A importância dos povos indígenas

Cacique Tupinikim Jaguaretê, do Espírito Santo - Foto: Valter Campanato - ABr


Nice Castro | Jornalista

A conservação da Amazônia depende da autonomia dos povos indígenas e o LIRA – Legado Integrado da Região Amazônica trabalha para ajudar nesta e em outras causas fundamentais para a sobrevivência da floresta.

As Terras Indígenas são reconhecidas como os territórios que conservam a biodiversidade brasileira, devido aos conhecimentos e formas de viver de seus povos. Segundo o Censo IBGE de 2010, os povos indígenas no Brasil são mais de 896 mil pessoas, em sua maioria, distribuída em aldeias, situadas no interior de 724 Terras Indígenas, de norte a sul do território nacional. São 256 povos que falam mais de 150 línguas diferentes em todo o país. Considerando que grande parte dos territórios indígenas estão situados na Amazônia Legal, o papel dos povos indígenas como guardiões de seus territórios precisa ser reconhecido como fundamental para a manutenção da floresta em pé.

Com a crise tanto na saúde quanto na economia, agravada com o desmatamento na Amazônia e a chegada do vírus aos povos indígenas, a atuação das instituições que trabalham integradas na região se torna ainda mais importante. O projeto LIRA, uma iniciativa idealizada pelo IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, atua em 43 unidades de conservação e 43 Terras Indígenas no bioma (cerca de 12% das 379 Terras Indígenas da Amazônia Legal), por meio de uma rede de parceiros locais.

Segundo Fabiana Prado, Gerente de Articulação do IPÊ e responsável pelo projeto, o LIRA vai apoiar o fortalecimento institucional das organizações indígenas, o que é extremamente importante, pois contribui para que os povos cumpram o seu papel na discussão dos territórios e no fortalecimento da sua cultura. “O objetivo é fomentar as cadeias produtivas, desenvolvendo ações de formação e de construção de instrumentos de gestão econômica territorial, para que sejam criadas condições favoráveis de acesso ao mercado com base em parcerias comerciais sólidas e duradouras”, diz Fabiana. “Frente ao cenário de desmatamento e fogo à qual estão constantemente expostas, nossas ações também vão dar suporte para que os indígenas possam aumentar o seu sistema de vigilância”, afirma.

Com o LIRA, será possível dinamizar e colocar recursos na economia local, apoiar a geração de empregos e renda através da sociobiodiversidade, potencializar a autonomia e soberania alimentar e fortalecer redes de instituições trabalhando de forma integrada, ajudando a implementação das políticas públicas socioambientais no território. As ações vão envolver 21 Terras Indígenas (mais de 17 milhões hectares) nessa primeira fase do projeto, beneficiando 20 diferentes povos da Amazônia.

O LIRA vai impulsionar diretamente negócios socioprodutivos vinculados a 12 cadeias de valor da Amazônia, gerando um faturamento de R$5 milhões. Nas Terras Indígenas serão: castanha, farinha de mandioca, turismo, artesanato, cumaru. Além disso, vai apoiar a implementação de Sistemas Agroflorestais (SAFs), que geram benefícios para o produtor e para a floresta.

A importância da Amazônia para a regulação climática e o equilíbrio ambiental planetário deixa claro que os benefícios promovidos não são apenas para os povos indígenas que vivem no território, mas para toda a sociedade que se beneficia da conservação da floresta.

O que é a Amazônia Legal

O conceito foi instituído pelo governo brasileiro como forma de planejar e promover o desenvolvimento social e econômico dos Estados da região amazônica, que historicamente compartilham os mesmos desafios econômicos, políticos e sociais. A Amazônia Legal é uma área que engloba nove Estados do Brasil pertencentes à Bacia Amazônica e à área de ocorrência das vegetações amazônicas. Além de conter 20% do bioma cerrado, a região abriga todo o bioma Amazônia, o mais extenso dos biomas brasileiros, que corresponde a 1/3 das florestas tropicais úmidas do planeta, detém a mais elevada biodiversidade, o maior banco genético e 1/5 da disponibilidade mundial de água potável.

Sobre o IPÊ

O IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas é uma organização brasileira sem fins lucrativos que trabalha pela conservação da biodiversidade do país, por meio de ciência, educação e negócios sustentáveis. Fundado em 1992, tem sede em Nazaré Paulista/SP, onde também fica o seu centro de educação, a ESCAS – Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade.

Presente nos biomas Mata Atlântica, Amazônia, Pantanal e Cerrado, o Instituto realiza cerca de 30 projetos ao ano, aplicando o Modelo IPÊ de Conservação, que envolve pesquisa científica, educação ambiental, conservação de habitats, envolvimento comunitário, conservação da paisagem e apoio à construção de políticas públicas. Além de projetos locais, o Instituto também desenvolve trabalhos em diversas regiões, seguindo os temas Áreas Protegidas, Áreas Urbanas e Pesquisa & Desenvolvimento (Capital Natural e Biodiversidade). Para o desenvolvimento dos projetos socioambientais, o IPÊ conta com parceiros de todos os setores e trabalha como articulador em frentes que promovem o engajamento e o fortalecimento mútuo entre organizações socioambientais, iniciativa privada e instituições governamentais. www.ipe.org.br 

Sobre o LIRA

O LIRA é uma iniciativa idealizada pelo IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, Fundo Amazônia e Fundação Gordon e Betty Moore, parceiros financiadores do projeto. Os parceiros institucionais são a Fundação Nacional do Índio (FUNAI), o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Secretaria Estadual do Meio Ambiente do Amazonas – SEMA-AM e o Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará – IDEFLOR-Bio. O projeto abrange 34% das áreas protegidas da Amazônia, considerando 20 UCs Federais, 23 UCs Estaduais e 43 Terras Indígenas, nas regiões do Alto Rio Negro, Baixo Rio Negro, Norte do Pará, Xingu, Madeira-Purus e Rondônia-Acre. O objetivo do projeto é promover e ampliar a gestão integrada para a conservação da biodiversidade, a manutenção da paisagem e das funções climáticas e o desenvolvimento socioambiental e cultural de povos e comunidades tradicionais. 

Mais informações: https://lira.ipe.org.br/ 

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