Empresários pedem rápida ratificação do Acordo entre Mercosul e União Europeia

Bandeiras da União Europeia e do Mercosul destacando o acordo de livre comércio entre os dois blocos. Foto: Divulgação



Marina Fabre | Jornalista do Novethic

O Tratado de Livre Comércio entre a União Europeia e o Mercosul ainda não está enterrado. As organizações patronais da União Europeia pediram que este Acordo seja ratificado o mais rápido possível, enquanto a França decidiu não assiná-lo por questões ambientais, denunciando seu impacto sobre o desmatamento na Amazônia. O presidente brasileiro pretende manter a pressão revelando o nome das empresas francesas responsáveis por esse desmatamento.

As organizações de empregadores não desistem. Em uma declaração publicada em 26 de Novembro, a muito influente organização Business Europe, que representa mais de quarenta organizações de empregadores nacionais de 35 países europeus, incluindo Medef for France (Mouvement des Entreprises de France, ou Movimento das Empresas da França), pede a rápida ratificação do Tratado de Livre Comércio com o Mercosul. Nesse sentido, conta com o apoio das organizações patronais do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.

“O Acordo oferece oportunidades muito boas para as economias e sociedades de ambas as partes e tem uma importância crucial não só por razões estratégicas e económicas, mas também numa perspectiva de sustentabilidade”, escrevem os signatários. “As oportunidades de negócios criadas por este acordo também são importantes e urgentes para a recuperação do choque gerado pela pandemia COVID-19”, acrescentam.

Um custo ambiental muito alto em relação aos benefícios econômicos

Este “acordo comercial revolucionário”, nas palavras do ex-chefe do Medef, Pierre Gattaz, pode ser o maior já concluído pela UE, com mais de 770 milhões de consumidores em jogo e 18 trilhões de euros de PIB . Embora esteja em negociação há mais de vinte anos, seria possível eliminar os direitos aduaneiros e facilitar as regras comerciais. Mas um grande problema agora está retardando sua ratificação: seu impacto no meio ambiente.

Relatório do governo francês estima que o aumento de 2 a 3% na produção de carne bovina, devido à abertura de mercados, levaria a uma “aceleração do desmatamento anual em torno de 5%” durante os seis anos após a aplicação do Acordo. Ao multiplicar as emissões de CO2, esse desmatamento torna o custo ambiental do Acordo muito alto em relação aos benefícios econômicos, afirma o relatório. É por esta razão que, em Setembro passado, a França se opôs a este Acordo, tal como está. “A coerência dos compromissos ambientais do nosso país e da Europa depende disso”, justificou Jean Castex.

França cúmplice do desmatamento

A França é apoiada pela Holanda, cujos deputados recusaram o Acordo, e também pela Alemanha, que anteriormente apoiava este peso deste Tratado de Livre Comércio. Neste verão, enquanto a floresta amazônica, um dos pulmões da Terra, se transformava em fumaça, a chanceler Angela Merkel expressou “sérias dúvidas” sobre o futuro do acordo. Mas não está completamente enterrado. Bruxelas espera “um compromisso claro” dos países do Mercosul para garantir que respeitarão o aspecto de “desenvolvimento sustentável” do Acordo. Tanto mais que cerca de dez Estados, incluindo Espanha, Suécia, Portugal, Dinamarca e República Tcheca, escreveram um comunicado de imprensa em apoio à sua ratificação.

Além da pressão de organizações patronais e de alguns Estados membros, o presidente brasileiro Jair Bolsonaro acusa a França de ser “o grande problema” com este Acordo. Ele pretende divulgar a lista de empresas, incluindo várias francesas, que compram madeira extraída ilegalmente no Brasil e, por isso, participam do desmatamento ilegal da Amazônia ou do Cerrado localizado no coração do Brasil. O Presidente Emmanuel Macron já havia reconhecido em 2019 a “parte da cumplicidade” da França no desmatamento na Amazônia, em particular pela importação maciça de soja, principal causa do desmatamento no mundo.

FONTE:

https://www.novethic.fr/actualite/environnement/agriculture/isr-rse/malgre-les-atteintes-environnementales-les-patrons-europeens-veulent-ratifier-rapidement-l-accord-avec-le-mercosur-149249.html?utm_source=Abonn%C3%A9s+Novethic&utm_campaign=0fb2fc4839-Recap_2020_12_01&utm_medium=email&utm_term=0_2876b612e6-0fb2fc4839-171059205

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