Os animais podem prever o tempo?

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Foto: Constantin Correl


Ragnvald Moberg  ||  Jornalista da StormGeo

Os animais podem reagir às mudanças do clima mais rapidamente do que os humanos, mas não devemos contar com o comportamento deles para determinar quanta neve cairá na próxima semana ou quão severo será um furacão.

Os agricultores do Centro-Oeste norte-americano, que recentemente experimentaram o clima mais frio em uma geração, falam que sabiam que o clima extremo estava chegando antes de ser previsto oficialmente. Essa previsão não se deveu à meteorologia, mas ao modo como seus animais estavam se comportando. Deanna Brennecke, uma pecuarista de Iowa comentou que sabia que o frio estava chegando dias antes do seu arribo por causa do comportamento do seu gado. Eles estavam comendo muito mais alimento do que o normal, ganhando peso para ajudar a manter o calor antes de que as temperaturas despencassem. “Eles nos encontrando na porteira antes do normal, comiam se enchendo totalmente e nós apenas sabíamos”, disse Brennecke.

Evidências surgidas em anedotas como essa sugerem que os animais podem, de certa forma, prever o clima. No entanto, nunca foi comprovado cientificamente.

O que causa este sentido aguçado?

O que sabemos é que os animais reagem aos sinais ambientais que surgem quando o clima muda. Por exemplo, eventos climáticos extremos, como furacões, causam grandes reduções na pressão do ar e da água. Muitos animais podem sentir rapidamente essas mudanças e, muitas vezes, se comportarão de maneira estranha, fugirão ou se esconderão por segurança.

Animais preveem tempo

Sabe-se que os animais exibem um comportamento incomum antes de uma tempestade. Isto pode ser devido ao seu apurado sentido de olfato e audição, juntamente com instintos sensíveis. Os cães também podem sentir a mudança na pressão barométrica que vem com as tempestades, levando-os a latir, abraçar ou se esconder em uma tentativa de procurar abrigo.

Os pesquisadores observaram esse tipo de comportamento entre um grupo de tubarões enquanto monitoravam os movimentos desses animais durante eventos climáticos extremos, incluindo a tempestade tropical Gabrielle em 2007. Após a pressão barométrica caiu apenas alguns milibares, o que correspondeu a uma queda na pressão hidrostática, vários tubarões nadaram para águas mais profundas, onde havia mais proteção contra a tempestade.

Aves e abelhas também parecem ser capazes de sentir essa queda na pressão barométrica e, instintivamente, procurar a cobertura de seus ninhos ou colmeias. As aves também usam essa sensação de pressão do ar para determinar quando é seguro migrar.

Mesmo os seres humanos podem ter reações a essas mudanças de pressão o que explica porque algumas pessoas afirmam que podem prever uma tempestade devido à dor de cabeça que sentem no dia anterior à chegada da tempestade. Esta é provavelmente uma reação a uma diminuição na pressão atmosférica, que cria uma diferença entre a pressão no ar externo e o ar em seus seios, resultando em dor.

A relação entre o chilro de um grilo e a temperatura é talvez o exemplo mais fascinante de como o reino animal pode estar sintonizado com as mudanças ambientais. Esta relação é conhecida como Lei de Dolbear, batizada assim em homenagem ao físico estadunidense Amos Dolbear, que publicou um artigo sobre o assunto chamado “The Cricket as Thermometer”, em 1897. A Relação Chirp / temperatura é expressa nesta equação, escrita por Dolbear: Tf=50+(N60-40)/4, onde Tf é graus em Fahrenheit e N60 é chilros por minuto.

A relação entre temperatura e chilrear é causada por um aumento no metabolismo do grilo de sangue frio que ocorre quando a temperatura aumenta. Um metabolismo mais alto fornece mais energia para as contrações musculares ou, neste caso, o chilrear. Dolbear passou horas observando o grilo de árvores com neve para determinar essa equação, que se acredita ser exata num grau num campo de grilos. Pode-se usar o cálculo contando o número de chiados que ouve em 15 segundos e adicionando 37. A soma será aproximadamente igual à temperatura atual em graus Fahrenheit.

Embora não usemos um grilo como um termômetro, a crina dos cavalos já foi usada para medir a umidade. Antes do advento dos modernos higrômetros (instrumentos para medir o grau de umidade do ar) baseados em sensores eletrônicos, que medem a umidade, foram usados higrômetros de cabelo. Esta engenhoca consistia em crinas de cavalo coladas a dois suportes. Como os cabelos se esticavam e contraíam com a umidade qualquer mudança no comprimento era medida como umidade relativa.

Um dos exemplos mais conhecidos e amplamente celebrados de animais que predizem o clima é o Dia da Marmota. Baseado em uma antiga superstição trazida para a Pensilvânia por colonos de língua alemã em meados do Século 19, o Dia se baseia numa marmota mítica específica: a Phil de Punxsutawney. Se ela via sua sombra e voltava para seu buraco significava mais seis semanas de inverno; se não via sua sombra, a previsão era da chegada precoce da primavera. O feriado continua a ser celebrado em todo o Canadá e nos EUA, apesar de que numerosos estudos refutam a precisão. Na verdade, nossos próprios meteorologistas previram corretamente que as nuvens que chegavam bloqueariam a sombra da marmota, confundindo-a com o pensamento de que a primavera estava próxima; hoje sabemos que esse não é o caso. Os animais podem reagir a mudanças no clima mais rapidamente do que os humanos, mas não devemos contar com o comportamento deles para determinar quanta neve cairá na próxima semana ou quão severo será um furacão. Felizmente para nós, essa informação ainda está em mãos dos especialistas climáticos que são os que realmente são determinar as mudanças do tempo.

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