Baía de Guanabara: ecobarreiras e reciclagem química

Baía de Guabanara - Foto: Pixabay


Renato Atanazio || Coordenador de Soluções baseadas na Natureza da Fundação Grupo Boticário

Com significativa importância econômica, social, turística e de lazer, a Baía de Guanabara é a segunda maior do Brasil, abrangendo uma bacia hidrográfica com 16 municípios no Estado do Rio de Janeiro. Contudo, a poluição, a alta sedimentação e a degradação ambiental colocam a segurança hídrica e a resiliência da região em risco. A Ilha do Fundão, localizada na baía, foi identificada por pesquisadores como a área mais crítica por ter circulação reduzida, com pouca renovação da água e grande aporte de esgoto e plástico. Mesmo nesse contexto, a região abriga a cidade universitária, empresas, áreas para lazer, parte de uma reserva de Mata Atlântica e possui um grande potencial turístico e industrial, que estará ameaçado sem estratégias de conservação adequadas.

Para alavancar as potencialidades da ilha, pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em parceria com representantes de diferentes instituições – como OceanPact, INEA, L’Oreal, Baía Viva e Holos Brasil – estão desenvolvendo o protótipo de uma estação de reciclagem química na costa da Ilha do Fundão aliada à implantação de ecobarreiras para impedir a entrada de novos poluentes plásticos. A estação adota o método de pirólise, no qual há a decomposição térmica do lixo, transformando-o em insumo para a produção de novos materiais e gerando valor para diversas empresas da região a partir da economia circular. A proposta faz parte do laboratório de inovação Oásis Lab, iniciativa da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza em parceria com o Instituto Estadual do Ambiente (INEA) e a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro.

Hoje, 70% dos resíduos são lixo plástico, que é recolhido e enviado para aterros sanitários nem sempre recebe a destinação adequada. Cada tonelada de lixo transportada custa em média mil reais ao Estado. Outra alternativa é a reciclagem mecânica, que exige o trabalho de limpeza dos materiais coletados e também gera grande custo para os cofres públicos.

Já a reciclagem química tem custo médio estimado de R$ 400 por tonelada, apresentando-se como uma estratégia viável do ponto de vista econômico, de sustentabilidade e de conservação da biodiversidade.

Susana Vinzon, doutora em Engenharia Oceânica e professora da UFRJ, explica que o projeto reúne duas ações: “uma delas é requalificar um espaço a partir da despoluição. As beiradas da Ilha do Fundão são áreas públicas que nem sempre podem ser usadas pela população, justamente por questões ambientais. A outra ação é fazer essa despoluição com as melhores tecnologias integradas com a reciclagem”. Os idealizadores do projeto buscam agora atrair investimento para colocá-lo em prática.

A proposta faz parte de um conjunto de projetos desenvolvidos ao longo deste ano no laboratório de inovação Oásis Lab, que reúne cerca de 100 participantes de 50 instituições, empresas, indústrias, ONGs e órgãos públicos, com o objetivo de fortalecer a segurança hídrica e a resiliência costeiro-marinha na região hidrográfica da Baía de Guanabara. Os participantes foram mapeados, engajados, capacitados e cocriaram soluções e agendas integradas com o objetivo de viabilizar projetos inovadores desenvolvidos em conjunto.

Mapeamos atores, iniciativas e instituições relevantes que atuam no território para identificarmos o que vem gerando resultados positivos para o meio ambiente e como potencializar isso por meio de uma aliança estratégica para a conservação e recuperação da região e de sua biodiversidade. Sabemos que muitas pessoas e empresas dependem diretamente da Baía de Guanabara para a provisão de água, regulação climática, cadeia da pesca, produção agrícola e turismo. Diante disso, reunimos atores públicos e privados com experiência e conhecimento num laboratório de inovação para criar novas ferramentas para restaurá-la e torná-la uma região que aproveita o seu potencial econômico, social e de bem-estar.

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