Novo Ministro do Meio Ambiente do Japão quer fechar as usinas nucleares

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Fukushima - Foto: Sandia Science Technology Park


Jessica Corbett || Jornalista de Common Dreams

O novo Ministro do Meio Ambiente do Japão, Shinjiro Koizumi, pediu na quarta-feira (11/9) o desligamento permanente de todos os reatores nucleares do país para evitar a repetição do desastre de Fukushima em 2011. A declaração foi divulgada apenas um dia depois que Yoshiaki Harada, antecessor de Koizumi no Ministério, recomendara despejar no Oceano Pacífico mais de um milhão de toneladas de águas residuais radioativas procedentes do resfriamento do reator, ainda ativo, da usina nuclear.

Shinjiro Koizumi – Foto: REUTERS/Yuya Shino

Koizumi foi nomeado para o cargo no dia 11/9, como parte de uma reformulação mais ampla do gabinete do Primeiro-Ministro japonês Shinzo Abe. Jovem, com 38 anos Shinjiro, filho do ex-Primeiro-Ministro japonês Junichiro Koizumi, é um conhecido e muito popular crítico da energia nuclear. “Eu gostaria estudar como vamos acabar com as usinas nucleares e não como mantê-las ligadas ou reativar as paradas”, comentou. Koizumi, cujo ministério supervisiona a regulação nuclear do Japão, disse durante sua primeira entrevista coletiva, na sua posse: “Se permitirmos que ocorra outro acidente nuclear estaremos condenados; não sabemos quando teremos outro terremoto”.

Em Março de 2011, um poderoso terremoto desencadeou um tsunami que causou o colapso de três reatores nucleares na usina de Fukushima Daiichi, na costa Nordeste do Japão, forçando dezenas de milhares de pessoas a fugir da radiação ao redor da usina. Foi o segundo pior desastre nuclear do mundo, depois de Chernobyl.

Após o desastre, todos os 54 reatores nucleares do Japão foram desligados. A Reuters informou que “cerca de 40% da frota pré-Fukushima está sendo desativada”. Atualmente, apenas seis reatores estão em operação. Em meio a batalhas legais travadas sobre os impactos do colapso, os ativistas aumentaram a oposição à geração de energia nuclear no país.

No entanto, alguns políticos japoneses, incluindo o atual Primeiro Ministro, argumentaram que a energia nuclear é necessária para atender às metas nacionais do clima. O novo Ministro do Comércio e Indústria do Japão, Isshu Sugawara, criticou o pedido de Koizumi de fechar os reatores do país. “Existem riscos e medos sobre a energia nuclear”, disse Sugawara. “Mas o ‘nuclear zero’, no atual momento e no futuro, não é realista”.

De acordo com o The Guardian: “O governo do Japão quer que a energia nuclear represente de 20% a 22% do mix geral de energia até 2030, recebendo críticas de ativistas que dizem que as usinas nucleares sempre representarão um perigo, por causa da vulnerabilidade do país a grandes terremotos e tsunamis. Abe, no entanto, pediu que os reatores fossem religados, argumentando que a energia nuclear ajudará o Japão a atingir suas metas de emissões de dióxido de carbono e reduzirá sua dependência de gás e petróleo importados”.

Apesar das posições de Abe e Sugawara, “é improvável que o governo atinja sua meta de religar 30 reatores até 2030”, devido à oposição local e aos desafios legais, observou o The Guardian. A escolha de Koizumi “foi uma surpresa” no gabinete de Abe, considerando que o novo Ministro “expressou acentuadas diferenças com membros mais velhos do Partido Democrata Liberal. Abe está no poder desde que foi escolhido pela primeira vez em 2006, tendo apoiado um rival na recente eleição para presidente do partido”.

As pesquisas geralmente indicam que Koizumi é considerado um candidato popular para servir como próximo Primeiro Ministro e a escolha de Abe ao nomeá-lo para o gabinete é vista como um gesto para dar a uma nova geração de políticos a oportunidade de aprender as regras de funcionamento do governo.

Koizumi substituiu Yoshiaki Harada, que recentemente foi manchete nos veículos de comunicação no mundo todo. Respondendo a uma projeção da Tokyo Electric Power (TEPCO) de que, no verão de 2022, a concessionária ficará sem espaço de armazenamento para as águas subterrâneas contaminadas em torno da usina de Fukushima, Harada sugeriu durante uma entrevista coletiva que “a única opção seria jogar a água no mar ou evaporá-la”. Os comentários de Harada foram rapidamente condenados por críticos da energia nuclear no Japão e em todo o mundo, bem como pelo governo da vizinha Coréia do Sul.

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