Greta Thunberg irá num barco sustentável para a COP25

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Foto: Ernesto Ruscio


Bruno Toledo || Jornalista

Greta Thunberg atravessará o Atlântico em barco sustentável para defender ação climática

A estudante sueca Greta Thunberg viajará da Europa para a América do Norte em um veleiro equipado com painéis solares e turbinas submarinas para geração de eletricidade; no roteiro, estão a Cúpula sobre Ação Climática em Nova York e a Conferência da ONU sobre Mudança do Clima (COP 25) em Santiago do Chile

Boris Herrmann (capitão do barco), Svante Thunberg (pai de Greta) e Greta Thunberg
Foto: Birte Lorenzen

A ativista sueca Greta Thunberg iniciará sua primeira viagem fora da Europa a partir de Agosto, fazendo a travessia transatlântica de um jeito bem diferente, para evitar emissões de gases de Efeito Estufa – de barco. A primeira parada de sua jornada será nos Estados Unidos, onde ela participará de manifestações na cidade de Nova York antes e durante a Cúpula das Nações Unidas sobre Ação Climática, prevista para 27 de Setembro, um dia antes do encontro da Assembleia Geral da organização.

Greta virou símbolo de um movimento internacional que tem engajado milhares de crianças e adolescentes em todo o mundo em favor da ação climática, realizando “greves” para destacar aos mais velhos a importância de se enfrentar o desafio da mudança do clima o quanto antes, para que as gerações mais novas e as futuras tenham chance de viver em um planeta mais equilibrado. Mais de dois milhões de pessoas participaram de manifestações globais em março e maio passado. Ela também tem levado sua mensagem para tomadores de decisão no Parlamento Europeu e no legislativo de diversos países europeus, bem como no Fórum Econômico Mundial deste ano em Davos. A revista TIME a colocou na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo de 2019.

A estudante pretende se encontrar com representantes dos setores sociais mais afetados pela emergência climática, bem como com ativistas e lideranças políticas e sociais. Além da Cúpula em Nova York, Greta pretende também visitar outros locais na América do Norte e do Sul, e deverá participar da próxima Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a COP-25, que acontecerá em Dezembro na cidade de Santiago do Chile.

Foto: Anders Hellberg

“A ciência é clara. Precisamos começar a reduzir radicalmente nossas emissões o quanto antes, se quisermos ter chance de limitar o aquecimento global em 1,5°C. Ainda temos uma janela de tempo para agir, mas ela está se fechando rapidamente”, argumenta Greta. “Por isso, decidi realizar essa viagem. No ano passado, milhões de jovens levantaram sua voz para acordar os líderes do mundo para a emergência climática e ecológica. Nos próximos meses, com os eventos em Nova York e Santiago, saberemos se eles nos ouviram”.

Para realizar a travessia transatlântica sem gerar emissões de gases de efeito estufa – uma exigência de Greta, que nunca voou por causa do impacto desse modal de transporte em termos de carbono emitido na atmosfera – a viagem será feita pelo mar através do Malizia II, um veleiro blindado construído em 2005 e equipado com painéis solares e turbinas submarinas para gerar eletricidade a bordo. Greta viajará acompanhada por seu pai, Svante Thunberg, e pelo cineasta Nathan Grossmann, da B-Reel Films, que documentará a jornada. O barco será capitaneado pelo profissional Boris Herrmann e pelo fundador do Team Malizia, Pierre Casiraghi, que doarão seu tempo e habilidades para ajudar na viagem marítima.

Foto: Anders Hellberg

A embarcação partirá do Reino Unido em meados de agosto, e deverá chegar em Nova York aproximadamente duas semanas depois, em uma viagem sem paradas. As datas exatas de partida e chegada dependem das condições meteorológicas.

“Junto com muitos outros jovens nas Américas e no mundo, eu estarei lá, ainda que a viagem seja longa e desafiadora. Nós faremos nossa voz ser ouvida. É o nosso futuro que está em jogo, e devemos ao menos ser ouvidos por isso. A ciência é clara e tudo o que estamos fazendo é simplesmente comunicá-la e atuar de acordo com esse conhecimento. Nossa demanda é que o resto do mundo também se una a partir do que a ciência nos fala”, completa Greta.

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