Os Verdes são a quarta força no Parlamento Europeu

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Lúcia Chayb e René Capriles || Revista Eco21

As recentes eleições para o Parlamento Europeu 2019-2024 foram dominadas por um tsunami verde que configurou uma nova tendência na política mundial: a euforia ambiental dos jovens. Ao todo, os Partidos Verdes da Europa conquistaram 75 cadeiras num total de 751, com o qual se transformaram na quarta força política do Velho Continente, sendo que, na Alemanha, hoje são a segunda força e, na França, na terceira.

Os líderes políticos ecologistas consideram que o extraordinário resultado é a prova do crescente interesse dos cidadãos pelos problemas ambientais, principalmente a mudança climática e o lixo plástico, fora da poluição atmosférica. Este resultado é, sem dúvida, devido às greves da escola promovidas pela jovem ativista sueca Greta Thunberg e seu movimento “Fridays for Future” que foram emulados por milhares de jovens em todo o Continente.

No Reino Unido, que está às voltas com sua saída da União Europeia, o famoso Brexit, os ecologistas ficaram na quarta posição, à frente do partido conservador com 12,4% dos votos. “Ver o Partido Verde derrotar os conservadores nessas eleições é realmente surpreendente. Algo parecido a um abalo sísmico está acontecendo na política britânica e europeia”, disse Alexandra Phillips, candidata do Partido Verde para o Sudeste da Inglaterra.

Daniel Boy, do prestigioso centro de pesquisas políticas Sciences Po, escreveu: “As razões para esta especificidade do voto europeu são bem conhecidas. Os eleitores sabem agora que a tão criticada Europa tem pelo menos a virtude de legislar de forma bastante eficaz no campo da proteção ambiental. Grande parte de nossa legislação ambiental vem de diretrizes europeias, como as da qualidade do ar e da água, proteção de áreas naturais e muito recentemente a proibição de pesca elétrica. Sabemos que dentro do Parlamento Europeu, os Verdes, embora poucos, sempre demonstraram inteligência e tenacidade para influenciar nas políticas públicas ambientais da UE”. a Deputada Verde alemã Ska Keller, co-Presidenta do Bloco dos Verdes/ALE no Parlamento Europeu e forte candidata para presidir a Comissão Europeia disse: “A maré verde arrasou Europa. Os Partidos Verdes superaram as expectativas e desempenharam um papel mais importante na hora de definir o debate político europeu nos próximos anos”.

Por sua vez, o holandês Bas Eickhout, também vice-presidente do Bloco dos Verdes na Eurocâmara, afirmou que com seu voto os europeus deram ao Partido “o mandato e a obrigação de promover a mudança ambiental na Europa”. Hoje está claro que será obrigatório contar com os ecologistas para configurar a futura Comissão Europeia e para a distribuição dos mais altos cargos da UE. “Qualquer nova Comissão deverá levar isso em consideração, posto que o nosso programa de proteção ao clima, justiça social e defesa do Estado de Direito e da democracia deu aos Verdes esta importante vitória”, destacou Eickhout, que lembra que o partido “é a única força política no que trata da ação climática e levaremos essa voz para a mesa de negociações”.

Já o Partido Verde brasileiro considera que esse resultado pode se repetir também na América do Sul e, principalmente, no Brasil, dada a urgência de novas práticas ambientais. “O PV defende uma preservação alinhada ao desenvolvimento sustentável, defesa das liberdades individuas, democracia, um planeta e uma sociedade saudáveis convivendo em harmonia. Posso afirmar que o Ecologismo é a melhor resposta para a onda extremista que enfrentamos no Brasil”, disse Fabiano Carnevale, Secretário de Relações Internacionais do Partido Verde e Presidente Municipal do PV-Rio.

Gaia Viverá!

Lúcia Chayb e René Capriles

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