Combate ao desmatamento ilegal na Amazônia é prioridade para brasileiros, mostra pesquisa

Foto: Alexandre Aires da Silva


Redação do Observatório Febraban

Observatório Febraban traz que população defende medidas mais duras de punição para garantir a preservação da maior floresta tropical do mundo.

A preservação da Amazônia é item de grande preocupação para os brasileiros. Segundo o Observatório Febraban – pesquisa Febraban-IPESPE, o combate ao desmatamento ilegal na maior floresta tropical do mundo é prioridade para a maioria dos entrevistados, com elevada consciência sobre a importância desse ecossistema para o país. O levantamento divulgado nesta quinta-feira (27/8) mostra que os brasileiros defendem a necessidade de unir desenvolvimento e preservação da Floresta como objetivo maior dos governos. 

Segundo o estudo, 74% dos brasileiros afirmam ter muito ou algum interesse por ecologia e meio ambiente. E a maior parte deles expressa a insatisfação com os esforços de preservação do meio ambiente no país: 78% se dizem pouco ou nada satisfeitos. Já para 90% dos entrevistados a preservação da Amazônia é uma preocupação, sendo que 55% se dizem “muito preocupados” e 33%, “preocupados”. Paralelamente, 60% avaliam que a Floresta Amazônica é o ecossistema mais ameaçado do país. Em segundo lugar, a Mata Atlântica tem 11% de menções. 

Feita entre os dias 11 e 19 de Agosto com 1.200 entrevistados de todas as regiões do país, a pesquisa inova ao ter uma amostra complementar de 300 entrevistados representando a população adulta da Amazônia Legal (totalizando 456 entrevistados nesta região). 

Isaac Sidney, Presidente da Febraban, destaca que este é o mais amplo estudo das percepções, atitudes e valores dos brasileiros sobre a Amazônia, acrescentando-se o ineditismo da comparação entre o conjunto dos cidadãos do país e a população residente na Amazônia Legal. “A importância da preservação ambiental vem crescendo de modo significativo, ocupando lugar cada vez mais central na agenda pública”, afirma.

Para o sociólogo e cientista político Antonio Lavareda, Presidente do Conselho Científico do IPESPE, a pesquisa se insere no debate da questão ambiental, que foi potencializado pelas sucessivas notícias sobre queimadas, ações de grileiros e madeireiras, conflitos entre indígenas e garimpeiros, sempre associados ao aumento do desmatamento ilegal. “Nesse contexto, o Observatório Febraban se debruça sobre a pauta da Amazônia, buscando mapear e compreender os avanços da consciência da sociedade brasileira a seu respeito”, diz.

Capa da pesquisa do Observatóriuo FEBRABAN

Outros destaques da pesquisa

Importância da Amazônia

Destaque do levantamento é a percepção de relevância da Amazônia, tanto para o país, como para as pessoas individualmente e suas famílias: 77% dos entrevistados consideraram a Amazônia “muito importante” para o Brasil, e 72%, para a sua vida e de sua família. Na mesma linha, é quase absoluta a concordância com a ideia de que a preservação da Amazônia é essencial para a identidade nacional (94%). 

Quem melhor preserva a floresta

Entre os destaques de desempenho positivo na preservação da Amazônia estão as lideranças indígenas, com 73% de aprovação, e o Exército brasileiro, com 69%. Seguem-se em terceiro lugar as Igrejas, com 62%. A aprovação ao desempenho do governo federal é de 50%, superior à aprovação do Judiciário (47%) e, principalmente, dos governos estaduais (44%).

Esforços insuficientes para preservação

É elevado o nível de descontentamento com os esforços para preservar a Amazônia: 83% se dizem pouco ou nada satisfeitos. Governo e madeireiros se igualam no quesito “muita responsabilidade” quanto ao desmatamento ilegal da região, com 70% e 69% de índice. Na sequência, os governos estaduais são “muito” responsabilizados por 67%, fazendeiros (66%) e garimpeiros (65%).

Problemas da Amazônia

Para a maioria dos entrevistados, a população da região enfrenta seus maiores problemas em três áreas: na preservação da floresta (22%), na saúde (17%) e na falta de atenção aos indígenas (16%). Outras questões, embora frequentem o noticiário nacional, parecem ter menor relevância aos olhos da opinião pública, como a regularização fundiária (6%) e a segurança do transporte fluvial (2%). 

Consequências do desmatamento

Sobre as consequências do desmatamento, a ameaça à biodiversidade é considerada a mais grave deles (34%), seguida das mudanças climáticas em geral (25%). A alteração do regime de chuvas no Brasil é o efeito nocivo mais relevante para 11% dos pesquisados. Danos à imagem do Brasil no Exterior (11%) aparecem com maior relevância que o receio de fuga de investimentos (6%) 

Punição maior ao desmatamento ilegal e ao garimpo

A grande preocupação com a floresta explica o apoio ao endurecimento das punições pelo desmatamento da Amazônia (83%). Mais expressiva ainda é a rejeição à autorização das atividades de garimpo dentro das reservas indígenas (86%).

