Pesquisa mapeia efeitos da pressão humana sobre espécies de mamíferos na América Latina

Puma concolor no Morro da Igreja Parna de São Joaquim -SC - Foto: Juliano Bogoni


Caio Albuquerque | Jornalista da ESALQ

A perda média foi de 56% das espécies que se tinha nos locais avaliados quando comparado a época da chegada dos colonizadores europeus.

Desde o período do Descobrimento, quando europeus iniciaram o processo de colonização da América, cerca de 56% das espécies de mamíferos desapareceram. Esse é o resultado daquilo que se denomina defaunação, processo causado pela influência humana em territórios naturais.

O estudo, publicado recentemente na Nature Scientific Reports, compilou mais de 1.000 assembleias de mamíferos contemporâneos inventariadas na região neotropical, que compreende o México, a América Central e a América do Sul. “Quantificamos a extensão e a intensidade da defaunação em escala continental e compreender seus determinantes com base em covariáveis ambientais”, conta Juliano Bogoni, Pós-Doc no departamento de Ciências Florestais da ESALQ, autor do estudo, entrevistado do podcast Estação ESALQ (ouça aqui).

Entre os principais resultados, a pesquisa indica que as maiores perdas ocorreram entre os grandes mamíferos. “A defaunação e o esgotamento de espécies de grande porte foram causados principalmente pela pressão da caça e pela área de hábitat remanescente”, complementa Bogoni. Isso resultou em uma queda de 95% na média de massa corporal das espécies que compõe as assembleias no continente, que passaram a ter atualmente 4 kg. “Nossas descobertas podem informar as diretrizes para a concepção de políticas de conservação transnacionais para proteger vertebrados nativos e garantir que a síndrome do ‘ecossistema vazio’ seja impedida de atingir grande parte dos trópicos do novo mundo!, conclui.

Além de Juliano Bogoni, que atualmente desenvolve estudos na University of East Anglia, na Inglaterra, o estudo tem coautoria de Carlos Peres, da Universidade Federal da Paraíba e da professora Katia Ferraz, do Departamento de Ciências Florestais e coordenadora do Laboratório de Ecologia, Manejo e Conservação de Fauna Silvestre (LEMaC) da ESALQ.

O trabalho tem apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e parte dele pode ser acessada em clicando aqui.

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