Projeto Ararinha na Natureza

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Foto: Marcus Romero


Pedro Develey | Diretor Executivo da Save Brasil

A ararinha-azul (Cyanopsitta spixii) é um dos animais mais ameaçados do Planeta e, embora tenha sido sempre considerada rara, devido ao histórico de destruição de seu hábitat e a intensa captura para o comércio ilegal, a espécie tornou-se símbolo mundial da importância de preservação da biodiversidade. O Projeto Ararinha na Natureza é um esforço coletivo que pretende devolver à Caatinga brasileira a ararinha-azul, que foi declarada extinta na natureza após o desaparecimento do último macho da espécie no ano 2000.

O Projeto visa à implementação de algumas ações do Plano de Ação Nacional para a conservação da espécie, e atua em diferentes linhas temáticas como Políticas Públicas, Pesquisa Científica e Educação Ambiental, com o intuito de conservar a caatinga, hábitat da ararinha. O objetivo é criar as condições necessárias para proteger o hábitat natural da ave para que ela possa voltar à natureza.

Até o momento, o principal resultado do Projeto foi a criação de duas Unidades de Conservação em 2018: o Refúgio de Vida Silvestre Ararinha Azul (29.986 ha) e a Área de Proteção Ambiental Ararinha Azul (89.996 ha) em Curaçá e Juazeiro na Bahia. A Sociedade para a Conservação das Aves do Brasil (SAVE Brasil) realizou os estudos que embasaram a criação das unidades de conservação com apoio da Vale. O objetivo principal do Refúgio de Vida Silvestre (REVIS) e da APA é preservar a caatinga para a reintrodução da ararinha-azul, já que a espécie é considerada Extinta na Natureza, ou seja, só existem indivíduos em cativeiro.

Desde 2012, o Projeto Ararinha na Natureza está presente em Curaçá, na Bahia, onde estabeleceu uma sede para o desenvolvimento e acompanhamento das atividades relacionadas ao Projeto realizadas na região.

Principais objetivos

– Implementação de medidas de mitigação dos impactos por empreendimentos desenvolvidos na área onde será realizada a reintrodução da espécie.

– Realização de análise de DNA em toda a população de cativeiro.

– Identificação e análise das áreas de ocorrência histórica da ararinha-azul como potenciais sítios para reintrodução e buscar possíveis populações desconhecidas na natureza.

– Realização de estudos e articulação para a criação de Unidades de Conservação públicas e privadas na área original de ocorrência da espécie.

– Capacitação de agentes de fiscalização de forma integrada com as ações da comunidade local.

– Desenvolvimento de programa de sensibilização e educação ambiental junto ao público local (região de Curaçá, Bahia) tendo a ararinha-azul como espécie bandeira.

O Projeto Ararinha na Natureza é uma parceria entre o ICMBio, a Vale e organizações da sociedade civil sem fins lucrativos, como a SAVE Brasil, e o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), além de mantenedores da ararinha-azul dentro e fora do país, que trabalham para viabilizar a reprodução da espécie: a Association for the Conservation of Threatened Parrots (ACTP), na Alemanha; a Al-Wabra Wildlife Preservation, no Catar; os criadouros Fazenda Cachoeira, Nest e a Fundação Lymington, no Brasil.

Aves extintas

Em Setembro do ano passado, a organização internacional BirdLife anunciou a extinção de oito espécies de aves em todo o mundo, das quais cinco eram do Brasil, entre elas a ararinha-azul. A ararinha ainda pode ser recolocada na natureza, mas as outras quatro aves estão provavelmente perdidas para sempre, já que não foram encontrados mais indivíduos na natureza e não são criadas em cativeiro. Duas delas, nativas da Mata Atlântica nordestina, foram consideradas extintas por causa da destruição de seu hábitat: gritador-do-nordeste (Cichlocolaptes mazarbarnetti) e limpa-folha-do-nordeste (Philydor novaesi). O caburé-de-pernambuco (Glaucidium mooreorum), uma espécie de coruja, foi classificada como possivelmente extinta, também devido à devastação da Mata Atlântica nordestina. A Mata Atlântica do Nordeste é a Mata Atlântica mais deteriorada, a que mais sofreu perdas. Essa extinção nada mais é do que o resultado de anos de desmatamento. Outra espécie também possivelmente extinta, a arara-azul-pequena (Anodorhynchus glaucus), que vivia no Sul do país, chegou a essa situação pelo mesmo motivo que sua parente ararinha-azul: o tráfico ilegal de animais silvestres.

Há ainda espécies que correm grande risco de serem extintas nos próximos anos, como a rolinha-do-planalto (Columbina cyanopis), que e acreditava estar extinta há sete décadas até ser redescoberta em 2015 (hoje existem 12 indivíduos vivendo numa reserva florestal) e o entufado-baiano (Merulaxis stresemanni), que também resiste com poucos indivíduos numa reserva privada em Minas Gerais, mas houve um incêndio nessa reserva e provavelmente alguns desses poucos indivíduos foram perdidos. Já o tietê-de-coroa (Caliptura cristata), que vive na região serrana do Rio de Janeiro, já não é avistado há mais de 20 anos. Tem sido feitas várias buscas por mais indivíduos e ninguém tem achado. Provavelmente esse bicho está lá e ninguém está vendo. Mas, se for achado, deve ter poucos indivíduos.

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