Uma corrida contra o tempo para desfazer os danos causados por Trump

Trump em Paris - Foto: Kevin Lamarque


Robert Redford || Ator, Diretor de cinema e Presidente do Natural Resources Defense Council

No início desta semana, Donald Trump notificou as Nações Unidas de sua intenção de retirar a América do esforço climático mais significativo da história, o agora famoso Acordo de Paris. É uma decisão que chocou milhões com sua tolice míope. O fato de ele ter escolhido fazer isso no primeiro dia em que poderia legalmente fazê-lo sob as regras de retirada da ONU, simplesmente revela sua dedicação imoral de nos isolar da comunidade mundial, ignorando deliberadamente a maior e mais urgente ameaça que a civilização humana enfrenta.

Agora começa uma possível contagem regressiva de desengajamento de um ano que poderia se tornar definitiva em 4 de Novembro de 2020 – apenas um dia depois de os estadunidenses decidirem sobre a decisão de deixar Trump mais quatro anos no cargo, ou, pelo contrário, de entregar as rédeas do Governo a alguém melhor (e eu estou torcendo por isso último).

Um recém-empossado futuro presidente, alguém que se preocupe com os Estados Unidos e seu futuro, poderia pedir imediatamente a reentrada ao Acordo de Paris como uma primeira ordem de governo e, após 30 dias, lhe seria permitido ao nosso país se reincorporar por completo, participando membro ativo. Nesse ponto, outros líderes mundiais teriam todo o direito de se preocupar com a profundidade de nossos compromissos. Não devemos nem arriscar a ficar de fora – nem devemos encarar essa realidade horrível.

Tive a honra de estar em Paris em 2015, onde representantes de mais de 170 países forjaram os termos de um Acordo que se tornaria a pedra angular de uma nova abordagem moderna e internacional para combater as mudanças climáticas. Num salão, na Prefeitura de Paris, sentei-me com prefeitos de todo o mundo e os ouvi descrevendo as ações locais que estavam tomando para reduzir as pegadas de carbono de suas cidades – eles não estavam esperando, porque os prefeitos estão mais próximos das pessoas e estão experimentando os efeitos das mudanças climáticas em tempo real: incêndios florestais, inundações e elevação do mar. Eles não podem esperar.

Num momento diferente, sentei-me com as lideranças indígenas de culturas altamente vulneráveis das Ilhas do Pacífico e ouvi suas histórias de devastação. Foi um lembrete de que aqueles que menos contribuíram para a mudança climática são frequente e tragicamente os mais afetados por ela.

Só espero agora que o resto do mundo entenda que o povo estadunidense, incluindo muitos de nossos líderes em nível estadual e local, ainda está engajado na luta contra as mudanças climáticas e ainda está comprometido com os princípios estabelecidos, juntos, quatro anos atrás em Paris.

Em Utah, onde moro a maior parte do ano, os líderes de Salt Lake City lideraram um esforço para se tornar 100% alimentado por energia renovável. Eles se juntaram literalmente a centenas de prefeitos e governadores que fizeram da transição para a energia limpa nos próximos 20 anos sua prioridade.

Não surpreendentemente, muitos desses líderes fizeram da transição para a energia limpa uma peça central de suas campanhas – e foram recompensados pelos eleitores com a vitória. Eu só queria que fosse o suficiente.

Não podemos permitir que a indiferença depravada de um autoritário não qualificado à crise climática defina os compromissos dos estadunidenses ou o caráter de nossa nação. O relógio está soando tão alto que o resto do mundo pode ouvi-lo. Com indignação suficiente, ação suficiente e vozes suficientes ressoando juntas, podemos ter a chance de forçar uma reversão a essa bobagem.

Não tenho certeza se funcionará, mas sei sem dúvida que todos sofreremos se não tentarmos.

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