Como se informar sobre meio ambiente, a imprensa ambientalista no Brasil



Samyra Crespo | Ambientalista. Ex-Presidenta do Jardim Botânico do Rio de Janeiro

Samyra Crespo – Foto: Lúcia Chayb

Há duas semanas fui entrevistada por estudantes de uma universidade do Nordeste que tinha uma pequena verba para fazer uma série de episódios sobre meio ambiente para o público universitário. 

Fiquei comovida com o engajamento, o idealismo desses jovens – não tem como não nos vermos a nós próprios “years ago”. São um alento.

A entrevista foi sobre o conceito de meio ambiente, a diferença entre este e o uso corrente da palavra ecologia, ou movimento ecológico, e entre outro, utilizado universalmente – “desenvolvimento sustentável”. Contextualizei devidamente cada um dos termos e missão cumprida.

Assim que a série for ao ar aviso aos interessados.

Congela.

Uma pergunta feita pela jovem aluna, minha entrevistadora, me chamou atenção: “se queremos uma informação veraz, honesta sobre as politicas ambientais no Brasil, onde podemos buscar?”

Eu, há muito tempo, busco informação em alguns sites estrangeiros para complementar a informação da mídia brasileira. Não tanto por duvidar das informações por ela veiculada, mas porque nossa mídia tem um vício: além de privilegiar o que é selecionado pelas agências de notícias tipo Reuters et caterva, nem sempre cobre o que interessa a nós ambientalistas ou quem atua na área ambiental por motivos profissionais. Isso para não mencionar o vício de cobrir mais a esfera governamental.

Assim, tenho e dei à aluna que mencionei uma lista de sites de notícias que acho confiáveis: a Revista ECO21 online, porque cobre um amplo espectro de players, com noticias sobre a Rússia, a África e América do Sul, pois somos muito isolados e pró americanos – mesmo antes das bizarrices de Bolsonaro. O editor, René Capriles foi durante muitos anos presidente da Associação de Jornalistas Estrangeiros, e junto com a Lucia Chayb, sua mulher, mantém uma tribuna independente há mais de 30 anos; a Agência Envolverde, de São Paulo, com boa cobertura de temas ligados às politicas públicas e empresariais de desenvolvimento sustentável, sob a batuta do jornalista Dal Marcondes, que mantém uma reputação inatacável na Rede Brasileira de Jornalistas Ambientais; o Site – naturalmente – da ONU Ambiente do Brasil, regular nas notícias sobre os eventos e campanhas apoiadas mundo afora pelas Nações Unidas; também gosto muito dos sites Ciclo Vivo e Conexão Planeta que fazem um pout porrit de matérias sobre ecologia, desenvolvimento sustentável e qualidade de vida. Entre os dois, Conexão Planeta, conduzido pela jornalista Mônica Nunes, é mais militante no sentido tradicional do termo, produzindo matérias mais opinativas. O ideal é ler ambos e dar uma espiada no Clima Info, como o próprio nome indica, com foco em mudanças climáticas; e também no Mar sem Fim, do jornalista João Lara Mesquita (ex Rádio Eldorado) cujo foco é mares e oceanos. Sempre dou uma olhada, sem me decepcionar, no Pick-Upau, uma turma que dá muita notícia interessante sobre manejo de fauna, especialmente pássaros. No Nordeste destaco o ECO Nordeste, sob a orientação da premiada jornalista Maristela Crispim. Tem outros? Claro!!! Sai muita coisa na BBC, El País, etc.

As ONGs, a maioria que tem atuação nacional ou internacional, caso do Greenpeace e, no âmbito nacional, várias outras como SOS Mata Atlântica, ISA, etc. mantém páginas, digamos corporativas, que basicamente divulgam suas campanhas e repercutem notícias dos órgãos de imprensa.

E deixei as revistas e sites científicos de fora.

Mas nosso tempo é limitado. Com relação a jornalistas engajados e confiáveis, leia-se éticos que militam na grande imprensa, vejo dois imbatíveis: André Trigueiro e Daniela Chiaretti

Acho que essa lista, como todas aliás, é um recorte arbitrário e atende aos meus interesses. 

Assim de antemão me defendo de esquecimentos e discordâncias. 

Mas como eu disse, era uma conversa franca e bem intencionada, com universitários sobre a imprensa ambientalista independente.

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