Manutenção das reservas indígenas

Mais de dois terços (67%) são contrários à redução das Reservas Indígenas na Amazônia. A preocupação com os indígenas é acompanhada pelo reconhecimento por parte de 58% dos entrevistados de que têm pouco ou nenhum conhecimento sobre a vida e a situação dos povos indígenas, enquanto 35% afirmam ter conhecimento médio.

Pressão internacional

O interesse internacional sobre a região amazônica é assunto controverso. A maioria concorda com o direito de pressão da comunidade internacional pela preservação da Floresta (54%) considerando ser “uma questão que afeta o mundo inteiro”. No entanto, é significativa a parcela dos que defendem a prevalência da soberania nacional (41%). 

Brasileiro conhece Amazônia pela TV

A imagem da Amazônia junto aos brasileiros é rica, forte, carregada de valores e de emoções. Porém, ela é formada à distância: 86% dos entrevistados das outras regiões nunca viajaram para os estados da Amazônia, e 89% não tiveram oportunidade de conhecer presencialmente a floresta. Apenas 21% consideram-na bem integrada ao país.

Avaliação local e nacional

O Observatório Febraban ouviu também representantes da população dos estados da Amazônia Legal, permitindo a comparação das tendências de opinião nacional e local. Há convergência nas atitudes e valores em relação à preservação da Amazônia e sua importância para o país e à vida pessoal. Também são assemelhados os resultados relativos à soberania nacional e aos interesses internacionais.

Já as diferenças ocorrem em temas sobre os quais a população local tem mais conhecimento e experiência. O conhecimento da floresta é consideravelmente mais elevado entre os moradores da região do que no restante do país (52% > 11%), porém, ainda assim quase a metade dos moradores da região (48%) nunca a visitou.

É possível identificar uma visão menos pessimista entre esse público sobre a evolução da preservação da Amazônia: para 22% dele, houve uma melhora ao longo dos últimos anos, (na amostra nacional é 12%). Do mesmo modo, ainda que seja igualmente elevada, a opinião sobre o aumento do desmatamento 71% está seis pontos percentuais abaixo do score registrado no País como um todo (77%).

Bancos engajados em prol da Amazônia

Em linha com as diretrizes de ASG (sigla para os conceitos de governança ambiental, social e corporativa), instituições financeiras no país estão engajadas em pautas de sustentabilidade e impacto social. Ações que se intensificaram ainda mais após o período de crise causado pela pandemia da covid-19, que evidenciou a necessidade de união e ajuda humanitária.

Prova dessa preocupação do setor com pautas socioambientais é a união dos três maiores bancos privados do país – Itaú Unibanco, Bradesco e Santander – para a criação do Conselho Consultivo da Amazônia, grupo de trabalho que tem como objetivo propor iniciativas e ações concretas para o plano de desenvolvimento sustentável da região.

Segundo as instituições, um grupo de especialistas se reunirá a cada três meses para levantar reflexões sobre dinâmicas e desafios da região, bem como desafiar os bancos quanto à eficácia das propostas. Entre os integrantes do conselho estão biólogos, pesquisadores e diretores de entidades de proteção da Amazônia.

Octavio de Lazari Junior, Diretor-Presidente do Bradesco, explica que o conceito foi escolher um grupo de pessoas de alta qualificação e notório saber que são comprometidas com a ciência, com a defesa do meio ambiente e com a vida. “Estamos bastante seguros que as diferentes visões e formações dos membros do conselho darão substância e massa crítica ao trabalho de propor e orientar medidas que envolvem o futuro da Amazônia; são desafios não só ambientais, mas também sociais e econômicos”, disse, em nota.

Já Cândido Bracher, Presidente do Itaú Unibanco, afirma no comunicado que os bancos estão satisfeitos por conseguirem reunir um grupo altamente qualificado e que conhece profundamente os desafios do Brasil na área ambiental. “A colaboração dos conselheiros consultivos será fundamental para que nossa atuação na região seja efetiva e gere os impactos positivos que buscamos”, afirmou.

Sérgio Rial, Presidente do Santander Brasil, por sua vez, acredita que os conselheiros darão o “respaldo necessário às propostas para o desenvolvimento sustentável da região Amazônica”. “Esses líderes excepcionais utilizarão sua vasta experiência acumulada em áreas de conhecimento complementares para nos ajudar a subir a régua, propondo ações e metas desafiadoras, que provem ser possível gerar riqueza para o país e beneficiar a população local sem sacrificar nossa biodiversidade e recursos naturais”, destacou, em comunicado.

Protagonismo dos bancos

As instituições financeiras brasileiras têm demonstrado grande protagonismo diante dos efeitos e imposições inesperados da COVID-19. Durante o CIAB Live 2020, edição digital do maior evento de tecnologia do setor financeiro, em Junho, líderes de grandes bancos mostraram como as instituições assumiram um novo papel social, se uniram em ações emergenciais para tentar minimizar e conter os estragos na saúde e nas finanças da população. Durante o evento, presidentes dos bancos alertaram para os riscos das questões ambientais – e esse tema ganhou ainda mais espaço na agenda dos executivos desde então. 

A íntegra do terceiro levantamento Observatório Febraban, pesquisa Febraban-IPESPE pode ser acessada neste link.

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