“Não teremos uma economia de baixo carbono sem a economia circular”




Na webinar Circular Economy – Governance & Scale, lideranças como a ex-Ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira e a especialista em economia circular Beatriz Luz também debateram os caminhos para um novo paradigma econômico 

Embaixador da Eslovênia no Brasil, Gorazd Renčelj

O Webinar Circular Economy – Governance & Scale, organizado pela Exchange 4 Change Brasil (E4CB), reuniu autoridades e executivos de mais de dez países para debater a transição para a economia circular, enfatizando assuntos como redes de governança, negócios circulares e as cidades do futuro. Um dos organizadores do evento e representantes nas rodas de conversa foi o embaixador da Eslovênia no Brasil, Gorazd Renčelj, que trouxe à tona a urgência de um novo modelo econômico para atingir as metas de baixo carbono enfatizadas nos debates da COP26. 

O objetivo do evento online, oferecido em parceria com o Ministério de Relações Exteriores da Eslovênia, a EU-LAC Foundation, a Circular Change e o CEBRI, era destacar as trocas de conhecimento e experiências entre a América Latina, o Caribe e a Europa no que concerne à geração de escala em projetos de economia circular. Para isso, participaram membros de governos, embaixadores, líderes de grandes empresas e especialistas no tema. 

Izabella Teixeira – Foto: MMA

Atualmente, a Eslovênia é o país que está na presidência do Conselho da União Europeia, tendo definido a economia circular como um de seus principais objetivos para dialogar com as propostas do Plano de Ação para a Economia Circular da UE, que está em vigor desde março de 2020. 

– Não teremos uma economia de baixo carbono sem a economia circular. Ou, pelo menos, com um uso muito eficiente dos recursos e da energia. Ninguém achou a bala de prata ainda, há muito o que aprender um com o outro. São necessários muitos stakeholders para trabalhar juntos, é para isso que estamos aqui – afirmou Renčelj. 

A ex-ministra do Meio Ambiente do Brasil, Izabella Teixeira, também participou do segundo e último dia do webinar, nesta terça-feira (23). Em sua fala, trouxe à tona a 

necessidade de implementar iniciativas globais de cooperação: 

– Temos problemas globais, crises globais e precisamos de soluções globais. Nós temos que aprender como crescer com a natureza, e não contra a natureza, e isso não é algo novo, mas postergamos toda vez. Não temos tempo para postergar mais. É necessário ter ambição de mudar e, para isso, ter vontade política para o futuro, trazer o futuro para o presente – pontuou Izabella Teixeira. 

COALIZÃO PARA A ECONOMIA CIRCULAR 

A diretora da Exchange 4 Change Brasil, Beatriz Luz, enfatizou que a união, o diálogo e a confiança são fundamentais para o avanço da economia circular. Essa foi uma das motivações para a criação do Hub de Economia Circular Brasil, primeiro hub estabelecido na América Latina para reunir empresas de diversos portes e segmentos em negócios circulares. 

Beatriz Luz, Diretora da Exchange 4 Change Brasil e Fundadora do Hub de Economia Circular Brasil

– Eu tive a ideia de criar um ecossistema de empresas e, felizmente, um grupo apostou na minha missão. Precisamos ter a missão compartilhada para seguir adiante, precisamos de uma coalizão daqueles que acreditam na economia circular. Para isso, é preciso trazer grandes, médias e pequenas empresas para a mesa de negociações; queremos ser o facilitador, dar voz às pequenas empresas que, geralmente, são as provedoras de soluções. As companhias que vão impulsionar o movimento são aquelas que se sentem inspiradas e entendem que não farão nada sozinhas – comentou Beatriz. 

No painel, a perspectiva das redes de governança também foi trazida pelo chefe do Departamento de Economia Circular do Ministério do Meio Ambiente do Chile, Guillermo González Caballero, que destacou a importância de ações que não se restrinjam aos mandatos de governo vigentes: 

– O que nós vemos é que a implementação de mudanças por um único governo é limitada. Um governo dura quatro anos, mas estamos falando de transformações que precisam de duas décadas para acontecer. Por isso, precisamos de uma rede de governança, que nos permita gerar capital social. O jeito de assegurar que as políticas não vão mudar é construir um comitê estratégico junto à academia, a organizações, à sociedade civil e ao setor privado. Governantes deixam os cargos, mas essas pessoas continuam.

Webinar Circular Economy – Governance & Scale organizado pela Exchange 4 Change Brasil (E4CB)

O FUTURO É CIRCULAR 

Na discussão “Circular Business: The Future of Living”, estavam entre os presentes Sergio Leão, Diretor de Sustentabilidade do Instituto Brasileiro de Autorregulação no Setor de Infraestrutura (IBRIC), e Ricardo Bonfim, representante da Enel Brasil. Os participantes debateram sobre o setor de construção civil e a contribuição das organizações no desenvolvimento das cidades do futuro. 

– O futuro é circular. Quando falamos sobre nossos negócios, estamos falando sobre circularidade. Porque, quando pensamos em como as grandes empresas trabalham hoje, nós acreditamos que não pode ser só um conceito, mas a forma como acreditamos que os negócios devem funcionar. Olhando para o cenário do mercado, circularidade é o único caminho de sobrevivência a longo prazo, combinando com o conceito de sustentabilidade e inovação – comentou Bonfim. 

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