Graziano passa direção da FAO ao cientista agrário Qu Dongyu

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Qu Dongyu e José Graziano - Foto: Giuseppe Carotenuto- FAO


Erik von Farfan || Jornalista (com informações da ONU e da FAO)

As políticas públicas e os programas de proteção social são fundamentais para reduzir a fome no mundo, mas, a qualidade de nossos alimentos deve ser melhorada, afirmou o Diretor-Geral da FAO, José Graziano da Silva, no ato de transmissão do cargo.

Seu sucessor, o cientista chinês Qu Dongyu assumirá no dia 1º de Agosto (2019) para um mandato que durará até 31 de Julho de 2023. José Graziano destacou o papel da FAO de impulsionar mudanças e melhorar a vida das pessoas vulneráveis, dando a elas capacidade técnica, em especial nos países em desenvolvimento. Também lembrou a importância das atividades normativas da FAO, que conta com 194 Estados-membros. “Não há nenhuma dúvida de que Qu Dongyu tem muito a oferecer em termos de conhecimento e experiência”. Na sua despedida ele disse: “Todo mundo gosta de ser lembrado pelas coisas boas que fez, ou acha que fez. Eu gostaria de ser lembrado como a pessoa que todo o tempo acreditou que podemos erradicar a fome no mundo; uma pessoa que trabalhou no tema da Fome Zero”. Graziano deverá viver no Chile após deixar o cargo na FAO.

Quando assumiu a chefia da FAO, a estimativa é de que existiriam 600 milhões de famintos nessa época. “Dois bilhões de pessoas no mundo têm alguma forma de insegurança alimentar. Não apenas a forma severa que é a fome, mas além dos 820 milhões que hoje passam fome, temos quase 1,2 bilhão mais que têm formas moderadas de insegurança alimentar. O que são estas formas moderadas? A insegurança dos que não têm emprego e não sabem se terão dinheiro para comer”, comentou Graziano.

Qu Dongyu agradeceu Graziano pelo “processo de transição suave”, descrito como “uma nova cultura para a FAO”. Também manifestou “profundo respeito” pelo trabalho do brasileiro à frente da Organização. Olhando para o futuro, Qu Dongyu também informou: “pretendo trabalhar por uma FAO que aplique a ciência moderna e a tecnologia, e que adote enfoques inovadores; meu objetivo é fazer da FAO uma organização mais dinâmica, transparente e inclusiva nos próximos 4 anos”, completou.

Ele também destacou a necessidade de estabelecer diálogo, construir confiança, aumentar a eficiência e se centrar na prestação de contas. O novo Diretor-Geral da FAO foi eleito em 23 deste mês (Julho) e se tornará a nona pessoa a ocupar o cargo desde a fundação da Organização em 16 de Outubro de 1945.

Nascido em 1963 numa família dedicada ao cultivo de arroz na província de Hunan, Qu Dongyu estudou horticultura na Universidade Agrícola de Hunan e depois fitogenética na Academia Chinesa de Ciências Agrárias. Ele completou sua formação acadêmica, acrescentando ciências ambientais graças a um PhD da Universidade de Wageningen, na Holanda.

Ele foi adquirindo experiência através de várias atividades em nível nacional e internacional, combinando simultaneamente o trabalho científico e de gestão, enquanto o processo de reformas e abertura da China permitiu reduzir drasticamente a pobreza e a fome num país com 20% da população mundial, 9% das terras agrícolas do mundo, e em que mais de 90% da população rural são agricultores de pequena escala com explorações de menos de 3 hectares.

Antes de chegar à FAO, Qu ocupou o cargo de Vice-Ministro da Agricultura e Assuntos Rurais da China, onde uma de suas realizações foi promover o desenvolvimento inclusivo e inovador e assegurar que as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) estivessem disponíveis para mais de 400 milhões de agricultores em áreas rurais, para que pudessem usar seus smartphones como uma nova ferramenta agrícola. Essa visão tem sido constante ao longo de uma carreira profissional que incluiu trabalhar nos principais institutos de pesquisa da China e como chefe de recursos humanos na construção da barragem das Três Gargantas.

Como vice-Governador da Região Autônoma de Ningxia Hui – uma das áreas mais frágeis e mais pobres da China – Qu formulou planos de ação focados na redução da pobreza, na mitigação e prevenção de desastres, no empoderamento das mulheres, agroturismo e plataformas de aprendizagem mútua destinadas a construir a confiança entre os diferentes grupos étnicos.

Qu alega representar uma combinação entre uma “alma asiática” e uma “mente global”. Reconhecido por suas inovações científicas como jovem pesquisador, ele está envolvido há 30 anos em intercâmbios internacionais e orquestrou importantes iniciativas, incluindo a Conferência Internacional de Proteção Fitossanitária, e participou em entidades multilaterais, como a Organização Mundial do Comércio (OMC) e o G20, bem como em numerosas iniciativas bilaterais que envolveram a Ásia, a África e a América Latina. Ele também ajudou diretamente a planejar projetos emblemáticos de Cooperação Sul-Sul com a FAO e o Banco Mundial.

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