PÁSSAROS, EU PASSARINHO – ELES PASSARÃO?

Nome popular: Bem-te-vi Nome científico: Pintagus sulfuratus Família: Tiranídeos Ordem:Passeriforme Habitat (distribuição): É ave típica da América Latina, com uma distribuição geográfica que se estende predominantemente do sul do México à Argentina, em uma área estimada em 16.000.000 km². Entretanto, pode também ser encontrado no sul do Texas e na ilha de Trinidad. Foi introduzido nas Bermudas em 1957, importado de Trinidad, e na década de 1970 em Tobago. Nas Bermudas, é a terceira espécie de ave mais comum, podendo atingir densidades populacionais de 8 a 10 pares por hectare.

Samyra Crespo*| Ambientalista e colunista da Eco21

A população de pássaros rareia no mundo – e isso é um problema.

Não bastasse a diminuição dos habitats agrestes, o uso intensivo de agrotóxicos e inseticidas, ainda vamos aos ambientes naturais onde resistem e os caçamos sem dó. 

Quando atuei no Ministério do Meio Ambiente, entre 2008 e 2013, havia campanhas anuais de combate ao tráfico, e ações conjuntas do IBAMA (fiscalização) e ICMBIO (conservação). 

Os chamados “passarinheiros” são cruéis.  Tive a oportunidade de ver, com meus próprios olhos como praticam o ilícito – e com crueldade: identificam uma área abundante em pássaros, especialmente espécies com valor comercial e passam fios com visgo entre as árvores, uma espécie de cola. O animal pousa e fica preso.  

Depois de algumas horas, eles vão “colhendo” os bichinhos presos. Fora os alçapões e outras armadilhas. Vi isso na serra da Bocaina, entre Paraty e Cunha (entre Rio e SP). 

Na época, o guarda florestal da área me disse que cada indivíduo – no caso de um pássaro mais raro – poderia valer entre 80 e 400 reais. 

Coisa de pobre? Não. Quadrilhas bem organizadas atuam nisto e, em alguns casos, gente importante destas localidades está envolvida. 

A diminuição da população de pássaros e insetos é uma realidade preocupante.  Eles são importantes dispersores de sementes e contribuem significativamente para a polinização.  

A ausência deles significa empobrecimento da biodiversidade. Empobrecimento da biodiversidade implica em deterioração do ambiente e da sua capacidade de sustentar a cadeia alimentar ali presente: microfauna (microrganismos como os fungos), insetos e aves, os répteis e demais animais da pirâmide.  

Muitos pássaros vão se adaptando à realidade urbana e a das mudanças climáticas. 

Sensíveis à presença deles e à escassez de alimentos, sobretudo no inverno, muita gente improvisa comedouros domésticos com frutas, por exemplo. 

Algumas prefeituras já plantam árvores frutíferas e colocam ninhos artificiais para facilitar a vida das aves. 

Estudos de cientistas especialistas em aves, já observam mudanças consideráveis na estrutura e na ecologia de alguns deles: tais como atividade noturna, em vez de diurna, quando são mais vulneráveis; e a mudança de peso e tamanho de algumas espécies.   

Tudo para sobreviver e se adaptar a um meio cada vez mais hostil. 

Com as aves de arribação a situação é cada vez mais dramática.  A migração fica cada vez mais difícil em função da destruição dos pontos de descanso e de alimentação, quando não dos locais de reprodução. 

No Brasil, além do tráfico e da crescente urbanização, temos assistido às queimadas, quando áreas inteiras têm sido destruídas, dificultando a sobrevivência de espécies endêmicas (que só vivem naquele lugar). 

Os pássaros habitam os poemas brasileiros, de Casimiro de Abreu a Manoel de Barros, enfeitam nossa vida com seus cantos maviosos e cumprem uma vital função ecológica que os ligam à nossa própria existência. Essa função ou “utilidade” não é pequena, embora menosprezada por ignorância. 

Defendê-los, conservá-los e amá-los é um imperativo ético, além de necessário.  

Pense nisto.

Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas
mais que a dos mísseis.
Tenho em mim
esse atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância
de ser feliz por isso.
Meu quintal
É maior do que o mundo
.

MANOEL DE BARROS

Samyra Crespo

Samyra Crespo | Ambientalista, coordenou a série de pesquisas nacionais intitulada “O que o Brasileiro pensa do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável” (1992-2012). Foi uma das coordenadoras do Documento Temático Cidades Sustentáveis da Agenda 21 Brasileira, 2002. Pesquisadora sênior do Museu de Astronomia e Ciências Afins/RJ. Ex-Gestora do Jardim Botânico do Rio de Janeiro

1 COMENTÁRIO

  1. As aves pagam um preço altíssimo por serem belas e cantarem bem. Elas nem sabem que suas penas são bonitas. Elas não estudam canto. Não têm noção do que cantam. Muitas entoam seus cantos para atrair fêmeas casamenteiras ou para demarcar território. Por isso, merecem prisão perpétua. Livres, elas podem embelezar muitas pessoas, embora não seja esse seu intento. E são castigadas com a prisão e até com a cegueira, como na bela e triste canção de Luiz Gonzaga. Melhor que todas fossem urubus, que ninguém deseja matar, aprisionar em gaiolas e colocar em galinheiros. Sou profundo admirador dos urubus, como era também João Cabral de Melo Netto

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