Setor global de saúde tem grande peso na crise climática

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Crianças de Gana vivem o drama da Malária - Foto: Suprotik Basu


Benn Grover || Jornalista da Health Care Without Harm – HCWH – Bruno Toledo

Relatório inédito calcula a “pegada de carbono” do setor de saúde em todo o mundo e aponta para o alto volume de emissões de gases de efeito estufa em suas atividades.

Se o setor global de saúde e cuidado médico fosse um país, ele seria o 5º maior emissor de Gases de Efeito Estufa do Planeta, de acordo com um novo relatório publicado no dia 10/9 pela organização não-governamental Health Care Without Harm.

De acordo com o Relatório, que realizou o primeiro tipo de contabilização de emissões do setor global de saúde, a “pegada de carbono” relacionada a esses serviços corresponde a 4,4% das emissões globais líquidas – ou 2 giga toneladas de dióxido de carbono equivalente (gtCO2e), equivalente à operação anual de 514 usinas termelétricas a carvão. Mais da metade desse volume se deve à queima de combustíveis fósseis pelo setor.

Gráfico percentual de emissões do setor global de saúde e a “pegada de carbono”

O Relatório defende uma transformação no setor de saúde e cuidado médico para alinhá-lo ao objetivo do Acordo de Paris de limitar o aumento da temperatura global em 1,5°C com relação aos níveis pré-industriais até 2100.

“Ao mesmo tempo em que médicos, enfermeiros e clínicas estão na linha de frente como socorristas dos impactos da mudança do clima, hospitais e sistemas de saúde em geral acabam sendo grandes contribuintes para esse problema”, diz Josh Karliner, diretor internacional de programa e estratégia da Health Care Without Warm e um dos autores do relatório. “O setor de saúde precisa fazer a transição para energias limpas e renováveis e implantar outras estratégias de prevenção primária para atingir emissões zero até 2050. As empresas da área devem intensificar seus esforços e fazer sua parte para evitar mudanças climáticas catastróficas, o que seria devastador para a saúde humana em todo o mundo”.

Hospitais, redes de atendimento e suas cadeias de suprimentos nos Estados Unidos, China e União Europeia compreendem mais da metade das emissões mundiais relacionadas aos serviços de saúde. E, embora tenha uma escala bastante diferente, o setor de saúde de cada país libera direta e indiretamente gases de efeito estufa à medida que presta assistência.

“As instalações do setor de saúde são o coração operacional da prestação de serviço, onde a gente protege a saúde, trata pacientes e salva vidas. Contudo, elas também são uma fonte de emissões de carbono, contribuindo para as mudanças climáticas”, aponta Tedros Adhanom Ghebreyesus, Diretor-Geral da Organização Mundial da Saúde (OMS). “Os espaços de tratamento e cura devem liderar a resolução do problema, e não contribuir para sua ocorrência ou propagação”.

O Relatório pede um roteiro global para cuidados de saúde inteligentes em termos climáticos, a fim de reduzir as emissões, ao mesmo tempo em que cumpre objetivos como a cobertura universal de saúde. Ele também descreve ações imediatas que governos e empresas em todo o mundo podem adotar, incluindo:

– Hospitais e sistemas independentes de saúde devem seguir o exemplo de milhares de clínicas que já estão mudando para modelos inteligentes de saúde em termos de clima, por meio do Desafio Climático de Cuidados de Saúde da Health Care Without Harm, entre outras iniciativas;

– Governos nacionais e subnacionais devem aproveitar as iniciativas existentes para estabelecer planos de ação para descarbonizar seus sistemas de saúde, promover resiliência e melhorar os resultados de saúde; e

– Agências bilaterais de ajuda, bancos multilaterais de desenvolvimento, outras agências de financiamento à saúde e filantropos devem integrar princípios e estratégias inteligentes sobre o clima em suas orientações de ajuda à saúde, empréstimos e políticas para os países em desenvolvimento.

A publicação conclui que a promoção da saúde, a prevenção de doenças, a cobertura universal de saúde e a meta climática global de emissões líquidas zero devem se inter-relacionar.

“O setor de saúde deve se tornar mais inteligente em termos de clima”, defende Gary Cohen, fundador da Health Care Without Harm. “Tanto a justiça climática quanto a equidade na saúde dependem disso”.

Para mais informações sobre o relatório, acesse noharm.org/ClimateFootprintReport.

Sobre a Health Care Without Harm

A ONG Health Care Without Harm trabalha para transformar o setor de saúde em todo o mundo, sem comprometer a segurança e o cuidado com o paciente, de forma a torná-lo mais sustentável em termos ecológicos, e defende a saúde e a justiça ambientais.

Saiba mais em www.noharm.org

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