negociações climáticas da UNFCCC e o Mapa do Caminho da Presidência da COP30, ajudando a reduzir a lacuna entre ambição e ação

Por WWF e WWF-Brasil 

Em um momento em que a cooperação global tem se mostrado frágil, a conferência de Santa Marta – voltada à transição para o fim dos combustíveis fósseis – ofereceu um raro contraponto: países escolhendo o interesse comum em vez da divisão. 

Governos de 56 países demonstraram o que é liderança climática. Em uma coalizão voluntária, o grupo de países se reuniu com milhares de participantes em torno de um único desafio central: a transição para o fim dos combustíveis fósseis, a mais difícil de todas as ações climáticas. Ao fazerem isso, os anfitriões criaram uma oportunidade de substituir o impasse por avanços, reiterando a vontade política de sair do “que precisa acontecer” para “como vamos fazer acontecer juntos”. 

As discussões em Santa Marta destacaram a necessidade urgente de fechar a lacuna global de governança sobre combustíveis fósseis por meio de três frentes de trabalho: (1) elaborando mapas do caminho nacionais e incorporando esses compromissos nos planos dos países; (2) abordando a dependência macroeconômica e a arquitetura financeira; e (3) reequilibrando o comércio e o investimento para viabilizar a descarbonização. 

Um anúncio-chave foi a criação de um painel científico dedicado, reunindo cientistas de clima, da economia e da tecnologia. Eles fornecerão contribuições anuais – até 2035 – para a construção e o fortalecimento de ações relevantes, urgentes e concretas, com o objetivo de orientar recomendações para a elaboração de políticas públicas voltadas ao abandono progressivo dos combustíveis fósseis. O painel também busca ampliar o engajamento de cientistas do Sul Global. 

Manuel Pulgar Vidal, líder global de Clima e Energia do WWF e presidente da COP20, afirmou: “Na COP30, uma vanguarda de países corajosos e ousados deu esperança de que a cooperação em tempos difíceis ainda é possível. Então, eles organizaram uma conferência. E milhares de pessoas e 56 países se reuniram em Santa Marta durante esses dias para enfrentar o mais difícil desafio climático de todos: encerrar nossa dependência dos combustíveis fósseis.” 

“Algo notável aconteceu. A esperança se transformou em impulso. Planos de implementação iniciais foram discutidos. ‘O quê’ virou ‘como’. E uma nova via complementar surgiu.”  

“Além de Santa Marta, a urgência deve continuar sustentando o futuro emergente, no qual o caminho para longe do carvão, do petróleo e do gás se torne realidade para todos. Não será fácil, mas começamos aqui e agora. Trabalhamos juntos para fazer dessa marola uma onda gigante de ação”. 

Fernanda de Carvalho, líder global de políticas climáticas e energéticas do WWF, declarou: “Este é um ano decisivo para a transição para longe dos combustíveis fósseis. As sementes de uma nova iniciativa focada na implementação foram plantadas.” 

“Sabemos bem que existe uma lacuna na entrega das mudanças sistêmicas necessárias para enfrentar efetivamente a mudança climática. Esta conferência marca o início de um processo genuinamente de base – um processo que coloca, desde o início, as vozes das comunidades mais afetadas pela extração e consumo de combustíveis fósseis, junto aos diversos setores envolvidos.” 

“Os resultados de Santa Marta irão reforçar e complementar tanto as negociações climáticas da UNFCCC quanto o Mapa do Caminho da Presidência da COP30, ajudando a reduzir a lacuna entre ambição e ação.”  O WWF celebra a liderança do Sul Global, com a Colômbia coorganizando a conferência com o governo dos Países Baixos. Isso reforça a importância desse tipo de cooperação daqui em diante, com a necessidade de uma transição coordenada. 

Ximena Barrera, diretora de Assuntos Governamentais e Relações Internacionais do WWF Colômbia, disse: “A Colômbia tem demonstrado historicamente uma liderança inovadora e ambiciosa na agenda global de clima e biodiversidade, e agora reforça essa liderança ao co-sediar a Primeira Conferência sobre a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis. Baseado em uma abordagem científica e participativa, este encontro posiciona a Colômbia na linha de frente dos esforços para passar dos compromissos para a implementação.” 

“Como um país megadiverso e produtor de petróleo, gás e carvão – com uma economia historicamente ligada a esses setores – a Colômbia mostra que a transição não pode ser entendida apenas como uma meta de redução de emissões, mas sim como uma agenda abrangente de desenvolvimento que integra justiça social, natureza, segurança energética, diversificação econômica e cooperação internacional.” 

Uma segunda conferência está planejada para 2027, que será coorganizada por Tuvalu e Irlanda, com consultas contínuas entre a coalizão de países, especialistas e partes interessadas até o próximo encontro. 

O WWF continuará apoiando as próximas etapas dessa iniciativa focada na implementação, consistente com sua missão de promover soluções que coloquem as pessoas, a natureza e o planeta no centro da transição. 

Para reforçar a relevância dos resultados de Santa Marta para o contexto brasileiro e destacar o papel do país nesse momento decisivo para a transição energética global, lideranças do WWF-Brasil avaliam os próximos passos necessários para transformar compromissos em implementação concreta e acelerar a construção de um caminho claro para o fim dos combustíveis fósseis: 

Mauricio Voivodic, diretor executivo do WWF-Brasil, destaca: “Santa Marta deixa claro que a transição para o fim dos combustíveis fósseis avançou no terreno da tomada de decisão. Para o Brasil, isso significa abandonar a ambiguidade e definir, com urgência, um Mapa do Caminho com metas, prazos e um ponto de chegada inequívoco: o fim dos combustíveis fósseis. Essa não é uma escolha restrita ao campo da política climática. Trata-se de uma decisão econômica mais inteligente para reduzir riscos, atrair investimentos e posicionar o país como protagonista na economia de baixo carbono.” 

Tatiana Oliveira, líder de estratégia internacional do WWF-Brasil, acrescenta: “O principal legado de Santa Marta é mostrar que a cooperação internacional pode avançar fora dos espaços formais de decisão como a UNFCCC, conectando vontade política, ciência e implementação. Esse movimento fortalece diretamente o processo rumo à próxima COP do Clima e evidencia que não há mais espaço para transições lentas ou incompletas. O que está em jogo agora é a capacidade dos países, incluindo o Brasil, de transformar compromisso em ação coordenada, com justiça social, credibilidade e velocidade compatível com a crise climática.” 

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