Arara-azul-de-lear




American Bird Conservancy

Um bando de araras-vermelhas cria um colorido e barulhento respingo de azul contra os desfiladeiros de arenito vermelho no Leste do Brasil – o único lugar no mundo onde essas aves podem ser encontradas.

Grande e gregário, este papagaio de cauda longa azul se empoleira, se alimenta e viaja em bandos de pequeno a médio porte, como outros membros de sua família, incluindo a amazona lilás e o periquito de máscara vermelha.

Embora às vezes seja chamada de Arara Índigo, o nome mais comum dessa espécie homenageia o poeta, autor e artista britânico Edward Lear. Como uma rara arara brasileira acabou com o nome de um poeta britânico?

Família Reunida, Arara-azul-de-lear – Foto: Cesar Luiz Leite

O Poeta e o Papagaio

Edward Lear é talvez mais famoso por seus versos e poesias sem sentido, incluindo rimas infantis como “A coruja e a gatinha”. Quando jovem, Lear desenhou pássaros e mostrou tal talento que ilustrou e publicou Ilustrações da Família dos Psitacídeos, ou Papagaios, antes de completar 20 anos. O livro foi um sucesso de crítica e foi a primeira monografia produzida na Inglaterra com foco em um família única de pássaros.

Um dos papagaios que Lear ilustrou chamou a atenção do ornitólogo francês Charles Lucien Bonaparte, que o descreveu formalmente em 1856. Mas um espécime vivo da ave permaneceu indescritível até 1978, quando o ornitólogo Helmut Sick localizou uma população reprodutora de araras no estado da Bahia. A arara redescoberta recebeu o status oficial de espécie, junto com o nome do jovem ilustrador que a retratou pela primeira vez.

Arara-azul-de-lear – Foto: Maggie Forrester

Araras azuis grandes

A arara-azul-de-lear faz parte de um grupo sul-americano conhecido como “araras azuis”. Destes, a arara-azul está extinta na natureza (há aproximadamente 150 indivíduos em cativeiro), e a arara-azulada provavelmente extinta. A arara-azul é o maior papagaio do mundo e a arara azul menos rara. A arara-azul-de-lear é semelhante a este primo maior, mas costuma ter tons esverdeados na cabeça e na parte superior das costas, e apresenta uma mancha amarela em forma de lágrima da pele do rosto atrás da mandíbula inferior, em vez da fina faixa amarela de Jacinto, que corre ao longo margem inferior da mandíbula.

A maior parte da população de araras-azuis-de-lear vive na Estação Biológica de Canudos, com um grupo menor a cerca de 80 quilômetros de distância. Por causa dessa distribuição extremamente limitada, a arara-azul-de-lear é reconhecida como uma espécie da Aliança para Extinção Zero (AZE). A arara-azul-de-lear permanece no hábitat da Caatinga o ano todo.

Como o resto de sua família, a arara-azul-de-lear tem uma voz não melódica, emitindo uma variedade de grasnidos e guinchos parecidos com os de corvos, tanto quando empoleirada como em voo.

Mapa com a área habitada pela Arara-azul-de-lear – Mapa: American Bird Conservancy

Amante de Licurí

A maior parte da dieta da arara-azul-de-lear consiste em nozes da palmeira nativa Licurí, outro fator que contribui para a distribuição limitada da ave. As palmeiras de Licurí são frequentemente cortadas ou queimadas para dar lugar a campos agrícolas, e o gado doméstico, especialmente cabras revolvem as árvores jovens antes que elas voltem a crescer.

Cada arara-azul-de-lear pode comer até 350 nozes de Licurí por dia, usando seu bico grande e forte para abrir as cascas duras. Outras frutas e sementes, flores de agave e safras cultivadas, principalmente milho, complementam a dieta dessa ave quando as nozes são escassas. As araras-de-lear são comedoras bagunceiras, jogando sementes no chão constantemente enquanto se alimentam em pequenos grupos. Dessa forma, os papagaios ajudam a sustentar as árvores das quais dependem. Outros pássaros frugívoros, como o tucano-de-bico-vermelho e o pássaro-sino-barbudo, também “replantam” árvores dessa forma enquanto se alimentam.

Arara-azul-de-lear no Raso da Catarina – Foto: Fábio de Paina Nunes

Relacionamentos sólidos como rocha

Como a Arara-de-testa-vermelha, que vive em hábitats áridos semelhantes na Bolívia, a arara-azul-de-lear se empoleira e nidifica em fissuras, cavernas e saliências de penhascos que criam desfiladeiros de arenito dentro de sua área. Grupos de araras-azuis-de-lear se empoleiram em colônias soltas, com três a quatro pássaros compartilhando um espaço, mas durante a temporada de nidificação os pares acasalados deixam o grupo maior para estabelecer seus ninhos. Um par escavará uma fenda ou alargará uma existente, amolecendo o arenito com sua saliva e, em seguida, raspando o material com bicos e pés.

As araras-de-lear acasalam por toda a vida, e muitos casais ficam juntos por vários anos antes de se reproduzir.

Volta a Canudos

A perda de hábitat, a caça e a captura para o comércio de animais de estimação são ameaças constantes à arara-azul-de-lear. Como as araras-verdes, militares e de garganta-azul, esses lindos papagaios são procurados por caçadores que alimentam o comércio ilegal de pássaros. Outra ameaça vem da escassez da palmeira Licurí, uma fonte primária de alimento que, como mencionado anteriormente, é frequentemente sobrepastada pelo gado e desmatada para dar lugar a campos agrícolas e pastagens.

A American Bird Conservancy (ABC) e a parceira brasileira Fundação Biodiversitas tiveram um papel importante na volta da arara-azul-de-lear. Em 2007, a Estação Biológica de Canudos, administrada pela Biodiversitas, foi ampliada para 3.649 hectares. Duas estações de campo e um alojamento ajudaram a avançar no estudo desta ave e de outros animais selvagens locais e a estabelecer ali o ecoturismo, mantendo os caçadores ilegais afastados. Os observadores de pássaros e outros turistas podem vivenciar essa história de sucesso por si próprios visitando Canudos

INFORMAÇÕES ADICIONAIS:

NOME CIENTÍFICO: Anodorhynchus leari

POPULAÇÃO: Aproximadamente 1.300 adultos

ESTADO DA IUCN: Ameaçada

TENDÊNCIA: Crescente

HÁBITAT: Árida Caatinga (floresta espinhosa) com cânions de arenito e palmeiras de Licurí

FONTE:

https://abcbirds.org/bird/lears-macaw/?omcampaign=membership=tagline&eType=EmailBlastContent&eId=0bba8c67-4947-48b1-b59c-4e7361ebc75d

23/11/2020

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